VANDA, FRIBURGO E SAUDADE!
(texto de José Ouverney, publicado em 22.01.2009)

 

     Os Jogos Florais de Nova Friburgo são o concurso de trovas mais badalado do Brasil. Sua 1ª edição ocorreu em 1960, graças a uma feliz idéia de Luiz Otávio e J.G. de Araújo Jorge. Realizado de forma ininterrupta, chega, neste ano de 2009, à sua 50ª edição, ou seja, comemora o Jubileu de Ouro, para o qual está sendo preparada uma festa à altura das tradições do evento. E qualquer trovador pode concorrer, sem precisar pertencer a entidade nenhuma.

     A propósito, o tema lírico deste ano: "Saudade" faz com que eu me lembre, a título de ilustração, da composição abaixo:

Enquanto, amor, tu demoras
e eu vou somando ansiedade,
a travessia das horas
é calculada em saudade.

     A trova acima, de Vanda Fagundes Queiroz, inspiradíssima poetisa mineira radicada em Curitiba obrigou-me a fazer a seguinte reflexão: A trova não é apenas "uma composição poética de quatro versos setissílabos, rimando obrigatoriamente o 1º com o 3º e o 2º com o 4º e com sentido completo". A Trova é, sobretudo, uma obra de arte. Você tem que imaginar a mão do artista projetando, no papel, palavra por palavra. Debulhando a sua emoção.

     A Trova não é apenas aquela composição que se faz, às pressas, para cumprir o prazo de determinado concurso e tentar vencê-lo, custe o que custar: a Trova já tem que nascer vencedora.

     Sou grande admirador dos trabalhos da Vanda, já lhe disse isto pessoalmente e agora faço questão de expressar-me publicamente.

     Gente, nossos talentos estão escasseando. O Brasil da Trova precisa, urgentemente, de mais Vandas Queiroz! Para que a Trova possa cumprir sempre a sua primeira e real função: ser uma obra de arte! Para que possa se aprimorar no seu segundo e igualmente primordial objetivo: ser formadora de opinião pública e integradora social, incutindo nas gerações que aí estão,não somente a necessidade mas o encantamento de sonhar.

     Para aguçar nossa inspiração, que tal mais uma trova sobre Saudade?

Saudade!... Raio de lua,
suprindo o Sol que brilhou...
Tábua solta, que flutua,
depois que o amor naufragou!
WALDIR NEVES - CÉU (via Rio de Janeiro)

     E eu concluo meu raciocínio com esta indagação: já pensaram se em cada cabeça ociosa houvesse uma trova bailando?

 

O autor do texto é  "Magnífico Trovador" por Nova Friburgo desde 2008 e titular da cadeira nº 33 da Academia Pindamonhangabense de Letras.