Algumas curiosidades etimológicas:

21. orar: da raiz primitiva “or” = boca. Daí: oral, oração, orador etc

22. OVAÇÃO: da raiz primitiva “ov” = ovelha. Daí: ovatio (latim) = imolar uma ovelha para comemorar um triunfo. Em português, ovação é aplauso por um triunfo alcançado.

23. PALIATIVO: da raiz primitiva “pall” = capa, cobertura, donde, paliar, paliativo = cobrir com capa para aliviar momentaneamente um mal.

24. PASQUIM (jornal ou panfleto difamador): Vem de “Pasquim”, uma estátua em Roma sobre a qual se afixavam escritos satíricos.

25. PECÚLIO (dinheiro acumulado, bens) vem do latim “pecus” = gado porque o gado era a base das grandes fortunas.

26. pensar: Da raiz “pend” = pesar. Realmente, pensar é pesar ideias.

27. pessoa: Do latim “persona” – daí personagem. Esta palavra, originariamente, significava a máscara usada pelos atores para amplificar o som de suas vozes. (Já reparou que o símbolo do teatro são máscaras?)

28. sacro = osso da bacia. Assim denominado porque envolvia as vísceras oferecidas nos sacrifícios religiosos.

29. salário: do latim “sal”, originariamente dinheiro dado aos soldados para comprar sal.

30. solecismo  = erro grave contra a gramática. como os que os habitantes de “Soles”, cidade grega, costumavam cometer.

31. SOLTEIRO: Corruptela de “solitário”. Evolução da palavra desde o latim: solitariu > soltariu > soltairu > solteiro.

32. TALENTO: Da raiz primitiva “talent” = balança, de onde > peso que, por extensão, veio a significar  inteligência, criatividade.

33. VARÃO: Do latim “varo, varonis” = homem estúpido. Por um interes- sante eufemismo semiológico, a significação primitiva de estúpido, cedeu à de ilustre,  daí  varão com o sentido que hoje se lhe dá.

34. VIRTUDE: Da raiz primitiva “vir” = homem forte (daí: viril). Virtude, primitivamente significava a força puro e simples, daí “coragem”

35. vizinho: Da raiz primitiva “vic” = aldeia. (Veja “estrada vicinal” – pequena estrada municipal ligando propriedades vizinhas)

(Fonte: “Dicionário Ideológico” de Luiz A.P. Victória)

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A poetisa ou a poeta?

“O feminino de poeta é poetisa, qualquer gramática pode lhe confirmar isso. Contudo, essa forma feminina, com o tempo, adquiriu uma conotação pejorativa porque mulheres com reconhecida veia poética passaram a intitularem-se poetas; diziam não ser poetisa a verdadeira forma feminina de poeta, pois lhes atribuía uma condição de menoridade face aos homens.”  (Prof. Ricardo Sérgio)

“... alguns críticos e intelectuais, ao falar de alguém do quilate de uma Cecília Meirelles, por exemplo, começaram a dizer: "É uma grande poeta!". A moda pegou no meio literário e acadêmico: o vocábulo passou a ser usado por muitos como se fosse um comum de dois . Hoje, portanto, podemos escolher entre as duas formas de feminino: ou usamos poetisa, ou simplesmente poeta.” (Prof. Cláudio Moreno)

"Parecia-me que a palavra poetisa melhor se aplicaria à mulher do poeta ou talvez àquela que declama poesia, e não àquela que faz poesia para valer. Em contato com as mulheres que faziam poesia, foi possível verificar que elas próprias também se autoproclamavam poetas.” (Dra. Dalila Teles Veras)

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Da minha parte, prefiro “a poeta”, porque, etimologicamente, não vejo razão para se ter criado, por derivação sufixal, a forma “poetisa”. Em latim só existia a forma feminina “poeta”, uma palavra da 1ª declinação (assim como “nauta” = marinheiro). Se a palavra original já era feminina, por que uma nova forma?  Se os homens quisessem, deveriam ter criado uma forma masculina para eles (poeto!). Veja, por exemplo, que hoje dizemos “a astronauta”. Quanto aos dicionários, lembro que não são obras normativas da língua, apenas registram o uso das palavras. Em pouco tempo, estarão registrando também “a poeta”, como já mencionam “presidenta”. (Renato Alves)

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Quantos “donos” tem  a língua portuguesa?

(ou a subserviência linguística)

    Todos já devem ter reparado que as autoridades subordinadas à Presidência ou ao partido do governo só dizem “presidenta”, enquanto a maioria dos demais mortais preferem “presidente”. Até aí, tudo bem: a forma que a mandatária exige já está até dicionarizada.

     Mas já repararam que, agora, em todos os veículos do sistema “Globo” (jornal, rádios, TV, revistas) só se ouve “Paralimpíadas” e “Jogos Paralímpicos”? E eu pergunto: Aonde foram buscar estes esquisitos e cacofônicos vocábulos? Eis a explicação publicada no Jornal “Extra” de 18.11.2012: “Nos dicionários só há registro de PARAOLIMPÍADAS e de jogos paraolímpicos, mas recebi uma orientação da direção de esportes da Globo para usar JOGOS PARALÍMPICOS. Dizem que é uma padronização sugerida pelos Comitês Olímpicos. Vem do inglês paralimpics games. Sou contra, mas obedeço”.                              (Coluna “Aula Extra” de Sérgio Nogueira)

      Era só o que faltava...  depois que FIFA também nos impôs três opções para o nome do mascote da Copa: ZUZECO, FULECO  e AMIJUBE!                                            

(Renato Alves)

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(Esta coluna  é publicada regularmente no Boletim Informativo da UBT-Rio de janeiro)