Não Tem o que Fazer? - postado em 12.09.2011

NÃO TEM O QUE FAZER? FAÇA TROVAS!    

       A orientação, longe de ser uma censura, é um agradável convite  aos trovadores, (na maior parte aposentados) para que, no seu tempinho de folga, ajudem a abastecer o mundo de trovas.  

       Foi o que fizeram, por exemplo, Antonio Augusto de Assis (Maringá) e Elisabeth Souza Cruz (Nova Friburgo) que, num carinhoso e agradável "tiroteio de emails", construiram, entre 22 de julho e início de setembro de 2011 essa sequência de 80 trovas. Um tipo de debate (as trovas ímpares são do Assis e as trovas pares são da Elisabeth), a que o Assis convencionou cognominar:  "VAIVÉM DO RISO".

       Acompanhe toda essa loucura!

1.A

Quando moço, acesa a chama

despia-se ante a gatona,

agora veste o pijama

deita de lado... e ronrona.

2.E

O meu vizinho se poupa

já que o cansaço é normal...

Quando fala: "Tira a roupa!",

tira a roupa do varal!

3.A

Em que aperto o bom velhinho,

de assanhado, se enfiou:

chamou pra cama o brotinho,

e ela, malvada, aceitou...

4.E

Brotinho assanhado inventa

mil jogadas para o amor

e o velhinho até que tenta,

mas sai sempre perdedor!!!

5.A

Deu desespero no Adão

por ser um “ele” sem “ela”...

Ganhando a dita, o chorão

perdeu a paz... e a costela!

6.E

Pode quem quiser falar

pois ninguém sabe o que diz,

tendo a mulher para amar

o homem ficou foi... feliz!

7.A

Jamais se viu nesta vida

marido preso em gaiola...

A mulher é mais sabida:

põe-lhe no dedo uma argola!

8.E

O homem de argola, também,

ao machismo não se furta:

– faz da mulher seu refém

e a mantém na rédea curta!

9.A

De um homem para a mulher

que pede ajuda na pista:

– Desculpe... Se ajuda eu der,

vão me chamar de machista...

10.E

A coisa é séria, querido,

tem mulher que é mulher macho...

quando manda no marido

faz dele gato e capacho!

11.A

Porém chiar é bobeira...

Quem manda mesmo é a mulher;

tanto é que desde a primeira

faz do marido o que quer...

12.E

Bobeira?!... Maior bobeira

é o salário do operário

que trabalha a vida inteira

e não fica milionário!

13.A

Também na fauna a justiça

é às vezes discricionária:

dá mole ao bicho-preguiça,

explora a abelha operária...

14.E

Falando em exploração,

nunca vi maior babado...

a mulher do capitão,

como explora o rebolado!!!

15.A

Lá vai o siri-patola,

todo prosa, a rebolar...

Num puçá se enreda e enrola:

vira petisco de bar!

16.E

Falando num bom petisco,

quem não se arrisca, não prova,

como é bom correr o risco

de preparar uma trova!!!

17.A

Cinquentão já sou na trova;

na idade, quase oitentão...

Evito, pois, pôr-me à prova:

em museu não entro não!...

18.E

Eu também tô quase nessa

e em loja de raridade,

se eu entro, saio depressa

pois pareço antiguidade!

19.A

Essa tal de antiguidade

a mim me causa estranheza:

quando perde a utilidade,

é aí que vira riqueza...

20.E

Estranheza, caro Assis,

é o que a gente vê "na praça"....

tem gente que pede bis

se uma injeção for de graça!!!

21.A

“Ah, que surpresa gostosa!”,

diz a velhinha, feliz,

quando o velho, todo prosa,

dá no couro... e pede bis!...

22.E

Buzinando o caminhão,

surpresa boa é a do otário

que dá tempo ao ricardão

para se esconder no armário!

23.A

Otário simples, legal;

nada faz que prejudique.

O duro é aguentar o tal

do otário metido a chique!...

24.E

Com a trova vinte e quatro

me ocorreu agora a ideia:

– ninguém vai mais ao teatro,

pois perde o "acento" a plateia!

25.A

Problemas há no momento

em que muda a acentuação.

– De tudo tirem o acento,

porém do “cágado” não!...

26.E

O hífen de vice-prefeito,

por certo, não caiu, não,

pois logo depois do pleito

sempre dá separação!

27.A

Se acaso se visse o vice

futricando o titular,

um baita disse-me-disse

logo iria se espalhar...

28.E

Nunca vi maior tolice

futricar a vida alheia,

pois quem faz disse-me-disse

vai cair na própria teia!

29.A

Você sabe o que é que é “teia”?

Não sabe?... Deixo explicado:

– E’ a casca de barro e areia

com que se cobre o “teiado”...

30.E

Ra! Ra! Ra! Falando em barro

lembrei da antiga moringa...

água fresquinha! Eu me amarro

e a minha saudade vinga!!!.

31.A

Era uma era inocente,

e a vida era pitoresca:

– um tempo em que toda gente

mantinha a moringa fresca...

32.E

Sem juntar alho e bugalho,

quando se fala em moringa,

já me lembrei do baralho,

pois és Assis... meu curinga!

33.A

Curinga eu sei que não sou,

mas tenho uns truques sagazes...

– Em meu nome o pai botou

o “aaa”, isto é, três “ases”..

34.E

Três "ases"... assim eu digo:

– Um "A" dizendo Alquimia;

O "A" seguinte que é de Amigo

e mais outro "A" de alegria!

35.A

Chega manso, pede abrigo,

pede grana... e eu vejo claro:

esse é o tal de caro amigo

que em verdade é amigo caro!...

36.E

O tipo acima descrito

custa caro e é um desacato...

Mas amigo "Assis", bendito

é simplesmente um barato!

37.A

Certos tipos importantes

parecem Marte – um deserto:

vistos de longe, brilhantes;

cascalho apenas, de perto!...

38.E

Brilhantes?!! - Pois sem trabalho,

sem ramo profissional,

a moça arranjou um galho

no "distrito" e... é federal!!

39.A

Troca o sábio a esposa culta

pela moça apimentada...

– No instante em que a ardência avulta,

cultura não conta nada!

40.E

Numa troca de "mulé",

o "mané" ficou na mão,

que a moça que dava "pé"

tinha um baita sapatão!

41.A

Nervoso e agressivo quando

alguém lhe pisa no pé,

diz ele: – Estarás pensando

que eu não sou burro, ó mané?...

42.E

Na trova há constatação:

- Assim como o português,

que traz muita inspiração,

o "mané" sempre tem vez!

43.A

Súbito um rato matreiro

fungou no pé do Mané.

– Supôs ser de queijo o cheiro...

Quis provar... era chulé!

44.E

Do teu queijo eu tiro um naco

pois a minha ideia logra...

mudo de pau pra cavaco,

que tal falarmos de... sogra?

45.A

Na hora do desespero,

vale tudo, oh Deus, que horror...

Vale até, sem exagero,

chamar a sogra de “amor”!

46.E

Sei também de um desespero,

pois o genro, de mutreta,

pôs pimenta no tempero

e a sogra ficou zureta!

47.A

Faltam-lhe os “tchans” da “zelite”,

talvez escola e que-tais...

Mas no “tempero”, acredite,

a danadinha é demais!

48.E

Tempero lembra cozinha

e a tua trova... "a penosa",

aquela da tal galinha

que no garfo era bem prosa!

49.A

Diz ao garfo, humilde, a faca:

– Rema, rema, remarré...

Eu sou fraca, fraca, fraca,

mas corto mais que a cuié...

50.E

Quando tem panela cheia

no fogão da cozinheira

sempre acaba em briga feia

que o patrão quer dar "rasteira" !!

51.A

Felizardo é o cara esperto

que vai no mato morar.

Lá não tem patrão por perto

nem sogra no calcanhar...

52.E

É verdade! Uma mamata

morar longe de patrão...

só não se pode é na mata

ficar na moita.... sem cão.

53.A

Bem pior é um menestrel,

quando lhe apura a barriga,

na moitinha, sem papel,

ter que usar folha de urtiga...

54.E

Querido.. eu não faço intriga,

mas veja a situação:

na moita, anda dando briga,

por dinheiro em cuecão!!

55.A

Tudo o mais é mera intriga,

fabulazinha bizarra...

– O chato é ser a formiga

“cantada” pela cigarra!

56.E

E por falar em cantada

quem canta seu mal espanta?

Eu sou tão desafinada

que nem galo se levanta!!!

57.A

Quando o galo nega raça

e precoce o caldo entorna,

a frangona, por pirraça,

dá-lhe um ovo... de codorna!

58.E

Eu falo e tenho respaldo,

pois em canja de galinha,

para aumentar mais o caldo,

pegue a sopa da vizinha!.

59.A

Alarme no galinheiro.

– Será que há gambá na granja?...

– Bem mais grave: é o cozinheiro

que avisa: “Hoje vai ter canja!”...

60.E

E foi tamanho o brigueiro,

pois dona "Gala" se zanga,

já que o galo, que é frangueiro,

logo quis salvar a "franga"!

61.A

Fui à feira a fim de frango;

frango fresco ali faltava.

Fiquei fulo e ao fim meu rango

foi farofa, alfafa e fava.

62.E

A minha ideia não míngua,

e eu lhe mando "plantar fava",

pois compondo um trava língua,

minha própria língua trava!

63.A

Calma aí, não fique brava

com a minha brincadeira...

Se quiser, eu planto fava,

batatas, a horta inteira...

64.E

Assis... eu não me detenho

e agora pego carreira:

– quero ver teu desempenho

se "plantares bananeira"!!!

65.A

Nada há que mais atraia

a molecadinha arteira

que moça de minissaia

quando planta bananeira...

66.E

Tu és um sujeito esperto,

(mas só peço que não caias)

quando estiveres bem perto

das moças perdendo as saias!!!

67.A

Disse o esperto garotinho

na forçada confissão:

– Olhei pelo buraquinho...

mas não vi “o” da moça não!

68.E

Por falar em confissão,

confessa a moça (e reclama):

- Tão pesado é o meu patrão

que quebrou a minha cama!

69.A

O funcionário e a patroa

a um baile foram... “ficaram”.

O patrão soube: largou-a,

e os pôs na rua: “dançaram”!

70.E

Com duplo sentido, a "dança"

é palavra que marcou:

– nem sempre quem dança, cansa...

mas quem se cansa... dançou!

71.A

Até pra fazer pecados

é necessário ser jovem.

Adões e Evas cansados,

nem mesmo as maçãs os movem...

72.E

As maçãs, "na velha idade",

lembram uvas, e o idoso,

olhando as "boas" (maldade!),

– Acançá-las?! É penoso!!!

73.A

Conhaque no aperitivo,

conhaque na sobremesa...

– E’ assim que o velhinho, ativo,

mantém a velinha acesa!

74.E

"Sopre a velinha , sem dó!"

e, na festinha animada,

sopraram tanto a vovó

que ela ficou resfriada!

75.A

– Sopre o trombone sem DÓ,

diz a velhinha ao regente...

– Se mande pra LÁ, vovó,

e cuide de SI... SOL-mente!

76.E

Assis, neste DÓ RÉ MI,

a trova pede uma pala:

– como é que eu estando aqui,

ouço tanto a sua fala?

77.A

Se no dorré não faz sol,

nem também no lami si,

no remi lá do fá-rol

faz redó relá solmi...

78.E

No dó ré que a gente inventa,

Antonio Augusto, tem dó!!!

Já vamos para as oitenta

numa brincadeira só!

79.A

Enquanto você topar,

sigamos, então, sem medo.

Vamos brincar de brincar,

até cansar do brinquedo...

80.E

O desafio me empolga,

eu topo qualquer parada....

E não preciso de folga

porque eu ando eletrizada!

       E aí... alguém se habilita? Mas vou avisando, desde já: passe bastante giz no taco porque essa turma não é fraca não!