João Freire Filho, ex-presidente nacional da UBT = União Brasileira de Trovadores, sempre defendeu a trova erudita. Aquela que, sem perder suas condições essenciais de clareza e simplicidade, também saiba usar uma roupa especial para cada ocasião. Tão ao gosto de João Rangel, Waldir Neves e outros brilhantes trovadores.

       Mas nunca se cogitou, por exemplo, criar a “Trova Moderna”. Ora, assim como existem a Poesia Moderna, a Pintura Moderna e outras inovações, por que não a “Trova Moderna”?

       Basicamente os princípios seriam os mesmos. Você lê o que está escrito e dá a interpretação que achar cabível. Ou então, nem seria preciso criar versos com certo grau de complexidade. Mudaríamos apenas a forma de interpretá-los. Por exemplo:

Fui buscar água no poço,
tropecei e fui ao chão.
Vai atrasar todo o almoço,
por culpa do… tropeção!

       Se usarmos nossa imaginação, quantas conclusões não poderemos tirar desta trova aparentemente incolor, insípida e inodora, originada de um simples tropeço?
       Apenas aparentemente, porque o tempero do feijão, digo, da obra, dependerá do quanto você se aprofundar na análise, indo até o fundo do poço.

       Mas, pelo que noto, começa a surgir um movimento em prol da Trova Moderna. Mormente nas de cunho humorístico. E apoio totalmente a ideia. Seria um tipo de “trova-charada”. O autor, em questão, fica desobrigado de escrever algo que faça você rir espontânea e desbragadamente. Ele somente insinua possibilidades. E o leitor se encarregaria de imaginar onde está a graça.

       E a mais engraçada acabaria sendo justamente aquela que, ao final das pesquisas, pudéssemos constatar que não tem graça nenhuma. Que era um blefe. Isto não é engraçado?

       Bom, se depois de ler toda essa patacoada, você julgar que a “Trova Moderna” tem chance, faça algumas e mande, para minha avaliação. Faça isso e depois aguente as consequências. Ou será que em algum momento acreditou que eu estava falando sério? Fala sério!