De modo geral, hoje as compras que fazemos costumam ser pagas através do famoso “cartão magnético”, também chamado de “dinheiro de plástico”. E há (principalmente entre as classes mais modestas) os que têm, por hábito, sacar “todo” o salário e saldar os débitos com “dinheiro vivo”.

Walter Waeny (Foto: divulgação)

(Walter Waeny) 

     Podemos notar que o talonário de cheque, com o passar do tempo, vem sendo cada vez menos utilizado: 1º) porque muitos cidadãos nem podem tê-lo, em função do nome vinculado à famigerada “lista negra”. Ou SPC, como queiram. 2º) porque os próprios bancos desestimulam o cliente a utilizá-lo, entendendo que o cheque é mais oneroso à empresa, o que faz com que os lucros dos banqueiros sejam menores. Como se isso fosse possível…

     O certo é que, nos áureos tempos, quase tudo era pago com cheque. Evidentemente o comerciante procurava cercar-se de todos os cuidados. Atualmente a consulta ao SPC/SERASA é feita instantaneamente mas, outrora, tornava-se necessário escrever um verdadeiro relatório no verso da folha de cheque, tais como: nome, endereço, RG, telefone…

Alguns chegavam a se irritar com tanta pergunta. Outros achavam divertido, e tiravam de letra o interrogatório. Entre esses, o talentosíssimo poeta/trovador Walter Waeny, que residia em Santos, falecido em 04 de junho de 2006.

     Ironizando as constantes perguntas que a “mocinha do caixa” lhe fazia, um belo dia o nosso vate (ou Walter, como preferir) saiu-se com esta “preciosidade”:

Sempre que pago com cheque,
talvez porque se apaixone,
a caixa, com ar moleque,
indaga o meu telefone…