Dorothy Jansson Moretti - Sorocaba
UM OLHAR SOBRE SOROCABA
Em pleno ciclo de tantas tropeadas,
quer de mulas, ou quer também de bois,
Sorocaba levanta as mãos armadas...
Mil oitocentos e quarenta e dois.
Passa o século. A poeira das estradas
vai-se apagando e vão florir, depois,
as lindas laranjeiras carregadas...
Mil novecentos e quarenta e dois.
Os ciclos vão-se de outros distanciando...
Do bandeirante ao têxtil se afastando,
a indústria abre, imponente, o seu roteiro.
E hoje, aos ventos do tempo e seus avanços,
Sorocaba levanta os braços mansos,
e torna irmãos... filhos do mundo inteiro.
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M U T A Ç Õ E S
Longe, no céu tão diáfano e sereno,
as nuvens brincam de fazer figuras;
traçam imagens, erguem esculturas,
vivo painel sobre o horizonte ameno.
Um cavaleiro em sólida armadura,
na torre de um castelo aguarda o aceno;
além, um monstro a baforar veneno,
aqui, mansa ovelhinha toda alvura.
Tal como as nuvens o destino é incerto,
em nossa vida as ilusões se agitam,
juntas, no tempo, às horas de amargura.
Vento que insufla a areia no deserto,
mas cessa, enfim... e em nossa alma palpitam
os anseios de paz e de ventura.
