Do Informativo da UBT/RJ = Dois dedos de prosa ( Por Renato Alves)
 
SOBRE RIMAS - 02.09.2015
 

     Mais uma vez a reunião de presidentes estaduais da UBT não aprovou qualquer mudança sobre a aceitação de rimas que levem em conta a realidade da pronúncia corrente dos vocábulos da língua portuguesa. Porém, pelo menos, este ano, tentou-se explicar (Bol.Nac.565) as razões que levaram a essa rejeição em tom mais respeitoso com relação aos argumentos dos que pensam diferente. Ao contrário do que ocorreu ano passado quando as reações aos nossos comentários ultrapassaram os limites da boa civilidade chegando até a ofensas pessoais que muito nos doeram. Pelo menos neste ponto, fizemos algum progresso...

     No entanto, creio sinceramente que, enquanto não entendermos que as questões referentes à rima têm que ser estudadas exclusivamente no âmbito da Fonética e da Versificação, jamais conseguiremos justificar essa rejeição a mudanças. Lexicógrafos como Aurélio e Antônio Houaiss, excelentes dicionaristas, não podem fundamentar razões de ordem fonológica para explicar fenômenos fonéticos existentes no verso, como é o caso da rima, simplesmente porque suas posições dizem respeito à fala, à linguagem no âmbito da comunicação e não na Literatura.

     No caso das rimas, prefiro ficar com Wanda Fagundes de Queiroz, quando diz em seu brilhante artigo “A trova... sempre”: “...o melhor mestre é o ouvido. ... A fundamentação teórica exagerada, que não leve em conta o bom senso, pode mais complicar do que ajudar.

    Correção formal deve aliar-se a teor poético.” (artigo disponível em www.falandodetrova.com.br) Ah, o teor poético!... O elemento mais ausente das insípidas discussões que envolvem a trova atualmente! Na verdadeira obsessão pela forma perfeita (rima / métrica) esquecem-se de incentivar o enriquecimento do conteúdo, numa espécie de parnasianismo capenga!

     Sou mais as rimas “imperfeitas” dos nossos poetas românticos Casimiro de Abreu, Castro Alves, Fagundes Varela, Álvares de Azevedo.

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