I Concurso de Trovas de Sete Lagoas/MG - 1976

ÂMBITO NACIONAL = TEMA: "QUEIMADAS"  (líricas/filosóficas)



1º lugar: SILVINA ANTUNES LEAL - Santos

A ponta acesa atirada

do cigarro no capim...

E todo o horror da queimada

às vezes começa assim...



2º lugar: ENIR MORETH SILVA - Niterói

Naqueles verdes de outrora

vejo cinzas espalhadas.

É o homem que se devora

na insensatez das queimadas.



3º lugar: JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO - Rio de Janeiro

Com a queimada, o fazendeiro

queima a esperança da vida:

- a terra só é celeiro

quando de verde vestida.



4º lugar: RODOLPHO ABBUD - Nova Friburgo

Queimadas... troncos despidos,

na dor de sua inocência,

parecem braços erguidos,

suplicando por clemência!...



5º lugar: JOSÉ NAEGELE - Niterói

É preciso que combatas

duas chagas cancerosas:

- a devastação das matas

e as queimadas criminosas...





MENÇÕES   HONROSAS



6º lugar: CARLINDA LAMEGO - Rio de Janeiro

Pondo a terra devastada

pelas queimadas a esmo,

numa conduta impensada

o homem destrói a si mesmo!



7º lugar: WALDIR NEVES - Rio de Janeiro

Foram-se as chamas... E os retos

da galharia tisnada

erguem-se aos Céus, em protestos

contra a insânia da queimada!...



8º lugar: MANOEL ROCHA FILHO - Taubaté/SP

Vendo a queimada que avança,

qual tenebroso dragão,

queima-se, em mim, a esperança

de ter mais trigo e mais pão...



9º lugar: ROMEU DE CARVALHO - Três Corações/MG

Autoridades, cuidado!

Cuidado, povo, também!

"Queimada" - ônus pesado

às gerações que aí vêm!



10º lugar: JOSÉ CARLOS SANTOS FREITAS - São Gonçalo/RJ

Na "Queimada", crepitando,

por entre chamas ao léu,

o som da mata queimando

é um grito de dor do céu!...



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ÂMBITO MUNICIPAL = TEMA: "CHUVA"  (líricas/filosóficas)



1º lugar: RAYMUNDO GRAVITO

Como a terra ressequida

faz a chuva um grande bem;

sejamos também, na vida,

uma chuva para alguém!



2º lugar: DALVA CAMPELO CASTANHEIRA

Caiu chuva em quantidade

sobre a terra ressequida;

acordou minha saudade,

inda há pouco adormecida.



3º lugar: MARIA AUXILIADORA MATOS DE MELO

Pensa a chuva em denso véu,

enquanto cai em torrente:

- Que importa deixar o céu,

se fertilizo a semente?



4º lugar: JUDITH COELHO MACIEL

Deus! Fazei que minha prece

penetre até a floresta;

que o desmatamento cesse;

a chuva salve o que resta...



5º lugar: LÚCIA V. DE AVELAR

Quando se alastra a queimada

e a chuva põe-se a fugir,

vendo a terra tão crestada,

resta um recurso: pedir!





MENÇÕES   HONROSAS



6º lugar: VALDEREZ DINIZ SALLES

Choveu. A terra sofrida

teve alívio; então "sorriu"...

E a semente, agradecida,

tornou-se arbusto e floriu...



7º lugar: JOSÉ NOGUEIRA DA SILVEIRA REIS

Mo contexto tecnológico,

bradam ao céu as queimadas!

Contra o equilíbrio ecológico,

cortam chuva as derrubadas!



8º lugar: ALEXANDRINA DE SOUZA DAYRELL

Floresta foi devastada,

húmus deixou de existir.

Foi-se embora a passarada,

chuva deixou de cair!



9º lugar: JUDITH COELHO MACIEL

Quando as queimadas consomem

riquezas das nossas matas,

a chuva diz para o homem:

"Insano, por que me matas?..."



10º lugar: JOSÉ NOGUEIRA DA SILVEIRA REIS

As queimadas... fogaréu,

pasto seco devorava,

mas veio a chuva do céu,

logo a coivara apagava.

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NOTA = esse material foi uma gentil contribuição do "Magnífico Trovador" IZO GOLDMAN, da UBT São Paulo/SP