VIII Concurso de Trovas de Rio Novo / MG - 1994

PARA  TROVADORES  DE  TODOS  OS  QUADRANTES (exceção aos residentes em Minas Gerais)

TEMA:  "MEDALHA''

VENCEDORES   (todos os nomes em ordem alfabética)

ALBA CHRISTINA CAMPOS NETTO - SP

Uma ficou sobre a mesa:

a dos sós... nem nome tinha...

E eu descobri, com tristeza,

que essa medalha era a minha!

ANTONIO VALENTIM RUFATTO - Bauru

Se não é reconhecido,

mesmo vencendo a batalha,

saiba que o dever cumprido

vale mais do que a medalha!

DARLY O. BARROS - SP

Na medalha, o "sempre teu!",

foi velada falcatrua,

que afinal me convenceu

sem seres meu, a ser tua!

HÉRON PATRÍCIO - SP

Até quem tem muitas falhas

guardará honras no peito,

se lutar - não por medalhas,

mas por um mundo perfeito!

JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO - RJ

Não uso, por mais que eu valha,

medalha que se enalteça,

se o valor desta medalha

o meu valor não mereça!



MENÇÕES  HONROSAS   (todos os nomes em ordem alfabética)

ALBA CHRISTINA CAMPOS NETTO

Vitórias não discrimino,

pois vi, vencendo batalhas,

heróis a quem o destino

jamais conferiu medalhas!

CARLINDA LAMEGO - RJ

A medalhas, não devemos

dar apreço exagerado:

é dentro d'alma que temos

nosso valor registrado!

ERCY MARIA MARQUES DE FARIA - Bauru

Na corrida que não falha,

vida e morte a disputar,

ganha, a vida, só medalha

de penúltimo lugar!

JOÃO FREIRE FILHO - RJ

Por querer minha jornada

sem máculas, nesta vida,

prefiro a derrota honrada

à medalha imerecida!

MIGUEL RUSSOWSKY - Joaçaba

Quando o herói morre em vigília

pela Pátria, nas batalhas,

o conforto da família

não se compensa em medalhas!

WALTER WAENY - Santos

São, estas mechas nevadas

que ostento, na fronte erguida,

as medalhas conquistadas

nos combates desta vida!



MENÇÕES  ESPECIAIS   (todos os nomes em ordem alfabética)

FRANCISCO LUZIA NETTO - Amparo

Devo ao chinelo de couro,

que meus erros corrigia,

a douta medalha de ouro

que exibo no dia-a-dia!

JOSUÉ DE VARGAS FERREIRA - Ribeirão Preto

Seu campo o Jeca retalha

e ceifa da messe o grão!

- Bravo sem fama ou medalha,

é herói de calo na mão!

MARIA NASCIMENTO SANTOS CARVALHO - RJ

A medalha da vitória

que eu consegui sem lutar,

foi a glória mais inglória

que me coube conquistar.

MARCELO HENRIQUE - Amparo

Senhores, eu não aceito

que a inconsequente batalha

abra a trincheira no peito

para o tampão da medalha!

THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA - SP

Se a vida me desafia

e eu luto e venço a batalha,

o destino, à revelia,

põe noutro peito a medalha!

ZAÉ JÚNIOR - SP

Herói, que vence o cansaço

da vida, em rude batalha...

tem no peito um marcapasso:

sua invisível medalha!

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APENAS  TROVADORES  RESIDENTES  EM  MINAS  GERAIS

TEMA:  "CORRENTE''

VENCEDORES   (todos os nomes em ordem alfabética)

ARLINDO TADEU HAGEN - Juiz de Fora

Ao cordão tão perecível,

o amor de mãe acrescenta

uma corrente invisível

que força alguma arrebenta!

JOSÉ TAVARES DE LIMA - Juiz de Fora

Se a vida é penosa e bruta,

não fraquejo, sigo em frente,

como um náufrago que luta

contra a força da corrente!

MARIA AGOSTINHA DA SILVA - Juiz de Fora

Trago em meu peito magoado

um sonho que me conforta:

ver-te abrindo o cadeado

da corrente... em minha porta!

MARCELO ZANCONATO PINTO - Juiz de Fora

Às vezes, nos teus abraços,

abraças tão fortemente,

que eu sinto estar, nos teus braços,

atado numa corrente...

MARIA DOLORES PAIXÃO - BH

Minha vida é uma corrente

onde o tempo, sem piedade,

entre o passado e o presente,

só pôs um elo: a saudade!



MENÇÕES  HONROSAS   (todos os nomes em ordem alfabética)

ARLINDO TADEU HAGEN     (duas trovas)

Em recaídas frequentes,

o racismo é crueldade

feito marcas de correntes

nos pulsos da humanidade!

Aceitar os teus abraços

e os teus beijos envolventes

foi como estender os braços

na direção das correntes!

ANTONIO CLARET MARQUES - Guaxupé

Diz o povo, em voz corrente,

que ela não presta e eu não presto.

Mas só quem ama é que sente

a insensatez deste gesto!

EUGÊNIA MARIA RODRIGUES - Rio Novo

Não me queres, mas te auguro

um amor sem embaraços:

que sejas um nó seguro

na corrente de outros braços!

HELOISA ZANCONATO PINTO - Juiz de Fora

Partiu... mas tenho-o guardado

na foto, ao lado direito

de um coração pendurado

na correntinha... em meu peito!

JOSÉ TAVARES DE LIMA

Um grão só, nunca é de menos,

muito importa na colheita...

pois é com elos pequenos

que a grande corrente é feita!

MARCELO ZANCONATO PINTO

Que algum dia mereçamos

ver um mundo diferente,

onde todos nós sejamos

elos da mesma corrente!

MARIA AGOSTINHA DA SILVA

Daquela velha corrente

que acorrentou nossas vidas,

hoje restam simplesmente

carícias adormecidas!

MARIA DOLORES PAIXÃO

Meu coração é a vertente

de uma corrente de mágoas,

fluindo constantemente,

como a corrente das águas!...

MARIA AGOSTINHA DA SILVA

Não desejo a liberdade

nem quero grandes espaços:

prefiro a felicidade

accorentada em teus braços!

SANTOS TEODÓSIO - Brumadinho     (duas trovas)

Cativo de alguém ausente,

vivo a carência sofrida

que prende, numa corrente,

sua ausência à minha vida...

Tem valor muito expressivo

o seu amor envolvente,

cujo saldo é positivo

em minha conta corrente...

THEREZA COSTA VAL - BH     (três trovas)

Nesta amarga despedida,

com mágoa revelo, enfim:

nossa corrente rompida

partiu mais um elo... em mim!

Nesta corrente de afeto

entre a aurora e o entardecer,

brilha a manhã do meu neto

na tarde do meu viver...

O nosso amor é tão forte,

tem liga tão resistente,

que eu penso que nem  a morte

desfaz a nossa corrente!



MENÇÕES  ESPECIAIS   (todos os nomes em ordem alfabética)

ALOYSIO ALFREDO SILVA

Joga fora o teu quimono

e atira-te em meus abraços:

quero amarrar o teu sono

na corrente dos meus braços!

ALFREDO DE CASTRO - Pouso Alegre

Só existe uma corrente

que me prenda de verdade:

a que for feita somente

de elos de amor e amizade!

CEZAR AUGUSTO DEFILIPPO - Juiz de Fora

No mar de amor, inocente,

amaste quem não te amou;

foste âncora sem corrente,

que nenhum barco ancorou...

EUGÊNIA MARIA RODRIGUES

Jamais sonho sonhos vãos:

por um mundo mais perfeito,

quero "corrente de irmãos"

mas, sem algemas no peito!

EVA REIS - BH

A corrente ainda existe

revivendo a escravidão,

guardou o gemido triste

que hoje vem da multidão!

MARGARIDA TANNINI - Juiz de Fora

Sou guerreiro que não falha,

como teto eu tenho o céu:

sou corrente sem medalha,

sou vencedor sem troféu!

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NOTA = esse material foi uma gentil contribuição do "Magnífico Trovador" IZO GOLDMAN, da UBT São Paulo/SP