A RELIGIOSIDADE NA UBT
(texto de João Costa, postado no site em 02.12.201) 

         Publicou-se, há algum tempo, um artigo neste site sobre a religiosidade na UBT, onde o autor abordava algumas questões que o levavam a sentir que a entidade era católica. Por muito tempo eu consegui segurar minha vontade de escrever sobre o assunto, apresentando meu ponto de vista, minha opinião. Relutei muito, mas acabei sendo vencido pelo meu desejo de me expressar a respeito. Como vivemos num país livre, todos temos o direito de expressar sobre o que acreditamos, de emitir nossa opinião. Desde, é claro, que não desrespeitemos esse ou aquele que pense o contrário.

          No referido texto o autor afirmava que a UBT era católica. Não é verdade. A entidade não defende essa ou aquela religião ou crença. Os associados sim. Esses têm, cada um, a sua religião, sua crença. Por ser a maioria católica, muitas vezes podem acontecer atividades que atendam a esses, como a missa em trovas, por exemplo. Mas ninguém é obrigado a assistir a esse evento. Eu, de minha parte, não sou católico, mas gosto de assistir a essa missa, que considero uma obra de arte, elaborada pelo nosso querido irmão trovador Antonio Augusto de Assis. E considero, também, uma reverência a esse irmão que, tão inspiradamente e tão bem intencionado, compôs tal obra. Ir à Igreja para assistir à missa em trovas não vai, de forma alguma, me prejudicar espiritualmente. 

          Outra questão abordada foi ter a UBT um santo católico como padroeiro. Francisco de Assis, embora a Igreja católica o tenha elevado à condição de santo, é um símbolo de humildade, amor e respeito à vida e à natureza. Um verdadeiro poeta. Pois assim são os poetas: amantes da vida e da natureza. Não poderia haver, na história da humanidade, nome que melhor pudesse representar uma entidade poética como a UBT. O nosso Chico tem todos os méritos para ser o Patrono da nossa instituição. Mas ninguém, caso não o aceite como patrono da UBT, tem a obrigação de reverenciá-lo. Simplesmente ignore. É apenas uma imagem.

          Em terceiro lugar vem o Natal. Todos sabemos que Jesus não nasceu precisamente no dia 25 de dezembro, mas a data foi escolhida para representar esse acontecimento. Se a vinda do Cristo ao mundo foi um fato glorioso, como acreditam os cristãos, como não comemorar? Sim, temos que celebrar isso todos os dias, mas é importante também um dia especial para uma celebração mais expressiva. Com certeza ele recebe essa homenagem com muito gosto. Quando um cristão nega esse tipo de manifestação, ele está, até, de certa forma, negando sua crença. Ah, mas o Natal é uma manifestação profana, de origem pagã etc. E daí? O importante é que ela foi consagrada e tornou-se uma manifestação de cunho religioso. E isso não é bom? Como condenar uma coisa que reúne pessoas de todas as classes num sentimento de amor, paz e felicidade? Se Jesus, como dizem acreditar os cristãos, pregou o amor entre os homens, o Natal, mesmo por um breve momento, leva as pessoas a se confraternizarem em amor e paz. Então, mesmo sendo uma festa de origem pagã, ela se tornou uma celebração especial que leva as pessoas a um estado de graça e isso, com certeza, agrada a Deus. Não aceitar isso é discordar dos ensinamentos do Cristo, creio eu.

          Ah, eu também não sou crente, não pertenço a nenhuma religião evangélica, mas acredito em Deus. E adoro a época do Natal. Concordo plenamente com o nosso Príncipe Luiz Otávio ao afirmar:

Natal… ternura… poesia…
Vem o amor e foge o mal…
– Quem dera que todo dia
fosse dia de Natal!…

          Sobre a UBT envolver-se com esse tipo de coisa não obriga quem não o aceite a tomar parte. Se as sedes das seções estão enfeitadas com símbolos do Natal, veja tudo isso como um simples adorno, sem qualquer conotação com o evento em questão. Se o tema de um concurso de trovas é Natal, simplesmente não participe. Ninguém é obrigado a nada. O importante é que se respeite a maioria.

         A intolerância, todos sabem, é o maior mal que assola a humanidade. E a intolerância religiosa tem  mostrado ao mundo como é prejudicial à própria paz.  E nós, trovadores, somos pela paz e pelo amor. E devemos ser totalmente contra qualquer tipo de intolerância.

          E o mais importante ainda. Temos que nos preocupar mais com a trova, com a nossa arte, independente de sermos católicos, crentes, agnósticos e até mesmo ateus. Religiosidade é algo pessoal. A missão da UBT e dos trovadores é promover a trova, sem perder tempo criando polêmica, discutindo o que não tenha nada a ver com a trova. Temos que viver em paz, cantando o amor e celebrando a vida.

          Tendo como lema sempre a trova do inesquecível José Maria Machado de Araújo:

Trovadores, meus irmãos,
vamos viver de mãos dadas!
Onde há corrente de mãos,
não há mãos acorrentadas!

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Saquarema, em 02 de dezembro de 2011
JOÃO COSTA - Delegado da UBT