REGRAS...
(texto do Magnífico Trovador Pedro – UBT SP)

 

            Futebol não é para qualquer um. Que o digam os “fenômenos” e os “Cenis”, tão raros quanto magníficos.

 

            A vantagem do futebol são as regras claras e inequívocas. Às vezes um juiz não aplica as regras e dá um pênalti inexistente ou faz vistas grossas a uma violação. Quem não se lembra do célebre “gol de mão” de Maradona? De qualquer jeito, todos são capazes de discernir: regras são regras e o futebol as tem muito claras e definidas.

 

            Mas e a trova?

 

            Temos algumas, ainda do tempo de Luiz Otávio (1916-1977), nosso heroico fundador. Dada a ausência de alguns critérios, LO além de formular uma definição de trova para concursos, ainda organizou um “decálogo” de metrificação.

 

            Apesar do decálogo de Luiz Otávio, ainda não temos regras claras sobre alguns fatos linguísticos na trova, sobre organização e promoção de concursos; há regras que poderiam ser repensadas e ainda não foram. Os Jogos Florais seriam excelentes oportunidades de trovadores se reunirem e pensarem em uma atualização do decálogo e definir regras claras para os concursos de trova promovidos pela UBT. Algumas seções possuem padronizações semelhantes, mas outras, dependendo exclusivamente da boa vontade dos seus próceres locais, ainda apresentam distorções em relação a outras.

 

            Temas: Como abordar o tema? Deve-se usar o tema na trova? Pode-se empregar cognatos? Pode-se caracterizar o tema sem usar a palavra na trova? Há concursos que exigem a obrigatoriedade do tema na trova e alguns chegam ao extremo de não aceitar sequer cognatos. Poderia haver uma regra clara, seguida por todos os afiliados da entidade?

            Prazos: Como fazer valer o prazo? Alguns aceitam o carimbo do correio até a data limite. Outros aceitam apenas as que chegarem ao destinatário até a data limite. Alguns regulamentos não informam. E aí?

 

            Festividades e Resultados: Alguns têm problemas na promoção de seus concursos por falta de dinheiro. Como isso afeta a realização do concurso? Se não há dinheiro para a realização de uma festa, então a solução é simplesmente sumir no ar e não dar satisfação a ninguém sobre o resultado? Isso tem acontecido com frequência. Esbarro em falta de patrocínio, guardo o meu resultado na gaveta e não dou satisfação a ninguém. Por que não divulgo o resultado assim mesmo e esclareço à entidade que não posso fazer festa? Por que as divulgações variam tanto? Há quem abra um concurso no começo do ano e só divulgue o resultado no final. Por que não regulamentar isto? Um prazo razoável, exemplifiquemos, 2 a 3 meses após o fim do prazo. Não é razoável? Por que sumir? Por que demorar? O mais importante não é a festa, mas a divulgação dos resultados. E justamente o mais importante tem ficado em segundo plano. Será que um julgamento demora mais que dois ou três meses? Se o problema é a sobrecarga do organizador, por que não delegar tarefas? Será que em uma seção ou delegacia não há ninguém que possa ajudar um organizador... a organizar??? Não seria falta de planejamento e excesso de centralização? Por que não delegar? Por que não divulgar os resultados ampla e irrestritamente? O site “Falando de Trova” é o nosso porta-voz. Por que não fazer uso dessa ferramenta importante?

 

            Comissão Julgadora: São as comissões julgadores plenamente competentes para cumprir sua tarefa? Os membros da comissão julgadora de um concurso de trova conhecem, por exemplo, o decálogo de metrificação da UBT? Têm conhecimento de língua portuguesa para não deixar passar erros gramaticais ou defeitos de versificação? São capazes de reconhecer e não alijar trovas criativas? Ou, ao contrário, às vezes escorregam e deixam escapar tropeços gramaticais e excluem trovas inteligentes por que não entenderam??? Mesmo que não haja um bom professor de português por perto (bons professores de português são raros), há, pelo menos, o acesso a informações e condições de tirar dúvidas? E já que falamos do decálogo de Luiz Otávio, quem julga  trova deveria conhecê-lo? Por exemplo, todos os membros de uma comissão julgadora sabem que certas palavras admitem contagem silábica diferente? Poe-si/a ou po-e-si/a, o-pi-nião ou o-pi-ni-ão, cri-an-ça ou crian-ça, etc? Ou há trovas que são alijadas de um concurso porque alguém cismou que ela está “de pé quebrado”, quando, na realidade, a contagem foi diferente?

 

            Acreditamos que nossos concursos e jogos florais precisam de regras mais claras e objetivas, de diretrizes definidas. Há outros pontos que eventualmente terei esquecido. Por que não debatermos isso em ocasiões propícias? Conforme disse acima, nossos encontros são excelentes oportunidades para isto. Por que não aproveitar as festas para promover discussões sobre esses assuntos pertinentes? Por que não tirar a “União Brasileira” do papel? Alea jacta est.
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   PEDRO MELLO, professor de português, é integrante da UBT São Paulo e Magnífico Trovador por Nova Friburgo.

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