Lembranças da Rádio Friburgo - II

 

     Formávamos uma família, num feliz convívio profissional e de amizade. Eu era o caçula da turma, entre os novatos Pedro, Serginho, Djalma, Laurindo e os veteranos Moysés, Carlos Reis (o Professor Pardal), Horizonte o Poeta da Viola e Cabiúna. Havia também o Hernani, que não me recordo se era veterano ou novato. E as doces e competentes Luzia (recepção e secretaria) e Mirtes (discoteca e programação). Não posso, de forma alguma, deixar esquecidos os que participavam da emissora por amor, como Godô, o caçador de talentos; Carlos Rosemberg, o homem da propaganda e seu fiel escudeiro Almir; José Paulo Tavares, jornalista e trovador, sempre presente e participativo; Dr. Daniel de Carvalho, poeta e trovador, além de médico, com seu programa sobre medicina às quartas-feiras, antes do programa da União Brasileira dos Trovadores (UBT); Rodolpho Abbud, também trovador e grande locutor esportivo; Trajano de Almeida Filho, o comentarista esportivo mais eficiente que já conheci, apesar de cego; Xerife, grande locutor e animador, que, segundo Dr. Aloysio, nunca se sabia se estava ou não trabalhando na rádio. E tantos outros que, embora de rápido convívio entre nós, deixaram boas lembranças. E os amigos da Rádio Cipó, como os trovadores, freqüentadores do confortável auditório da emissora às vésperas e na época dos Jogos Florais, em maio: Augusto Cláudio Ferreira, Nydia Yaggi Martins, Clenir, Aloísio Alves da Costa, Iedda Lucimar, e os já citados Rodolpho Abbud, José Paulo Tavares e Dr. Daniel de Carvalho. Era uma festa essa turma reunida à mesa sob o comando de Aloysio de Moura, naquelas quartas-feiras invernosas. E durante os Jogos Florais, as presenças sempre queridas entre nós de Luiz Otávio, Carolina Ramos, Carlos Guimarães, João e Colbert Rangel Coelho (pai e filho, trovadores de escol), dentre tantos outros consagrados vates da trova. E, é claro, as presenças encantadoras das musas dos Jogos Florais. Fico feliz por ter vivido essa época.

 

     É claro que não posso deixar esquecidas outras personalidades com as quais convivi durante minha passagem por aquela casa: J. G. de Araújo Jorge, apaixonado por Friburgo e que sempre que lá ia dava uma passada rápida na rádio, à noite, para dali sairmos para a tradicional pizza na Lanchonete Califórnia; Reginaldo Miranda, poeta, ativista político e boêmio da mais alta categoria; e Amâncio Azevedo, o prefeito querido dos trovadores.

 

     A Rádio Friburgo, a única da cidade na época, antes do advento das FMs, embalava a vida da população. De manhã bem cedo, Horizonte comandava seu programa sertanejo, com música e hora certa para ninguém se atrasar em seus compromissos. Às 09h30, Moysés Moraes Filho apresentava o “Seu Signo Sua Música”, atendendo ouvintes pelo telefone e lendo o horóscopo do dia. Sucesso total. Em seguida vinha Hernani Huguenin com seu “Comunicação Total”, hoje “Dimensão Total”. À tarde, Dr. Aloysio comandava o “Rádio Cipó Sempre Amiga”, com entrevistas, conversa ao telefone com ouvintes, testes e curiosidades. Não tinha horário certo nem para começar nem para terminar. Às 16h, Moysés voltava para apresentar o “Você é Quem Manda”, atendendo os pedidos dos ouvintes por carta. Outro programa de grande sucesso na época.

 

     Assim era a nossa querida Rádio Friburgo, cheia de vida, pulsante, embalando sonhos e amores, entretendo, informando, formando opiniões, agradando, desagradando, participando da história e do progresso do município. E nós éramos a sua alma, a sua essência vital. Sua energia era a nossa juventude vibrante e saudável.

 

     Tudo isso agora faz parte de um instante vivido na eternidade. É página virada no grande livro do tempo. Algumas dessas pessoas já não estão mais entre nós fisicamente; outras ainda vibram em nossa dimensão, continuando o cumprimento de suas missões ou tarefas, como queiram. No entanto, todas estão vivas e felizes em minha lembrança e saudade.

 

     Quanto à nossa querida Rádio Cipó, esta já não mais existe. Sob novo comando, norteiam-na uma nova filosofia, diferentes idéias e outros ideais. O corpo pode ser o mesmo, mas a alma é outra.
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JOÃO COSTA é delegado da UBT em Saquarema/RJ.
(texto postado em 31.07.2011)
 

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