PRÊMIOS ALTERNATIVOS                  

  I      

       A réplica salutar da Maria Nascimento ao texto “Por que não abolimos o troféu Lilinha Fernandes e todos os outros rankings” me mostrou um equívoco que cometi: não digo pelo tom aparentemente agressivo (que não era minha intenção – quem me conhece pessoalmente sabe disto), mas pela questão intrínseca do troféu. Explico-me.
     Óbvio que quem concede o troféu tem o exclusivo direito de decidir. Claro. Na verdade, foi uma questão retórica: expressei o desejo de que um dia, no futuro, deixemos de lado a prática nem um pouco saudável e fraternal de pontuar trovas já premiadas.
     Não sou contra de se homenagear a figura de Lilinha Fernandes. Que haja um troféu Lilinha Fernandes, Luiz Otávio, Carlos Guimarães, José Maria Machado de Araújo ou Nádia Huguenin. A História da Trova jamais deve ser esquecida.

      II      

       Mais importante, no entanto, do que um troféu para quem mais premiou durante o ano seria um troféu que premiasse as trovas mais importantes do ano. Mais uma vez explico.
     Seja com o nome de Lilinha Fernandes (como já existe) ou com o nome de qualquer outro vulto da Trova, o referido troféu anual de destaque poderia contemplar as melhores trovas premiadas durante o ano, algo que já foi realizado pelo Prêmio Menestrel, idealizado anos atrás pela UBT Juiz de Fora.      Exemplificando. Neste ano de 2008 a grande Trovadora Marina Bruna ganhou o Lilinha Fernandes referente a 2007. Parabéns a ela, porque ela merece. No entanto, mais do que premiá-la pelos seus merecidos prêmios (!), o troféu poderia referir-se à mais bela trova lírica/filosófica do ano. (Claro que neste quesito, Marina mesmo em anos que premiasse pouco seria forte candidata, porque é um monumento da Trova Brasileira!).
     Somando-se à lírica/filosófica mais criativa, à trova humorística mais engraçada, à humorística mais original. Só nestas hipóteses, já teríamos 04 categorias para o troféu Lilinha Fernandes ou qualquer que seja seu nome.
     Claro que isto é apenas uma hipótese, mas tornaria a “competição” mais democrática e igualitária: quem premia pouco, mas que produz grandes trovas teria a mesma chance de ganhar um troféu especial que aquele que premia bastante.
     E fora “pontinhos” e rankings!
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                              Pedro Mello é professor e membro da UBT, Seção São Paulo.           Texto editado em 29.11.2008