(texto escrito em referência à visita do Papa Francisco I ao Brasil)

     Atrás de um “papa-móvel” há três tipos de pessoas correndo: as que estão trabalhando (repórteres, seguranças, trombadinhas, etc), as movidas pela fé e as movidas pelo desejo de se verem na televisão, mesmo que por um segundo.  Os repórteres, de olho em um bom ângulo ou um bom foco de reportagem; os trombadinhas, de olho nos bolsos e bolsas dos entusiásticos religiosos; estes, de olho em uma atenção papal, mesmo que seja um breve olhar ou aceno. E os oportunistas… bem, os oportunistas…  Objetos eram atirados dentro do veículo; outros queriam entregar-lhe um mimo qualquer…

     Teve até um trovador que se propôs a correr atrás da caravana, na esperança de entregar ao Papa, quem sabe, alguns versos em setissílabos, com algum “achado divino”.              Quem garante que o Papa (que até então nem era Papa) não seja filiado a essa representação que a  União Brasileira de Trovadores possui na Argentina…  Nunca se sabe.  Até porque, vejam o nome que ele escolheu: Francisco.  Em homenagem a São Francisco. Que é Patrono dos Trovadores!

     Bem, como eu dizia, houve um trovador que tentou se aproximar do “papa-móvel” mas, premido pelos anos e espremido pela multidão, acabou ficando para trás e deixando de lado o seu audacioso intento.

     Horas depois, um gari, varrendo as ruas por onde passara o séquito, encontrou um pedaço de papel com os seguintes versos:

“Tentando a aproximação,

levei um cascudo e um tapa,

mas, depois do pescoção,

desisti de ver o Papa!”

    Com efeito, frequentar uma reunião da U.B.T. é muito mais tranquilo. Estou com o irmão de sonhos e não abro.
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texto de José Ouverney, publicado em 08.08.2013.  Ilustração de José Ouverney Junior.