Palavras à Presidente Nacional da UBT
(texto de Carolina Ramos, vice-presidente do Conselho Nacional da UBT)

 
Prezada Domitilla |
Pretendia mandar-lhe, em particular, palavras explicativas a respeito da publicação do meu texto neste site. Mas uma vez que a resposta veio também através dele, continuemos por aqui, já que temos magnânimo espaço à disposição;
 
Após enviar-lhe minhas razões  contrárias à emenda que vulgariza e desacredita as premiações oficiais da UBT, acatei os seus argumentos, sóbrios e educados, quanto à espera, até depois das eleições e  promessa de, após ela, ser feita, no fim do ano,  uma   votação decisiva por parte das Seções.
 
Acatei, como disse, mas não aceitei a proposta com boa vontade, uma vez que, senti que um certo interesse, unilateral,  a envolvia. Fácil de entender!
Uma coisa errada, Domitilla,  quando  tolerada e posta em prática por algum tempo, acaba por criar raízes difíceis de serem erradicadas. Quem não sabe disso?!
 
Apesar de não satisfeita,  repito, acatei suas palavras e calei-me. No meio desta semana, entretanto, chegou o Boletim Nacional, que, longe de ser neutro, como deveria, desde a primeira página mostrou-se faccioso, entrando de cara com o deselegante  paradigma dos macacos e suas bananas...e o banho de  água fria  usado para enquadrar aqueles que ousavassem  opor-se  às "idéias" ali expostas, defendidas com ênfase. Caso contrário, assumiriam  o risco de serem mais uma vez “deselegantemente” clasificados  como um dos "muitos que querem ir para o céu, mas não querem morrer!"
 
E, ao que parece, a nossa Pres. Nac. da UBT concorda a com essa espécie de tratamento indelicado e nada respeitoso, dado aos seus ”irmãos trovadores” no  principal órgão de difusão da nossa UBT, pois não  raro ele se repete, causando desagrado, pois não estávamos acostumados a tal desconsideração.
 
Pois bem. Com a constatação de que a UBT/Nac. continuava a doutrinar  rumo à aceitação da tal medida,  usando e abusando, desculpe,  do poderoso alto-falante  que é o Boletim Nacional, enquanto os opositores à infeliz  ideia nele  veiculada  calavam, constrangidos , o seu desagrado, ou, tal e qual os macacos do paradigma, receberiam “um banho de água gelada”, não pensei duas vezes.
 
Sabendo que José Ouverney afinava com o meu pensamento, (e já recebera o seu banho gelado), não tive dúvidas, enviei-lhe o meu texto. 
O meu “ banho” não demorou a chegar, dentro dos moldes conhecidos e  acrescido de pedras de gelo, mas...tudo bem! Eu já estava prevenida e, graças a Deus, bem agasalhada pelo acolchoado das razões que me sobravam!
 
Assim, Domitilla, ficam explicados os porquês que me levaram a me posicionar, em definitivo, contra essa medida infeliz, prejudicial à UBT, e declarada anti- jurídica, por quem tinha autoridade, mais do que suficiente, para julga-la.
 
A conclusão é uma só e abrange igualmente os dois casos, o antigo e o presente uma vez que têm ambos o mesmo objetivo e que, de certa forma, chega a ser humilhante para os pretensamente beneficiados por ela e que deveriam ser os primeiros a rejeitar essa proposta, com nosso sincero aplauso!
 
“O premiado é sempre a TROVA e não o TROVADOR.”
 E não sou eu que digo, e sim, alguém que tem autoridade para dizê-lo, Octávio Babo Filho, advogado, trovador,  que, assim como eu, conheceu a UBT antes da sua instalação,  e , responsável, não cometeria  bobagens como os prepotentes  e vaidosos que, a grosso modo, pensam que sabem e nada sabem.
 
 A sentença ficou bem clara e serve para os dois casos, ou seja:
 
Assim como uma trova premiada não pode ser retirada do concurso só porque o seu autor  já classificara outra,  também, é ilegal, como no caso atual , impedir que trovas, concorram, por terem maiores possibilidades de classificação, uma vez que compostas por autores mais experientes,  e isto  porque é preciso dar maior chance  a  outras,  produzidas por autores menos experientes e possivelmente mais fracas. Eu disse possivelmente mais fracas  ou não, porque já vimos muitos iniciantes ganhando troféus nos primeiros Concursos a que concorrem. Arlindo Tadeu é um deles, e, para reforçar, se me permitem, sem que alguém  me  “alcunhe” posteriormente  de vaidosa, a primeira trova que  fiz alcançou um 3º lugar. Na UBT/Santos Fabiola Savioli, novíssima na trova,  deu um baile em todos os Veteranos alcançando o 1º lugar  em Paris. E Sônia Rodrigues, também Novíssima trovadora, conquistou o 1º lugar nos JFlorais de Santos, enquanto vários Veteranos ficaram para atrás, inclusive eu que fiquei com o 6º lugar...e olhe lá! E a nossa alegria por essas vitórias que abrilhantam a Seção santista,
foi a mesma que a dessas  duas  trovadoras Novatas, vitoriosas e com mérito total!
 
Sei que o que acontece não é agradável, Domitilla, mas era  necessário que isto fosse dito, em respeito à conceituação da UBT de Luiz Otávio, que não deve ficar sujeita a improvisos que deturpem os seus propósitos.
 
Aprovado ou não, consciente ou inconscientemente, o caso não pede nem mesmo um plebiscito, uma vez que o voto interessado sem dúvida prevalecerá, e, sim, um estudo minucioso, criterioso , educado e sem paixões,  como sempre se procurou fazer.  Por favor, leve tudo isso em conta.
 
Fraternalmente,