PALÁCIO DO IMPERADOR

     Costumo afirmar que, em se tratando de escrever, não sou de ficar “em cima do muro”, fato que às vezes causa problemas. Quem é que gosta de ouvir uma verdade desairosa?
      Em relação à Trova minha postura é a mesma. Não escrevo para agradar a esses ou aqueles, escrevo o que sinto, respeitados os devidos limites da coerência. Gostei do movimento trovístico, por isso estou nele. Há muitas pessoas de excelente caráter nesse meio. São pessoas cujos espíritos não envelhecem.
      Mas uma vaidadezinha sempre é tolerada. Principalmente levando em conta que temos muitos concursos e os participantes querem ver seus nomes no pódio. Alguns ficam inconformados ao verem os resultados. Há quem chegue a telefonar para saber se suas trovas chegaram mesmo ao destino.
      Ora, observando por este prisma, fica evidenciado que a maioria não mede sacrifícios para vencer. Daí surgem as chamadas “trovas de competição”. O que são “trovas de competição”? São aquelas que não ficarão gravadas na memória de quem ouvi-la, porém premiarão, e isso é muito importante, segundo os seguidores desta fórmula. Com notas atribuídas de 01 a 10, elas obtém uma nota 04 aqui, um 05 ali, outro 5 acolá e acabam atingindo a pontuação mínima necessária para ficar entre as quinze (normalmente são quinze as premiadas)
      Como eventual integrante de Comissões Julgadoras, costumo ser exigente: eu não quero a trova emotiva, porém, já vista e revista quase na mesma roupagem, em inúmeros eventos e livros de trovas. Eu quero a trova que faça a diferença, que seja ousada e inovadora. Esse receio em aceitar a idéia nova tem que ir por terra, ou não haverá evolução. Continuaremos premiando as mesmas seqüências de cinqüenta anos atrás. Tudo, passa por um processo de evolução e a Trova não pode ser exceção. É lei da vida.
      Mas... você sabe por que estou escrevendo tudo isso? Simplesmente porque eu estava lendo um livreto de resultados, referente a um concurso realizado em Petrópolis, a linda Petrópolis do Palácio do Imperador, da residência de Alberto Santos Dumont, do Palácio de Vidro e tantas outras atrações. No Palácio do Imperador as pessoas substituem, à entrada, seus calçados por sandálias próprias para utilização no local. É como se estivéssemos entrando num templo. Você respira a presença da família real. É maravilhoso!
      No livreto, cujo tema evocado foi exatamente o nome da cidade: “Petrópolis”, uma trova de autoria de Alba Christina Campos Netto, de São Paulo / SP, chamou-me a atenção porque, sem a preocupação de “ter que premiar”, simplesmente retrata a emoção da autora ao percorrer os mesmos corredores e adentrar os mesmos aposentos que um dia foram a residência do nosso “Proclamador da Independência”, e familiares. Uma emoção semelhante à que senti, ao cumprir o mesmo percurso, devidamente transportada para uma trova que eu gostaria de ter feito:
      Lendo trovas como esta, sinto-me recompensado e feliz por ter escolhido esta atividade para meu lazer. Venha comigo:

No Museu, como em estufas,
guardaram flores de glória...
e eu deslizei nas pantufas
para não pisar na História...
ALBA CHRISTINA CAMPOS NETTO
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Escrito por JOSÉ OUVERNEY, em 18.08.2005