I Concurso de Trovas Paineiras do Morumbi - 1991

I CONCURSO DE TROVAS “PAINEIRAS DO MORUMBY” – SP – 1991

(Âmbito Estadual, Tema: “PAINEIRA”

OBS: dentro de cada categoria de premiação, os nomes constam em ordem alfabética)

VENCEDORES

A paineira derrubada

vive agora em outro espaço,

na paina de uma almofada

onde eu derrubo o cansaço!

ALBA CHRISTINA CAMPOS NETTO

No topo da passarela,

com seu turbante de flores,

a paineira é uma aquarela

na fantasia das cores...

AURORA PIERRI ARTESE

Foi por um raio abatida

aquela enorme paineira,

que agora é tronco sem vida,

na vida de uma porteira!...

FRANCISCO LUZIA NETO

Paineira de minha infância,

ao recordar-te enlevado,

meu sonho encurta a distância

entre o presente e o passado!

PEDRO ORNELLAS

Quando se vê fustigada

por ventos devastadores,

a paineira enfeita a estrada

com seu tapete... de flores!

THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA

MENÇÕES HONROSAS

Sopra o vento nos barrancos

e a paineira arrepiada,

solta seus cabelos brancos

sobre a rama desfolhada.

AURORA PIERRI ARTESE

Paineira em flor... tu me deste

a ilusão maravilhosa

de que a abóbada celeste

não é mais azul... é rosa!

CAROLINA RAMOS

A criança ao ver, brejeira,

seu mundo com tantas cores,

pensa, ao olhar a paineira,

que o céu é feito de flores!

CILENA ALVES CARVALHO

Carinhoso, o vento alisa

a paineira em suas danças;

e o pente fino da brisa

vai lhe penteando as tranças!

CLÁUDIO DE CÁPUA

Sem queixas vou suportando

meu destino de paineira:

- com flores de quando em quando,

e espinhos a vida inteira!

DIVENEI BOSELI

Depois que a chuva se amaina,

cansado, o vento adormece

no travesseiro de paina

que a paineira lhe oferece!

De paineiras enfeitado...

deslumbrante... sem igual...

o jardim não foi tombado,

mas virou cartão postal!

ERCY Mª MARQUES DE FARIA (duas)

Entre os “perdidos e achados”

só resta, do amor risonho,

dois corações desenhados

na paineira do meu sonho!

JOÃO ELIAS DOS SANTOS

No acolchoado de paina,

colhida ao pé da paineira,

o homem se esquece da faina

nos braços da companheira!

MARINA BRUNA

Carro-de-bois, velho amigo,

sob a paineira encostado...

Eu me pareço contigo,

sobras de um tempo passado!

O tempo, por brincadeira,

maldoso como ninguém,

levou-te as flores, paineira...

levou-me os sonhos também!

Oh paineira, sem escolhas,

nosso fim é percebido:

- Você, despida de folhas...

- Eu, dos meus sonhos despido!

PEDRO ORNELLAS (três)

Se a saudade me molesta,

esqueço os meus dissabores,

sempre que a paineira, em festa,

põe seu vestido... de flores!

THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA

MENÇÕES ESPECIAIS

A paineira enfeita o vale

na primavera cheirosa...

e no inverno tece um xale,

com sua paina sedosa!

AURORA PIERRI ARTESE

Velhinha, de vida breve,

já “misturando estação”,

a paineira chora neve

num vendaval de verão...

CARMEM OTTAIANO

Paineira, velha paineira,

porta de um mundo encantado,

cuja sombra, a vida inteira,

mantém meu sonho acordado!

CAROLINA RAMOS

Fecunda e boa, a paineira,

na paisagem dos caminhos,

ou floresce prazenteira

ou cobre a terra de arminhos.

CIDOCA DA SILVA VELHO

Paineira altiva, frondosa,

da vida, os mil solavancos,

não te vergam e, orgulhosa,

mostras teus cabelos brancos!

GIVA DA ROCHA

Sempre que chora, a paineira,

róseas flores pelo chão,

ela desdobra altaneira,

lenços brancos de algodão.

MARIA REGINATO LABRUCIANO FERRAZ

Acolhendo a quem vier,

viajantes, andarilhos,

a paineira é mãe, mulher,

que sempre agasalha os filhos!

MARILÚCIA REZENDE

Por florescer altaneira,

na paisagem descampada,

aquela velha paineira

tornou-se marco de estrada!

MARINA BRUNA

Por entre a selva de pedra

e o cinzento da avenida,

frondosa, a paineira medra

em tons de rosa vestida...

SILVINA ANTUNES LEAL

Siga o exemplo da paineira

que, após o outono, persiste,

e se enfeita alvissareira!

Ela é só... mas não é triste!

THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA

XZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZXZ

CRÉDITO DA MATÉRIA À MAGNÍFICA TROVADORA THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA, UBT SÃO PAULO.