PEDRO ORNELLAS
E SUA HISTÓRIA DE AMOR COM NOVA FRIBURGO
(texto de Pedro Mello)

 

PARTE 2 – O HUMORISTA

 

Conforme mencionamos na primeira parte, a história de amor de Pedro Ornellas com Nova Friburgo começa em 1986, quando o extraordinário vate paranaense obtém o 12º. lugar no humorismo, na época tema livre:

 

Cai lá fora a chuva fina,

mas não esquento a moringa;

me abrigo no bar da esquina,

onde não chove... só pinga!

 

            No ano seguinte, 1987, Pedrinho classifica-se em 1º. lugar, com uma de suas trovas mais conhecidas e repetidas até os dias de hoje:

 

A situação tá tão feia,

minha grana, tão escassa,

que o vizinho churrasqueia

e eu passo o pão na fumaça!

 

            1988 iria premiá-lo nas duas Menções Especiais (13º. e 14º. lugar):

 

No concerto, aquela fã

confabula com o vizinho:

“Gosta o senhor de Chopin?”

E ele: “Prefiro um chopinho!”

 

Depois que fez a loteca,

de dois males ficou salvo:

Já não é gordo e careca,

é apenas obeso e calvo!

 

            No ano seguinte, 1989, Pedrinho obteria duas Menções Honrosas (6º. e 10º. lugar):

 

- Tem café? – pergunta a esmo

o louco ao dono do bar.

- Saiu agorinha mesmo!

- E demora pra voltar?

 

O alfaiate Zé Lucena,

perseguindo um sonho eterno,

vive sempre atrás da sena,

mas, coitado! Só faz terno...

 

            No ano seguinte, 1990, Pedrinho conquista uma Menção Honrosa (7º. lugar), confirmando sua reputação de “engraçadinho”:

 

Por mais que me finja nobre,

eis a verdade chocante:

- Rico só lembra de pobre

quando vai fazer transplante.

 

            Pedrinho não se classifica em 1991, mas volta a Friburgo em 1992, ano em que alcança uma Menção Especial (11º. lugar):

 

Mandou gravar o Silvano

este aviso no portão:

“Eu sou vegetariano,

mas o meu cachorro, não.”

 

            No ano seguinte, 1993, Pedro Ornellas obtém mais um 1º. lugar, com uma trova que – igual a de 1987 – também se tornaria antológica e consagraria sua reputação de grande humorista:

 

“PRESERVE O MEIO AMBIENTE.”

E o luso, lendo letreiro:

“Mas por que MEIO somente

e não o ambiente inteiro?”

 

            No mesmo concurso ainda teria uma Menção Honrosa (6º. lugar):

 

- Quando o ladrão a roubava,

não sentiu no seio a mão?

- Senti, doutor, mas pensava

que tinha boa intenção!

 

            Em 1994 começa a escalada de Pedro para se tornar Magnífico no Gênero Lírico/Filosófico. Paralelamente, Pedro se classificaria no humorismo entre os 5 primeiros pelo segundo ano consecutivo, criando em seus amigos a esperança de vê-lo Magnífico também nesta modalidade. Pedro ganha o 2º. lugar:

 

Garganteando, diz o João

que, em seus tempos de tenente,

já fez correr Lampião...

Só não diz quem foi na frente!

 

            Mas 1995 não o vê premiado no humorismo, deixando para depois a expectativa dos amigos de vê-lo Magnífico nesta modalidade, mas Pedro classifica-se no lírico neste ano e no ano seguinte, sagrando-se Magnífico no Gênero Lírico. No humorismo, Pedrinho só premiaria em 1998, porém com mais um honroso 1º. lugar. Nesta época, o humorismo já deixara de ser com tema livre. O tema de 1998 foi PREGUIÇA:

 

"Vai lá ver se chove ou não"
E o filho (também deitado):
"IR LÁ PRA QUÊ? Chame o cão
e vê se ele tá molhado!"

            Pedro não se classificaria nos dois anos seguintes, mas voltaria a Nova Friburgo em 2001, para mais um 1º. lugar, alcançando o recorde de quatro primeiros lugares em humorismo na história dos Jogos Florais, número só alcançado por Elton Carvalho. Elton, porém, morreria sem conquistar o título de Magnífico em humorismo. E Pedro Ornellas? Deixemos que suas trovas falem por ele. Em 2001 o tema era RECEITA e Pedrinho classificou duas trovas entre as cinco primeiras, obtendo o 1º. e o 4º. lugar, além de uma Menção Honrosa (9º. lugar).  Eis as trovas de Pedrinho:

 

-TERRAMICINA??? Que horror!!!
Depondo, o genro "lastima"...
- Lendo a receita, doutor,
eu entendi "TERRA EM CIMA"!

Pobre Zé... penou bastante
quando o doutor, descuidado,
receitou-lhe um bom purgante
- e tinha tosse, o coitado"

Que fazes com esse pito?
E o cozinheiro boçal:
- Cá na receita está escrito:
"uma pitada de sal"!

            No ano seguinte, 2002, tema BOTECO, Pedro conquistaria o 5º. lugar:

 

Chegou tarde, a vista torta,
do boteco o Zé Morais...
Viu duas sogras na porta
- e não bebeu nunca mais!


          Nesse mesmo ano seu companheiro de cantoria, Campos Sales, lograria o mesmo feito, juntamente com Sérgio Ferreira da Silva.

 

            Por fim, chega 2003 e grande expectativa: Pedro conquistaria o título de Magnífico em humorismo? Tinha ficado “na bica” por se classificar em 1993 e 1994, mas não classificara em 1995. E agora? Agora, finalmente, Pedro Ornellas conquista o título, por obter o 3º. lugar, tema SURPRESA.

 

Chega a velha toda acesa
no portão fazendo graça...
Diz a filha: "Que surpresa!"
Diz o genro: "Que desgraça!"

            E assim, 17 anos depois de sua primeira premiação em Friburgo e o início dessa bonita história de amor, Pedro Ornellas sagra-se Magnífico em Humorismo, somando ao título no Gênero Lírico/Filosófico, conquistado 7 anos antes. Com o título em humorismo, Pedro Ornellas entrou para o pequeno mas significativo time dos trovadores Magníficos nas duas modalidades: Joubert de Araújo Silva (falecido em 1993), Vasques Filho (falecido em 1993), Carlos Guimarães (falecido em 1997), José Maria Machado de Araújo (falecido em 2004), Waldir Neves (falecido em 2007), Antônio Carlos Teixeira Pinto (de Brasília), Edmar Japiassu Maia (do Rio de Janeiro), José Tavares de Lima (de Juiz de Fora) e Sérgio Ferreira da Silva (de Santo André).

 

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