O POETA E O POEMA
texto de Edy Soares
Já li e conheci tantos poetas, já me deparei com tantas obras magnificas e já me
inspirei em tantos autores... Já tentei, em vão, desenvolver vários temas e já
desenvolvi outros que inesperadamente me chegaram em noites de insônia ou nos
momentos memos propícios à escrita. Certa vez alguém me perguntou quando e como
eu escolhia os temas e o estilo do poema a ser desenvolvido e, surpreendentemente
me deparei com questionamentos tão meus e que jamais pude decifrá-los. Classificado
em inúmeros concursos de trovas, sonetos e poemas livres; apesar de laureado em
tantos, eu sempre evitei participar daqueles que exigiam um tema específico, por
achar que os temas cerceavam o movimento belo e a essência da inspiração. Um
poeta, certa feita, disse-me que não conseguiria qualificar uma de suas obras como a
melhor de sua lavra, pois todas elas eram como filhas de sua inspiração e tinha
significados distintos, mas valores iguais. Ao que prontamente lhe retruquei dizendo
que eu, sequer tinha a certeza de que meus escritos me pertenciam, pois raramente
escrevo sobre um tema previamente escolhido e a inspiração me chega em momentos
tão distintos: às vezes tento por horas desenvolver um assunto, mas a ideia não se
concretiza, outras vezes o poema me vem como se fosse um presente de Deus, e eu
apenas transcrevo feito um humilde secretário a serviço Seu. De qualquer forma,
sinto-me imensamente privilegiado pela dádiva de ser conhecido como o “Poeta Edy
Soares”.
Eu não escolho o momento,
e os poemas nem são meus.
Ser o arauto é o meu talento…
a inspiração vem de Deus!
O Arauto
Edy Soares
Instiga a minha insônia um bardo incauto,
que aos poucos desvendando-o pego apreço.
É alguém dentro de mim que desconheço
e faz de mim há um tempo o seu arauto.
Se falta o sono, vem num sobressalto
prende-me a mente até que eu adormeço.
A transcrever seus versos me ofereço,
transpondo-os, como quem toma de assalto.
Ah!... incauto bardo, já que me torturas,
permite que eu te assine as escrituras,
visto que o anonimato não te afeta…
Enquanto isso eu vou saraus afora
e se alguém perguntar como isso aflora,
eu vou tentar fingir que sou poeta!
Um detalhe que me intriga
na inspiração fugidia,
é que a gente às vezes briga…
E a “folha” fica vazia!
Inspirações Divinas
Edy Soares
Tento conter em meu poema o assomo
e dar-lhe um tom sereno, de harmonia.,
salmodiando estrofes tomo a tomo,
serenamente, igual Davi fazia…
Eu sirvo a inspiração feito um mordomo
atento aos seus cuidados noite e dia.
E nasce, assim, o adocicado pomo,
que envolve os novos versos de poesia.
Sou servo apenas dessa verve intensa
e, até que um outro esteta me convença
direi que esses poemas não são meus.
Pois tantas vezes me debruço em vão,
e quando os versos vêm em profusão,
transcrevo a inspiração que vem de Deus.
EDY SOARES