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NUDEZ X NUDEZ

 Encanta-me, na Trova, essa versatilidade comum aos grandes trovadores, em se tratando de dissecar qualquer tema proposto, seja o gênero que for: lírico, filosófico, humorístico, etc.

     Exatamente por isso, nas cidades que organizam concursos e introduzem também as trovas de humor no cardápio, sou favorável a que se estabeleça o tema único a ambos os gêneros. Esta é a melhor forma de extrairmos, de quem realmente possui talento, as preciosidades de que somente eles são capazes. Veja o que ocorreu em um concurso realizado no Rio de Janeiro, no ano de 1995. O tema lírico/filosófico era “NUDEZ”. E o tema humorístico era… “NUDEZ”, também!

     Observemos como esses três mestres da poesia (vivos e fortes entre nós, graças a Deus!) se saíram:

ANTONIO CARLOS TEIXEIRA PINTO:
Nas noites longas e frias
é que mais sinto a viuvez
destas mãos nuas, vazias,
buscando a tua nudez!

Na praia, passei-lhe um pito
e exigi nudez total.
- Se ela já era um “palito”,
para que “fio dental”?
 

SÉRGIO BERNARDO:
Se Deus, que é justo, nos fez
à Sua imagem sagrada,
prefiro crer que “a nudez
jamais será castigada”!

Ante a serpente, o nudista,
fazendo cara de mau,
pega um toco e não despista:
mata a cobra e mostra o pau!
 

EDMAR JAPIASSÚ MAIA:
Em teu olhar libertino,
que disfarças mas não mudas,
com meu olhar descortino
duas meninas… desnudas!

Uma estilista afamada,
no atelier, nua em pelo,
foi pelo esposo flagrada,
quando “provava” um modelo!

     Quanta versatilidade, hein! Diante de um nível assim, “nenhuma nudez será castigada”; ao contrário, será premiada, sempre!
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texto de José Ouverney, publicado em 14.02.2013