“NOVO TROVADOR” E SUAS DÚVIDAS...
(texto de José Ouverney, publicado em 16.01.2015, em “Colunas & Colunistas” do site FALANDO DE TROVA)

          Na 1ª CONAPREST = Convenção Nacional de Presidentes Estaduais da UBT, realizada na metade de 2014, entre outras resoluções, foi criada a categoria “Novo Trovador” que, segundo a presidente nacional Domitilla Beltrame (página 06 do Boletim Nacional de julho de 2014), ganhou a seguinte definição:
NOVO TROVADOR” é aquele que ainda não obteve nenhuma classificação em concursos nacionais ou estaduais. Para ser considerado “VETERANO”, o trovador precisa ter se classificado no mínimo em três concursos estaduais ou nacionais. Concursos internos não serão considerados para tal fim. No envelope pequeno, abaixo da trova a ser enviada, o concorrente deverá escrever NOVO TROVADOR ou VETERANO.”

NOTA DO FDT = o texto acima diz “concursos nacionais ou estaduais” e também fala em classificação, sem especificar se tem que ser vencedor.
Subtende-se que Menções Honrosas e Especiais também são consideradas.

 
          Já no Boletim Nacional de novembro/2014, à página 06, a presidente nacional da UBT Domitilla Borges Beltrame volta a tocar na tecla. Eis trecho de suas palavras:   “
“NOVOS TROVADORES e VETERANOS. Entende-se por Novo Trovador, aquele trovador que ainda não obteve o mínimo de 3 classificações em concursos de âmbito nacional: menção especial, menção honrosa ou vencedor, em trovas líricas ou filosóficas, não importando o tempo de sua filiação à UBT.  Não se contam concursos municipais, regionais e estaduais, assim como os concursos humorísticos. Após as 3 classificações, o Novo Trovador, passa automaticamente a Veterano.”

         A alegação da presidente da UBTN, Domitilla Borges Beltrame é de que “ao criarmos esta norma visamos, tão somente, o maior congraçamento dos trovadores para que sejamos realmente UNIÃO Brasileira de Trovadores. Para que em nossas festas haja sempre alguém que ainda não teve a oportunidade de a elas comparecer. Passaremos a nos conhecer cada vez mais.  Em cada concurso terá que haver no mínimo cinco Novos Trovadores premiados”

NOTA DO FDT = Domitilla volta a frisar a necessidade de escrever no envelope pequeno, abaixo da trova, NOVO TROVADOR ou VETERANO.
Por outro lado, além de explicar que não valem concursos humorísticos, suas palavras criam uma contradição, quando diz: “não se contam concursos municipais, regionais e estaduais”.   No texto do mês de julho constava que “valem os estaduais”.

            Supondo que valha o comentário de novembro, por ser mais recente, então ficaria assim: se você, que começa a participar agora, ou mesmo você que participa há muito tempo mas não tem três premiações em concursos de âmbito nacional, que não sejam do gênero humorístico, for concorrer a partir de 2015, no envelope pequeno, onde constam o tema e a trova, deverá escrever, abaixo da mesma: “NOVO TROVADOR”.  Se for concurso humorístico ou de âmbito estadual, então não há necessidade pois não haverá separação.  Estamos entendidos?

            Se você acha que sim, ótimo! Mas eu não enxergo por esse prisma. Acho que todo poeta que está se iniciando na Trova tem, por desafio maior, justamente enfrentar em igualdade de condições os chamados “Veteranos”. E o verdadeiro poeta tem plenas condições de fazê-lo.  Por outro lado, de que adianta incentivar a premiação de alguém com trabalhos de condição supostamente duvidosa? Quando ele atingir a condição de “Veterano”, a situação dele voltaria à estaca zero, isto é: se não premiava antes, por suas trovas serem fracas, voltará a não premiar novamente.

            Achei esse “desmembramento” totalmente desnecessário, apenas para atender, possivelmente, a uns poucos autores desprovidos de capacidade técnica, cuja vaidade, entretanto, fala alto e grosso. Quem é bom poeta ( e a Trova precisa arregimentar bons poetas e não apenas poetas) não precisa desse artifício para subir ao pódio. Suas próprias condições falarão por si, como sempre aconteceu até hoje. E isto sem contar que, para as Comissões Organizadoras, que já bancam com tanto sacrifício as enormes despesas com hospedagem/alimentação, etc. dos autores classificados, ainda teria que inserir na lista “no mínimo mais cinco pessoas”, isto se não forem obrigadas a bancar também os respectivos acompanhantes, conforme hoje é tradição na maioria dos concursos a que comparecemos. Acredito que a UBT Nacional não vá fazê-lo.

            Agora vejamos a ironia dessa divisão e suas respectivas regras: a categoria “Novos” não se aplica a Concursos Humorísticos nem de âmbito Estadual ou Regional. No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, que é o Estado que hoje mais realiza concursos, os chamados Novos Trovadores, que incentivo receberiam, uma vez que premiariam mas suas premiações não contariam neste suposto ranking?  Será que foi feito um levantamento de quantos concursos existem por Estado anualmente?

            Mas o cúmulo do contrassenso é o seguinte:  um concorrente poderá tornar-se “Magnífico Trovador” em humorismo e, mesmo assim, continuar sendo considerado “Novato”.  Não é incrível?  Principalmente quando se conclui que boas trovas de humor são infinitamente mais difíceis de se compor do que trovas líricas, filosóficas e afins.

            Conforme bem o definiu um amigo com quem sempre troco ideias, ao invés de um novo “Magnífico Trovador teríamos, então, um magnífico “Novo Trovador”.  O que seria, certamente, muito engraçado, podendo até inspirar belas trovas do gênero...

Comentários

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ouverney on seg, 02/09/2015 - 19:35

     Através de email, a amiga trovadora Vanda Fagundes Queiroz, da UBT Curitiba, pede para inserirmos neste espaço o seu comentário, a respeitado do assunto "Novos Trovadores". Eis o seu texto:

 

     O assunto saiu de pauta? Pode ser. Mas existem coisas importantes que adquirem perenidade. Reporto-me à criação da categoria de  "novo trovador", a qual gerou inicialmente certa controvérsia. De minha parte,  cheguei a imaginar que a questão poderia constituir uma faca de dois gumes. Os seres humanos somos complicados. Se, por um lado, o "novo trovador" venha a sentir natural alegria em vista de uma premiação... pode - quem sabe - ter diminuída sua autoestima. A distinção entre as duas categorias traz implícita a ideia de "fraco" menor que "forte", podendo até mesmo sugerir que tal classificação não se tenha dado em função de um valor real conquistado, mas graças a certa condescendência.

     Diante de um  artigo sobre este assunto, publicado no site "falandodetrova", alguém argumentou que todo veterano começou a participar, algum dia, mas sempre encarando a luta em situação de igualdade. É certo. Neste ponto, admito que o ideal seria não haver divisão entre "novo" e "veterano", mas que houvesse somente "trovadores". Mesmo porque nem sempre um veterano ganha concurso. No mesmo artigo consta, porém, outra opinião, justificando a medida implantada, sob a alegação de que a UBT "está minguando". Se se corre este risco... senti-me alertada a reconsiderar o que a princípio me parecera inadequado e me levara a discordar. Pensei na relatividades das coisas... não me compete a pretensão de estabelecer o que me pareça absoluto. O tempo foi passando. Tornou-se necessário pensar em algo que ajude nossa entidade a  recuperar o fôlego. Em se considerando que ela vai perdendo a solidez, é válida a tentativa de ministrar-lhe um reforço. E assim alguém enfrentou a experiência. Eu nada fiz, alguém fez. Vale mais a coragem de experimentar o novo do que cruzar os braços, acomodação que equivale a "deixar como está, para ver como é que fica".

     Foi certo o caminho tomado? O tempo dirá. Uma vez que a medida já está vigorando, não condenemos a priori. Com o devido respeito, acompanhemos a caminhada. Somente os resultados poderão confirmar a validade da inovação. De mãos dadas, vamos assegurar a "união", vamos todos torcer para que o efeito venha a ser positivo e construtor de novos tempos, para o bem e para a grandeza da Trova, da UBT, de todos!

Vanda F. Queiroz - Curitiba