“NOVO JULGADOR”  (José Ouverney. Veja mais textos do autor em http://www.falandodetrova.com.br/ouverneyconverso)

 
            Há muitas coisas que os trovadores adoram fazer. Hoje vou citar duas. A primeira delas: gostamos de ler trovas alheias mas gostamos muito mais que leiam as nossas. Que curtam. Que comentem. E, principalmente, compartilhem.  Trovadores como Pedro Ornellas, Pedro Mello, Maria Thereza Cavalheiro, para não citar todos, além de autores talentosos, destacam-se pela nobreza de estarem sempre colocando em destaque trabalhos de seus irmãos de sonhos. Outros (seguramente a maior parte) só fazem divulgar suas próprias composições. O que acho justo. Se não divulgarmos nossos escritos, como saberão que os escrevemos? Principalmente, se quisermos vender o nosso trabalho, precisamos fazer a propaganda, é evidente.
 
            Outra coisa que os trovadores adoram fazer: avaliar trovas de concursos; fazer parte de comissões julgadoras. Paradoxalmente há uma inversão de valores: nessa circunstância muitas pessoas gostarão de ler nossos trabalhos. Pois irão atribuir notas. Isto as torna também um pouco professores. Ou juízes. Irão ajudar a decidir os destinos de centenas de trabalhos enviados para uma competição. A esperança, a ansiedade de muita gente, por um resultado positivo, está em suas mãos...
 
            E aqui eu chego ao ponto crucial destas ponderações. Tanto falamos em renovação, em diminuição da média etária dos “fazedores de trova”, agregando os jovens ao nosso Movimento. Mas nos esquecemos que o jovem pensa diferente, age diferente, reage diferente, escreve diferente. Precisamos deles, não só compondo trovas, como também julgando trovas. O futuro do Movimento está nas mãos deles. Nada mais justo, portanto!
 
            Pouco se pensou sobre isso até hoje: o futuro da Trova começa pela renovação nos quadros das Comissões que avaliam os concursos em pauta. Se a nossa envelhecida “Comissão de Veteranos Julgadores” continuar desconsiderando o jeito novo de escrever, e continuar colocando no pedestal as mesmas saudades de sempre, as mesmas solidões, velhices, tristezas, mortes, doenças... o “jeito novo de escrever” também continuará achando que essa praia não é pra eles. E nós continuaremos morrendo: de saudade, de tristeza, de solidão e de velhice mesmo...

 
            SANGUE NOVO JÁ,  nas Comissões Julgadoras de Concursos. Criemos (por que não?) também as “Comissões de Novos Julgadores”. Talvez não pareça mas o assunto é muito sério. Estamos falando do futuro da Trova no Brasil. Não sei o que você pensa. Quanto a mim... acho que vale a pena tentar!

---------------------------------------------------------------------------------------------------------
 

NOTA EXPLICATIVA = o site "Falando de Trova" e o trovador José Ouverney nunca trabalharam, nem nunca trabalharão contra qualquer entidade trovística no Brasil. Ao contrário: trabalhamos sempre pelo engrandecimento da Trova e do Movimento Trovístico. Artigos que eventualmente não coincidam com os pontos de vista da cúpula diretiva de alguma entidade poderão ser debatidos, mas não censurada a sua publicação. Apoiamo-nos no livre direito de opinião que a Democracia nos permite. Assim como legamos a qualquer um que se sinta incomodado, o direito de defender-se da forma que entenda a mais justa.  No dia em que todos aceitarem pacificamente mordaças, dizendo "sim" ao que intimamente não aprovam, então não valerá a pena acreditar em mais nada. Será o fim da dignidade humana.  -  J.O.
 

Comentários

No Avatar
Messias da Rocha on ter, 08/25/2015 - 23:20

Quero parabenizar o nosso consagrado Ouverney, por ter trazido à tona o assunto "novo julgador". Nada mais justo. Se há novos trovadores, prescindimos, igualmente, de novos julgadores. É importante que a comissão seja mista, para que o aprendizado seja mútuo.