A Trova Fluminense no Mar, na Serra e na Planície

A TROVA FLUMINENSE no MAR, na SERRA e na PLANÍCIE

(Renato Alves)

 

         Quando ingressei na UBT e comecei a pesquisar sua história, senti um imenso orgulho de ter sido Luiz Otávio, um carioca como eu, o fundador desta entidade plantada à beira-mar, aqui no Rio. Logo depois, descobri que a trova já tinha sido levada por ele, no final da década de 1950, para a serra, quando, ao lado de J. G. de Araújo Jorge, criou os famosos Jogos Florais de Nova Friburgo. E, finalmente, lendo um artigo da trovadora Talita Batista na revista “Palavrarte”, vi que a trova na mesma época também já havia chegado às planícies do norte fluminense, através dos primeiros “Salões Campistas de Trovas” promovidos pela Academia Pedralva de Letras de Campos dos Goytacazes. 

         Cheguei, então, à conclusão de que o encanto da trova literária disseminou-se rapidamente por todo o território do nosso Estado, à medida que foi encontrando em cada uma de suas cidades, poetas, trovadores ou simples apreciadores do gênero, que embarcaram na viagem onírica de cultivar com amor a “Rosa” de Luiz Otávio.

         Campos dos Goytacazes vem mantendo viva a trova na região, com muita eficiência, honrando assim respeitáveis nomes que foram surgindo em seu seio, como o do grande poeta-trovador Antônio Roberto Fernandes. Modernamente, é o protagonismo feminino, representado pelas ex-presidentes Neiva Fernandes, Talita Batista, Danusa Almeida e a atual presidente Gleyde Costa, que tem mantido, com muito entusiasmo, esta trajetória vitoriosa da trova.

         Tais foram as razões que me moveram a aceitar, com prazer, a trabalhosa incumbência de receber, como fiel depositário, as trovas enviadas por e-mail para os últimos Jogos Florais de Campos dos Goytacazes que grande interesse despertaram entre os trovadores, o que confirma o grande prestígio que goza a UBT local no cenário do trovismo brasileiro.

         Graças ao trabalho e ao entusiasmo desta valiosa equipe feminina de Campos dos Goytacazes, a trova, que nasceu no mar carioca e subiu a serra friburguense, espraiou-se também vitoriosamente pela belas planícies do Norte Fluminense com grande intensidade e brilho.

         Viva a União Brasileira de Trovadores! Viva a trova!

OBS: texto publicado no site Falando de Trova, em "Colunas", seção: "Fala, Prof. Renato". O colunista é dirigente da UBT-União Brasileira de Trovadores, seção Rio de Janeiro.