Celeste Jaguaribe - Rio de Janeiro

          CELESTE JAGUARIBE de Mattos Faria  nasceu no Rio de Janeiro no dia 30 de abril de 1873. Foram seus pais: João Paulo Gomes de Mattos e Joana de Alencar Jaguaribe Gomes de Mattos. Neta dos Viscondes de Jaguaribe, pelo lado materno. Foi professora do Instituto Nacional de Música.  Faleceu no Rio, em 09 de setembro de 1938.

Não faças caso, menina,

do mal que de ti se diz:

- Só fala a língua ferina

da que é bonita e feliz!...

Bem cedo, quando acordares,

levanta o teu coração

e dize: "Longe os pesares",

e as alegrias virão.

Levei a vida tecendo

meu manto de ouro sem falha.

Meu Deus! Agora compreendo:

tecia a minha mortalha!

O bem que eu fizer agora

vai me esperar no caminho.

- A morte não me apavora,

pois não irei tão sozinho.

Passei meus dias cantando,

cantando quero morrer.

O meu viver foi tão brando!...

Por que o inferno temer?

Se a dor me crucia, eu canto

à luz que nos céus rebrilha.

Se choro, escondo o meu pranto

através da redondilha.

Tristeza chama tristeza

e o bem tão pouco perdura...

Teçamos só de beleza

a nossa senda futura.

Tu dizes tantas doçuras

olhando assim para a gente...

Vê lá! Tu mesma procuras

queimar-te na chama ardente.

Na minha vida tão triste

cheguei um lema a compor:

"Amor perfeito" só existe

em flor... tão somente em flor...