Diomedes Ferreira Santos - Jambeiro/SP

     DIOMEDES FERREIRA SANTOS  nasceu no Vale do Paraiba, na pequenina Jambeiro, no ano de 1911. Seu pai, Benedito Albino dos Santos, teve participação muito importante na história do município, onde foi Delegado, Vereador e Prefeito, entre outras funões exercidas. Diomedes era poeta, filósofo e também pintor-ceramista de grande talento. Engenheiro técnico da antiga "Light", residia no Rio de Janeiro. Fazia parte da extinta Academia Guanabarina de Letras, Sociedade Brasileira de Filosofia e de tantas outras entidades literárias, além de pertencer à Sociedade Brasileira de Belas Artes. "Vibrações do Infinito" foi um dos livros que o autor publicou, pela Editora Pongetti, em 1959. Antes disso, lançara "Anseios D'Alma" e, posteriormente, "No Azul da Imaginação", em 1971. Faleceu em 1974, em São José dos Campos, onde, inclusive, há uma rua com seu nome, na Vila Betânia. 

Se a mulher é admirável,

tome um bom chá de cautela,

- pois ela será variável

na proporção em que é bela!...

Diz a ciência que o vento

não passa mesmo de ar.

Mas, quem lhe dá movimento

e quem o manda parar?

Meu relógio corre tanto,

nas horas que estou contigo,

que já o olho com espanto

de quem vê um inimigo!

Os teus olhos estelares

clareiam meu coração,

assim como dois luares

por sobre o mesmo sertão.

Quem faz rosário de amores

leva um destino fatal.

Rosário, mesmo de flores,

tem uma cruz no final.

Ela chegou, refletia

de sua alma tal clarão

que eu pensei que ela trazia

a madrugada na mão.

Ela se foi, terna e calma,

tudo em volta escureceu,

porque sem ela, minha alma,

sendo dia, anoiteceu.

Há tanta simplicidade

nesta palavra, Jesus,

no entanto é uma imensidade

como um oceano de luz.

O vento as nuvens retalha

e leva a lua de açoite,

como uma argêntea medalha

no peito escuro da noite.

Alvorada, que beleza

no esplendor de um arrebol.

É a vida da natureza,

nascendo na luz do sol.

Crepúsculo, céu tristonho,

anseio, melancolia,

findar saudoso de um sonho,

que vai morrendo com o dia.

Copacabana, cedinho,

surge bela e iluminada,

como, de dentro de um ninho,

as asas de uma alvorada.

Ao ver uma criancinha,

eu peço a Deus, com constância,

uma garrafa cheinha

das vozes de minha infância.

Quando um ciúme fatal

nos tira da vida a calma,

a gente sente um punhal

penetrando dentro da alma.

Junto de teu coração

não receio urzes e abrolhos

pois estou sob o clarão

das estrelas dos teus olhos.

Na partida, já sem calma,

olhou-me e pôs-se a chorar.

Até hoje eu sinto n'alma

o langor daquele olhar.

A natureza é um altar

todo enfeitado de flor,

é o templo onde vou rezar

trovas para meu amor.

Nessa beleza sem véu

que minha vivenda encerra,

vejo um pedaço do céu,

que Deus mandou para a terra.

O vovô é um evangelho,

cercando os netos de amor,

assim como um tronco velho,

carregadinho de flor.

Quando a vida nos engana

e nos põe triste a chorar,

carícias de mão humana,

quem as pode dispensar?

O poeta externa pouco

de sua imaginação.

O resto é um soluço louco

no fundo do coração.

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NOTA:  todas as trovas, a partir da sexta, foram extraídas do livro "No Azul da Imaginação", gentilmente emprestado por seu sobrinho Edmar de Souza, membro da Academia Pindamonhangabense de Letras. Em 26 de julho de 2014.