Oscar Vieira Soares

Imagem removida.     OSCAR VICENTE VIEIRA SOARES é um dos vários trovadores nascidos em Piquete, pequeno município do Vale do Paraiba, terra fértil em bons poetas. Em 1950 mudou-se para Taubaté, tendo se casado com a Professora Neide Silva Áureo Soares. Trovador talentosíssimo, de estilo requintado. Nasceu em 12 de janeiro de 1933 e faleceu em Taubaté no dia 23 de abril de 2012.

Nada ela disse e coragem

faltou-me para indagar.

Mas, para que?... se a mensagem   (Vencedora UBT SP 1999)

se estampava em seu olhar.

Saudade, dor, solidão,

tristeza, tédio, queixume...       (Venc. Elos Clube SP  1998)

Santo Deus! Quanta emoção

uma lágrima resume! 

Rancor, vingança, revolta     (5º lugar Pouso Alegre 1997)

conduzem à encruzilhada

entre um caminho sem volta

e um outro que leva ao nada...

Balão de instinto suicida

sobe além, ao deus-dará:    (M. Especial em Rio Novo/MG - 1997)

a mecha que lhe dá vida

é a mesma que o queimará!...

 

Esta carta te escrevi

com sangue de minhas veias...     (Barra do Piraí 1996)

Espero, ao menos, de ti

que, com lágrimas, a leias!  

Oração não sei qual seja     (Venc. São Paulo 1994)

por Deus melhor acolhida:

- se feita no altar da igreja,

ou feita no altar da vida.

JESUS, em vivo transporte,    (Premiada em Petrópolis)

selando sua missão,

espanca as trevas da morte

com a luz da ressurreição.

Que triste ironia encerra

a sorte dos flagelados:

água que falta na terra,

sobra nos olhos molhados!

Chegaste... e, toda alheada,

sequer me viste... Responde:

-- como pode, na chegada,                (premiada em SP)

alguém estar não sei onde?

Desde menino percebo

que a vida, em seu arrastão,

se assemelha a um pau de sebo             (premiada em SP)

que tem no topo a ilusão.

Neste mundo não me ilude

o ouropel que brilha em vão...

Mais vale a oculta virtude

que a falaz ostentação.

Borboletas, voluteando

antes que a tarde feneça,

parece estarem surfando

ao léu da brisa travessa.

Fim de tarde,,, Em níveo bando

sobre o marinho escarcéu,

gaivotas voam, traçando

rabiscos brancos no céu.

Se em sorrisos te iluminas,

vejo em teus olhos joviais

cintilações cristalinas

de dar inveja aos cristais.

Sê cautelosa, meu bem,

e atenta em tuas estradas,

que o destino em seu vaivém

é cheio de encruzilhadas.

Meu coração vencedor

como teu servo se alista;

no reino do teu amor

ser vassalo é uma conquista.

Na vida - que eu chamaria

teatro de variedades -

quando o palco se esvazia

entram em cena as saudades.

Como gozar a harmonia?

Se um acorde em dor maior

abre a amarga sinfonia

que a vida rege de cor...

Se, saudosa, choras tanto,

põe tento nesta verdade:

- cada gota do teu pranto

fecunda o chão da saudade...

Bilhete nada sincero

me veio às mãos, de você:

- três palavras: "não te quero"

mas... e o perfume?  Por quê?

Deixa-me, amor, contemplar

teu semblante meigo assim

e sentir o teu olhar

destilando afeto em mim.

Velha praça... Foi ali

que, num recanto ensombrado,     (Vencedora Jambeiro 2001)

por vez primeira colhi

a flor de um beijo roubado.

S’Antana, sogra tão pia

de José, teve um destino:

ser mãe da Virgem Maria             (Vencedora Jambeiro, 2002)

e avó de Jesus Menino,

Montanhas... quantas contemplo,    (premiada Jambeiro, 2004)

nenhuma iguala, afinal,

aquela que, como um templo,

envolve meu chão natal.



Não era monte afamado,        (premiada  Jambeiro, 2004)

sequer de altura tamanha,

mas fez-se, enfim, consagrado

pelo Sermão da Montanha.



Que a chamem de miniatura...

Mas, a trova, verso a verso,       (Vencedora em Pinda 1997)

quantas vezes configura

a grandeza do Universo!

No tédio do dia a dia,

entre achaques e cansaço,            (M. Honrosa em Pinda, 1997)

são gotas de homeopatia

as trovas simples que eu faço.

Quando uma porta se fecha              (Vencedora em Pinda 1998)

ao diálogo, no lar,

fica por certo uma brecha

para a discórdia adentrar.

Uma verdade transpira

da frustração que restou:

- foi de mentira em mentira          (Vencedora em Pinda 1999)

que nosso amor se acabou...

Que nossa alma não se fira

com quem disfarça a verdade,

que muita vez a mentira               (M. Honrosa em Pinda, 1999)

é um ato de caridade.

Deus, que é suma sapiência

e também suma bondade,

para ungir a dor da ausência          (M. Especial Pinda, 2001)

fez o óleo da saudade.



Dor que não dói, leve carga,

suspiro, doce carência...

- saudade é a lembrança amarga    (Vencedora Pinda 2002)

que nos adoça a existência!

Saudade! emoção mais pura

que seduz e envolve a gente!        (M. Honrosa em Pinda, 2002)

- Amargor feito doçura,

- Passado feito presente

A natureza se enflora                                 

e eu vivo um contraste assim:     (Vencedora em Pinda 2004)            

é primavera lá fora

e inverno dentro de mim...

O insano o verde deflora                             

numa atitude malsã.                                   

- A natureza hoje chora,

chorará ele amanhã.                      M. Especial Pinda, 2004)

 

A vida é envolver-se alguém

num misterioso processo:                           

- é um rio que chega além              (M. Especial Pinda, 2005)

e do além não tem regresso.
 

Não há tristeza tão triste

e que o fundo d'alma alcança,           (Vencedora em Pinda 2006)

como a tristeza que existe

na perda de uma esperança.
 

Aurora... Encanta e seduz

ver o sol que se irradia

traçando um debrum de luz

ao longo da serrania.

------------------