Maurício "Pindamonhangaba" Cavalheiro

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                 MAURÍCIO CAVALHEIRO, nascido em Pindamonhangaba no dia 18 de maio de 1964, filho de Sebastião Cavalheiro e Nair de Souza. Formado em Contabilidade e em Letras, é um dos mais brilhantes literatos da terra onde nasceu. Dominando com igual  facilidade a prosa e o verso, tem-se sobressaído nas mais diversas modalidades, tais como: Trova, Soneto, Poema livre, Crônica, Conto e Romance.

     Humilde e recatado, passaria quase despercebido, não fora seu grande talento, que fica a todo instante chamando a atenção de todos para sua presença em qualquer ambiente.

Enfrento as ondas bravias

que o mar da vida me traz…         (Menção Especial em Santos - 2011)

Assim conquisto os meus dias

e tenho noites de paz.

As medalhas com que cobre   (1º lugar "Confrat. Trov. Paulistas 2009)   

o seu peito de vaidade

mostram que falta a mais nobre:      

- a medalha da humildade.      

A vida perde o seu brilho

toda vez que tu prorrogas      (10º lugar Uneversos-Caicó 2009)

o amor que clama teu filho

que espreita o abismo das drogas.

O mar levou-a... meus ais

ecoam na imensidade...

Sou a gaivota no cais,

que sofre o caos da saudade.      (MH Saquarema 2008)

Já chorei demais por ela

sem que tenha merecido...

Hoje as lágrimas são dela      (MH Camboriú 2008)

por eu já tê-la esquecido. 

Sobre a dor que insana esmaga,

quem já sofreu nos prediz:               (Venc. São Paulo 2007)

o tempo sutura a chaga,

mas não tira a cicatriz.

Da vitória não te gabes,

em respeito ao derrotado     (ME – SAQUAREMA = 2006)

Se hoje tu pisas, não sabes

que amanhã serás pisado? 

Contra o tempo, autor de rugas   (M. Honrosa Natal - 2007) 

e de indesejáveis cãs,

as estratégias de fugas,

por mais que iludam...são vãs. 

O ciúme é mal solerte

que se nutre por espreitas;     (Venc. S. Paulo 2006)

é um impostor que converte

em verdades as suspeitas.

A carícia dos seus dedos

em meu corpo, com pudor,     (1º lugar Magé 2006)

troca todos os meus medos

pelos delírios do amor.

Entre as perdas mais severas,

a do amor mais nos definha...   (MH Pinda 2006 - "Perda")

Que fazer, se crio esperas

por quem nunca será minha? 

Os carinhos com que pagas     (ME Pitanguy 2006)

os carinhos que te dou,

suturam todas as chagas

que a tua ausência criou!

Sigo em frente, enfrento as dores   (6º lugar Friburgo - 2006)

que me afrontam, costumeiras...

Só quem vence os dissabores

é capaz de abrir fronteiras. 

Fecho os olhos... Sou cativo

da saudade que me escolta            (8º  lugar Nova Friburgo 2005)

e teima em me dar motivo

para crer na sua volta. 

À espera do teu regresso

passo os meus dias cuidando     (M. Especial Nova Friburgo - 2003)

do coração que, confesso,

insiste e indaga: "Até quando?" 

Depois de tantos rodeios,

foi teu adeus de impostor

que deixou meus olhos cheios    (Venc. Jambeiro - 2003)

deste vazio de amor! 

No sertão, sob um sol forte,     (MH Taubaté 2002)

a mão da seca, atrevida,

vai antecipando a morte

de cada gota de vida.

Sábio é quem, mesmo que falhe

nos caminhos que envereda,     (6º lugar Nova Friburgo 2001)

corrige cada detalhe

para evitar outra queda.

Esta ausência quase oculta     (MH Pinda 2001)

no silêncio, em teu olhar,

sem indulgência, sepulta

todo o amor que eu quis te dar.

A mais amarga pronúncia,

não ouvi dos lábios dela;

mas dos olhos em renúncia

do amor que sinto por ela.

A mãe, embora faminta,

renuncia ao pão na mesa

para que o filho não sinta

o dissabor da pobreza.

Não haverá paz alguma

enquanto em nós vicejar,

mesmo que seja só uma,

vontade de revidar.

     TROVAS DE  HUMOR 

Levou só tapas da vida;

e, em seu velório (coitado!),        (Menção Especial em Curitiba - 2012)

na homenagem merecida

alguém disse: Adeus, tapado".

 

Tocou tuba a vida inteira

na banda; e era tão viciado,

que nos braços da enfermeira         (1º lugar em Nova Friburgo - 2011)

morreu feliz... Entubado.

Pra combater a queimada,

o bombeiro luso, em choque,            (1º lugar "nacional" em Maranguape/CE - 2011)

deixou a loja encharcada

na grande “queima”... de estoque.

Faxina pra lá de boa

ela faz por cinquentão:                       (6º lugar Nova Friburgo - 2009)

limpa a casa da patroa

e a carteira do patrão. 

"Coma uma caixa de ovinhos

de codorna!" E com voragem,

contra a impotência, aos pouquinhos,                   (Magé 2007) 

o luso come... a embalagem. 

"Se ele só pensa em rosário,

reze com ele, filhinha."

E ela, a chorar, diz: "Vigário,                             (PITANGUI = 2006)

Rosário é a nossa vizinha!"

Na esposa (que otário) o luso

põe cinto de castidade

sem saber que o amante intruso (5º lugar Nova Friburgo 2004)

é chaveiro na cidade!

Viúva, a sogra, de preto,               (M. Especial Belém - 2003)

por jejuar, desmaiara

quando vira, no coreto,

um bom trombone de vara.

Na morte do doutor Pinto                    (2º lugar Ribeirão Preto - 2003)

a viúva resmungava:

“o meu marido distinto

há muito não levantava”. 

A mulher que, incontrolada,             (Vencedora Jambeiro - 2002)

maldiz a sogra que tem,

um dia será julgada...

quando for sogra também! 

Está ficando famosa

minha sogra gorda e loura

como modelo "charmosa"

no comercial de vassoura. 

"Vamos brincar de modelo?"

Sugere a avó bonachona.

E a neta, ornando o cabelo:

"Só eu! Você tá... gordona!"

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