Sérgio Bernardo - Nova Friburgo

Imagem removida.Não só um dos maiores trovadores de todos os tempos, como um dos mais competentes poetas da atualidade, SÉRGIO BERNARDO (nome literário de SÉRGIO CORRÊA MIRANDA FILHO) é unanimidade. Um jovem talento que o Brasil precisaria conhecer melhor, dominando com raro talento todos os gêneros poéticos. Sua "avalanche" de conquistas começou em 1985, aos 18 anos. Nascido no Rio de Janeiro em 30 de outubro de 1966 e radicado na belíssima e poética Nova Friburgo. Torcedor do Flamengo. Autor do livro "Caverna dos Signos".

 

LÍRICAS/FILOSÓFICAS/AFINS

 

Luiz Otávio, é tão patente               (co-vencedora em Pinda -1997)

o teu trabalho fecundo,

que viraste "remetente"

das trovas de todo mundo! 

Nenhum artista teria,

por mais destreza em seu traço,        (1º lugar "local" Nova Friburgo - 2007)

o capricho com que o dia

desenha as nuvens no espaço...

Capricho na minha farsa,

voltando tarde das ruas...

Mas meu embuste se esgarça        (7º lugar "local" Nova Friburgo - 2007)

a uma lágrima das tuas!...

– Refém do teu pouco caso,              (M. Especial em Niterói - 2007)

de alvoradas não entendo...

Meus dias só têm ocaso

sem teu sol me amanhecendo...



Naus sem rumo são meus sonhos (M.Especial lugar em Porto Alegre - 2007)

que, nos mares do destino,

enfrentam tufões medonhos

por tesouros que imagino...



Navego em rota imprevista

sem temer os maus presságios...      (co-vencedora em Niterói - 2006)

- Minha esperança, otimista,

não acredita em naufrágios!

Teus braços aos meus regressam,        (1º lugar "local" Nova Friburgo - 2006)

mas logo foges de mim...

- Recomeços que começam

e nunca chegam ao fim!

Por não seguir o desejo

que premia os mais ousados,        (4º lugar "local" Nova Friburgo - 2006)

recomeços que planejo

findam sempre inacabados.

Ao teu lado pago o preço          (8º lugar "local" Nova Friburgo - 2006)

- insistente como eu sou –

de tentar o recomeço

do que nunca começou.

Cava o tempo uma cratera           (M. Honrosa em Niterói - 2005)

onde a infância se ocultou,

pois não encontro quem era

no semblante de quem sou...

Nas garras de amor tão louco         (M. Especial em Niterói - 2005)

que exige agora o depois,

uma vida é muito pouco,

para o encontro de nós dois!

Cada carta que eu reli,

das que o amor não engaveta,         (M. Honrosa em Niterói - 2004)

diz que a renúncia de ti

não foi renúncia completa...



Ante os horrores da guerra                (M. Honrosa em Niterói - 2003)

e as nações em tal desnível,

temo ser a paz na Terra

uma conquista impossível.

No amor, que é tudo o que eu quero,   (10º lugar "nacional" N. Friburgo - 2003)

a história termina assim:

- Finais felizes que espero

são sempre esperas sem fim...

Pode uma simples proposta        (2º lugar "local" Nova Friburgo - 2002)

com seu apelo insistente

mudar, conforme a resposta,

todo o destino da gente.

Meu arquivo de propostas

que hoje consulto, infeliz,

guarda todas as respostas                (4º lugar "local" Nova Friburgo - 2002)

às perguntas que não fiz.

Propões, num tom de promessa,        (5º lugar "local" Nova Friburgo - 2002)

lindo amanhã entre a gente...

mas meu amor, que tem pressa,

não quer propostas somente.

A quem me evita a presença             (5º lugar "local" Nova Friburgo - 2001)

mostro meu rosto a sorrir,

desprezando a indiferença

de quem pensa em me ferir.

De mim, ausência ou presença,         (11º lugar "local" Nova Friburgo - 2001)

tanto faz e tanto fez...

e eu prefiro, à indiferença,

que me escorraces de vez!

A indiferença me custa

um preço caro a pagar:

- Não ter, numa troca injusta,         (13º lugar "local" Nova Friburgo - 2001)

quem responda ao meu olhar...

Sozinho, ao fim das andanças,             (co-vencedora em Niterói - 2001)

desfio nas madrugadas

meu rosário de lembranças

de ousadias não tentadas...



Nos corações onde agora

falta o encanto da alegria,

quem sabe não tenha outrora       (M. Honrosa em Niterói - 2001)

também faltado ousadia...



Quando a vida fica turva,

sem o sonho que a consola,                (M. Especial em Niterói - 2001)

minha ousadia se curva

a uma lágrima que rola.



"Faça!", mandava a ousadia,             (M. Especial em Niterói - 2001)

mas eu temia o revés...

Se ousasse como devia,

teria o mundo a meus pés!



Sem ousar, temendo assombros,         (M. Especial em Niterói - 2001)

meus sonhos recolho e guardo...

E agora sinto em meus ombros

o quanto pesa este fardo!



O leito, o sonho, a comida... ("Partilha" - M. Honrosa em Niterói - 2000)

Tudo entre nós partilhei.

Entretanto, a minha vida

foi inteira que eu te dei!



Escondo o ardor da paixão

na timidez aparente:

- mesmo dormindo, um vulcão               (M. Honrosa em Niterói - 1999)

guarda lava incandescente.



Já fui tímido... Contudo,

aprendi que estava errado:                   (M. Especial em Niterói - 1999)

- A timidez é o escudo

de quem se crê desarmado...



Chego a crer que as minhas cartas         (6º lugar "local" Nova Friburgo - 1999)

tu devolves, na verdade:

- De saudades seguem fartas

e vêm cheias de saudade...

A nuvem que o céu escreve,         (8º lugar "local" Nova Friburgo - 1999)

desfeita no entardecer,

é uma carta clara e breve

que o vento rasga sem ler...

No envelope não mandado,

a carta em que o "sim" reforço         (9º lugar "local" Nova Friburgo - 1999)

hoje chega do passado

trazida pelo remorso!...

Por mais longa, vale a pena

a estrada em que tenho andado:      (M. Honrosa em Bandeirantes - 1999)

- Qualquer distância é pequena

quando caminho ao teu lado!

Tanta harmonia se vê

entre nós dois, tanta, enfim, (co-vencedor lugar em Porto Alegre - 1997)

que, quando estou sem você,

eu sinto falta de mim!



A rua não sabe quando,

mas lembra, do início ao fim,              (co-vencedora em Niterói - 1997)

o quanto a pisei buscando

quem tanto pisava em mim!...

Meu ciúme, em seus tumultos,                 (M. Especial em Niterói - 1996)

vai pondo o amor para trás,

ante os mistérios ocultos

nas respostas que não dás!

Tuas festas são orgias

mas eu juro, Rei profano:               (Menção Especial em Amparo/SP, 1996)

- vale a pena, por três dias,

rezar o resto do ano!

Minha alma, ao vencer seus medos,         (1º lugar "local" Nova Friburgo - 1996)

após íntimos tumultos,

vai desvendando os segredos

que até de mim trago ocultos...

Forçando o amor a degredos,         (8º lugar "local" Nova Friburgo - 1996)

pela emoção reprimida,

o coração tem segredos

que olhar algum elucida.

Hoje eu choro os vãos enredos

do amor que só teve adeus,

pois, perdido em meus segredos,         (9º lugar "local" Nova Friburgo - 1996)

deixei de olhar para os teus.

Descaminhos não conheço,          (co-vencedora em Rio Novo/MG - 1996)

traço rumos de improviso...

minha estrada tem começo

no ponto exato onde eu piso!

Deu-me a vida, em ato falho,        (Menção Honrosa em Rio Novo/MG - 1996)

mil estradas por trajeto...

e talvez um mero atalho

fosse o caminho correto!

Por seguir falsas pegadas,

hoje, ao léu, meu sonho ruma...     (Menção Honrosa em Rio Novo/MG - 1996)

Cansou de andar por estradas

que não dão em parte alguma!



Ao velho ator fracassado                (co-vencedor lugar em Porto Alegre - 1995)

resta o cenário sombrio

de um projetor apagado

junto ao cinema vazio...



Sempre opostos,nem de leve

nossos sonhos se aproximam...         (1º lugar "local" Nova Friburgo - 1995)

Na trova que a vida escreve

somos versos que não rimam.

Com surpresas e malícias,               (M. Honrosa em Niterói - 1995 - "domínio")

no leito somos rivais

disputando, entre carícias,

qual dos dois domina mais!



Por mais que os mitos se esgotem,                (M. Especial em Niterói - 1994)

mudando crenças e fés,

haverá erguido um totem

e um homem, curvo, a seus pés.



Na beleza que seduz,

o sol é agulha dourada,                    (1º lugar em Petrópolis - 1993)

bordando fios de luz

na mantilha da alvorada!

Nossas vidas, mesmo juntas,

pamilham rotas opostas:

- Meus lábios gritam perguntas                      (M. Honrosa em Niterói - 1993)

e os teus segredam respostas !

Pede ajuda o olhar aflito

da criança ao crime exposta               (M. Honrosa em Niterói - 1993)

- Mas até quando esse grito

vai ficar sem ter resposta?

Nem mesmo o tempo supera             (M. Especial em Niterói - 1993)

minha calma, se demoras ,

porque o silêncio da espera

sufoca o grito das horas !

Se ao ver minha alma agredida ,          (M. Especial em Niterói - 1993)

solto a voz, num brado aflito ,

sinto à boca a mão da vida

tentando abafar meu grito!

Quem olhasse o bóia-fria

junto ao bruxo de retalho,               (co-vencedora em Niterói - 1990)

na distância, não diria

qual dos dois era o espantalho!

Cavalgando a tarde baia,

com galopes pelo espaço,                   (4º lugar em Porto Alegre - 1993)

o dia é peão que ensaia

prender o sol no seu laço.

Contigo o leito reparto...

E, no amor que nos conforta,        (1º lugar "local" Nova Friburgo - 1993)

o carinho invade o quarto

quando a gente fecha a porta!...

Na distância, ao acenar-te,

vi faltarem teus acenos...

Dói mais o adeus se quem parte         (3º lugar "nacional" Nova Friburgo - 1991)

vê, no espaço, um lenço a menos!

Ao sentir que a noite nasce,        (2º lugar em Cachoeiras de Macacu - 1990)

fecho as cortinas, ligeiro,

pra que o luar não te abrace

sem que eu te abrace primeiro!



Sou lavrador de quimeras...

Nas despedidas forçadas,

em meu peito planto esperas              (3º lugar "local" em Friburgo - 1989)

sem colheita de chegadas ! 

Na festa do amor, meu sonho,                (7º lugar "local" em Friburgo - 1989)

sentado à espera de um par,

assiste ao baile, tristonho,

por não ter com quem dançar.

 

Teu amor tenho esperado...                 (9º lugar "local" em Friburgo - 1989)

Mas no leito, junto a mim,

te viras para o outro lado

e a espera nunca tem fim ! ...

 

Pintor do surrealismo,

o tempo, espalhando a tinta,        (co-vencedor em São Jerônimo da Serra - 1989)

cria a imagem de um abismo

em cada ruga que pinta!...

 

Fico ante a vida calado,

sem pergunta... sem proposta...             (1º lugar "local" em Friburgo - 1988)

- Meu sonho já está cansado

de ouvir 'não" como resposta!

 

Se estás num sonho indagando               (2º lugar "local" em Friburgo - 1988)

se te adoro, e eu digo sim,

crê, amor, mesmo sonhando,

no que o sonho diz por mim!

 

Meu sonho, num louco intento,               (5º lugar "local" em Friburgo - 1988)

quis o céu e, em gesto aflito,

prendeu-se à pipa que o vento

despedaçou no infinito!...

 

Nas cavalgadas que eu faço                   (13º lugar "local" em Friburgo - 1988)

quando a insônia não aceito,

apanho os sonhos a laço

e arrasto o sono a meu leito!...

 

A vida nada me entrega...

mas quando durmo, a teu lado,             (21º lugar "local" em Friburgo - 1988)

sonho ter o que ela nega

sempre que sonho acordado!!!

 

Se o meu sonho vem errado,               (22º lugar "local" em Friburgo - 1988)

acordo... e, insone, bendigo

poder sonhar acordado

um sonho inteiro contigo!...

 

"Procuro amor"... deixo escrito

no meu sonho... mas, quem vê,

seu eu ponho este anúncio aflito          (25º lugar "local" em Friburgo - 1988)

num jornal que ninguém lê?!

 

Na espera a angústia me invade...           (1º lugar "local" em Friburgo - 1987)

E depois, num devaneio,

vejo chegar a saudade,

trazendo alguém que não veio!...

 

"Depois", disseste... E apreensivo,          (2º lugar "local" em Friburgo - 1987)

lembrando o amor de nós dois,

hoje eu sinto que só vivo

porque espero esse depois!

 

Envelhecemos... Nós dois...                      (3º lugar "local" em Friburgo - 1987)

E hoje é que voltas, por fim...

Não pensei que o teu "depois"

fosse tão depois assim...

 

Depois de um sonho frustrado            (4º lugar "local" em Friburgo - 1987)

que a própria vida desfez,

insiste... volta ao passado

e sonha tudo outra vez!...

 

Comprovo, num pranto mudo,                 (11º lugar "local" em Friburgo - 1987)

após a espera frustrada,

que o depois promete tudo

mas não cumpre quase nada!

 

Sempre que a vida me assalta,                 (1º lugar "local" em Friburgo - 1986)

eu luto com tanto empenho,

que é quando a força me falta

que eu meço a força que tenho!

 

Nas horas de desencanto,

não me falta um bom amigo

que, se não seca o meu pranto,                 (3º lugar "local" em Friburgo - 1986)

ao menos, chora comigo!...

 

Tudo alcancei, com ardor...

E, hoje, a mágoa que me assalta                (5º lugar "local" em Friburgo - 1986)

é sentir falta de amor

quando mais nada me falta!... 

Meu pranto é tristonho e mudo,             (11º lugar "local" em Friburgo - 1986)

pois só agora, infeliz,

eu sinto falta de tudo

que pude ter... e não quis!...

 

Feitos de instantes tristonhos,              (14º lugar "local" em Friburgo - 1986)

se os meus dias são banais,

não é porque faltam sonhos,

mas porque há mágoas demais!... 

A glória não mais me acena...                (16º lugar "local" em Friburgo - 1986)

Mas, por amor à ribalta,

eu sou artista que encena,

mesmo se o público falta!...

Na vida, instável cassino,

as vitórias serão fartas,

se, no jogo do destino,

nosso sonho der as cartas!



Pressionando frente à lei

da indecisão que desgosta,

quantas vezes já neguei,

usando o sim por resposta!...



Um facão de duplo gume

corta o amor pela metade:

- perto, a trava do ciúme;

longe, o travo da saudade...

"Teu adeus não me comove!"

Frase falsa que decoro.

...Mas, graças a Deus que chove,

e ela nem nota que eu choro.



Comungo o pesar alheio

porque há muito tenho em mente

que uma cruz partida ao meio

são dois madeiros somente.



Das escuras madrugadas

que nos negam dias novos,

hão de surgir alvoradas

quando a paz unir os povos.



Entardece...e a dor dos sós

entra em meu quarto sombrio.

Ontem...tão cheio de nós...

E hoje...de ti, tão vazio!



Minha alma é nau que se solta,

e eu, sem comando de mim,                                    

ouço os gritos de revolta

dos meus sonhos em motim !

Na igualdade que persigo,

só é plena a minha glória

se mais gente erguer comigo

o troféu de uma vitória!



Quem traz no peito, escondido,

um remorso a soluçar,

vê que o silêncio é o ruído

mais duro de suportar.



Delírio próprio de um louco,

a que o amor me tem exposto:

- Olhei-me no espelho há pouco

e em vez do meu... vi teu rosto!



Ninguém me aponte o caminho

sem ir junto na jornada...

Se eu devo seguir sozinho,

prefiro escolher a estrada.



Cava o tempo uma cratera

onde a infância se ocultou,

pois não encontro quem era

no semblante de quem sou...



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ALGUMAS HUMORÍSTICAS

 

Celular eu não tolero

desde um pré-pago que eu tinha,         (1º lugar "local" Nova Friburgo - 2007)

que tocou “Mamãe eu quero...”

no velório da vizinha!

No armário, um vulto furtivo...

Soa um toque... chega o esposo...         (3º lugar "local" Nova Friburgo - 2007)

E, morto, ele culpa o “Vivo”

que não pôs no silencioso!

Pra falar sozinho, a esmo,        (13º lugar "local" Nova Friburgo - 2007)

o louco quis inovar,

telefonando a si mesmo

do orelhão pro celular!...

“Visita chata? Nem morta!!!”         (2º lugar "local" Nova Friburgo - 2006)

E, supondo a despachar,

grita a lusa, atrás da porta:

“Não’stou! E vou demorar!!!”



Chegam antes do café...

E a comadre, num sussurro:

- Visita que vem a pé

quase sempre “amarra o burro”!         (3º lugar "local" Nova Friburgo - 2006)

Visto que o bando até goste

do espantalho em campo aberto,         (1º lugar "local" Nova Friburgo - 2005)

prendi a sogra num poste

e as gralhas nem chegam perto!

Fingindo o galo ir à rinha,

o susto lhe segue o instinto,

pois pega em flagra a galinha         (8º lugar "local" Nova Friburgo - 2005)

sobre dois ovos e um pinto...

A uma pensão de ar "suspeito"         (2º lugar "local" Nova Friburgo - 2002)

a jovem viúva tem ido

complementar do seu jeito

a pensão do falecido.

Bastou somente um "mau ato"         (9º lugar "local" Nova Friburgo - 2002)

para a estudante Raimunda

decair de um pensionato

a uma pensão de segunda.

- Quero ficar um bebê...

Doutor, quais rugas removo?         (2º lugar "local" Nova Friburgo - 2001)

- O remédio pra você

seria nascer de novo!!!

Quis remédio contra insônia,         (6º lugar "local" Nova Friburgo - 2001)

mas, sem óculos, não viu

que abria o vidro de amônia...

Aí, sim, que não dormiu!!!

Ao sentir-se muito mal,         (12º lugar "local" Nova Friburgo - 2001)

tomou remédio o Tiziu,

pra levantar seu astral!...

Porém... nem isso subiu!

Baiano, ele odeia pressa,

E avisa, ao se machucar:

- Se tiver de pôr "compressa",         (1º lugar "local" Nova Friburgo - 1999)

que seja bem devagar!!!

- "É meu pai ! desapareça!!!         (10º lugar "local" Nova Friburgo - 1999)

E o cabra, na correria,

pôs as calças na cabeça

e a meia onde nem cabia!

Vovó se afoga ... e, no cais,         (1º lugar "local" Nova Friburgo - 1996)

com vovô tentando a cura,

o boca a boca foi mais

dentadura a dentadura.

Com a perereca no colo,         (6º lugar "local" Nova Friburgo - 1996)

berra tanto o velho jeca,

que da boca para o solo

pula a "outra" perereca!

Vovó fez rir a torcida,

e a gincana quase "fura":

- Quando a maçã foi mordida,         (7º lugar "local" Nova Friburgo - 1996)

levou junto a dentadura!

-"Subiu na vida o Fernando"

- "Ficou rico?" - indaga o Lima.         (1º lugar "local" Nova Friburgo - 1992)

- "Não, senhor Está morando

seis barracos, morro acima !!!".

Grita a roceira, ao olhar

seu filhinho na balança :

- " Doutor, só vim consultar...         (1º lugar "local" Nova Friburgo - 1991)

Não vim vender a criança!"

- Seu filho pôs brinco, Elisa

- Que é que tem ? É moda usar!         (5º lugar "local" Nova Friburgo - 1991)

- Não tem nada... Mas precisa

pulseira, anel e colar ?

Chega gritando o anãozinho                   (1º lugar "local" em Friburgo - 1989)

no velório do Jacó...

Pede alguém: "Fala baixinho"!

E ele diz: "Baixinho é a vó !!! "

 

Pelo guarda não multada

por dirigir velozmente,

exclama a moça, espantada

- Meu Deus, que guarda imprudente.         (3º lugar "local" em Friburgo - 1989)

 

A fêmea, assim jururu,

sem beijos e sem carinhos                          (4º lugar "local" em Friburgo - 1989)

suspeita que o canguru

anda dando seus "pulinhos".

 

A festa de casamento

do antropófago malogra,

quando o noivo tem o intento                        (5º lugar "local" em Friburgo - 1989)

de comer "olho de sogra" !

 

Quando um cão grã-fino olhou                    (1º lugar "local" em Friburgo - 1988)

sua cadela, de esguelha,

meu cão pulguento ficou

"com a pulga atrás da orelha"!

 

Meu sogro, bom sapateiro,

ganhou dólar... muitas notas...               (7º lugar "local" em Friburgo - 1988)

e eu torço, por ser herdeiro,

pra que o velho "bata as botas"!

 

Na festa de caridade,

Zé, com cara de tragédia,                             (9º lugar "local" em Friburgo - 1988)

tirando a média de idade,

foi parar na Idade Média!

 

Ao ver, com creme vermelho,

da esposa o rosto emplastado,              (14º lugar "local" em Friburgo - 1988)

teve impressão o Botelho

de que entrou no inferno errado!

 

O Pacote é bom, Batista?

- Pra mim é, pois dá dinheiro...                (2º lugar "local" em Friburgo - 1987)

- Ah, o amigo é economista?

- Não, senhor... sou pipoqueiro!

 

O candidato: - Em quem votas?                (3º lugar "local" em Friburgo - 1987)

- Em você!, diz, sem engodos...

E explica: - Dos idiotas,

prefiro o maior de todos...

 

Na campa do tal rapaz

que no batuque era um bamba,                 (4º lugar "local" em Friburgo - 1987)

em vez de por: "Aqui jaz"...

alguém gravou: "Aqui samba"...

 

O Zé segue o enterro... E ao ver               (6º lugar "local" em Friburgo - 1986)

seu rosto, um verme diz, sério:

- Quando esse "troço" morrer,

eu fujo do cemitério!...

 

Piada foi quando o Augusto

entrou no armário, apressado,

e quase morreu de susto

quando alguém disse: - Ocupado!           (12º lugar "local" em Friburgo - 1986)

 

Toda coroa, viúva,

por mais plásticas que faça,                 (8º lugar "local" em Friburgo - 1985)

pode ficar uma "uva"

que tem o gosto de "passa".

 

Desde o namoro ao casório,                (9º lugar "local" em Friburgo - 1985)

a sogra foi sentinela.

E hoje, enfim, no seu velório,

sou eu quem "segura a vela"!...



Ao meter no basculante

seus cem quilos de ousadia,     (M. Especial em Porto Alegre - 1993)

que sufoco o do assaltante:

- não entrava... nem saía!



O broto não liga ao toque

do esposo velho e cansado...           (4º lugar em Porto Alegre - 1985)

Quem pode levar um choque

de um circuito desligado?

 

No churrasco, um pelo branco...       (co-vencedora UBT Rio de Janeiro - 2000)

E o freguês, desconfiado:

- Acho que o “boi” desse espeto

já “miou” no meu telhado!!!



Sem grana e recém-casados,

só comem churrasco em casa...          (M. Honrosa UBT Rio de Janeiro - 2000)

Passam horas ocupados,

botando o espeto na brasa!!!



Na jangada envelhecida,

o velhinho bem que tenta           (co-vencedora em Porto Alegre - 2007)

conservar a vela erguida,

mas o mastro não agüenta!...



 No portão, seu “Love” a agarra...     (M. Especial em Porto Alegre  - 2005)

E a mãe a põe na berlinda:

- Tão cedinho e já na farra?

Diz ela: - Já, não... Ainda!!!

 



Foram tantos namorados

com mãos lascivas demais,

que hoje ela é um banco de dados      (co-vencedora em Porto Alegre - 2001)

só de impressões digitais!



Sobre as nozes, a cachopa               (co-vencedora em Bandeirantes - 2003)

jogou a mosca picada...

E então pôs tudo na sopa

que pedia ‘noz moscada”!



A lua de mel... “melou”...                (co-vencedora em Bandeirantes - 2002)

E a pobre noiva, frustrada,

chora os rojões que estourou:

tanto barulho... por nada!



Se um bom convívio não logra,       (M. Honrosa em Bandeirantes - 2001)

resolve a encrenca no “tranco”:

faz o barraco da sogra

bem debaixo do barranco!

 

Na porteira passa o dia

e a quem passa ele se queixa:         (co-vencedora em Bandeirantes/PR - 1993)

-"Eu, por mim, trabalharia...

a preguiça é que não deixa!

O elevador não fechava;         (M. Especial em Bandeirantes/PR - 1993)

e, irritada, uma roceira

quis saber onde ficava

a "tramela" da "porteira"!!!



Tem um cacoete vulgar

indo à reza, tal senhora:

na pressa de comungar,

já vai com a língua de fora!



Se entre os monstros, algum dia,           (M. Especial em Curitiba - 2006)

fosse eleito um presidente,

o fantasma venceria,

pois só ele é "transparente"!



A Rainha, em sua ira,

quer presa a velha condessa,

porque, à noite, o Rei não tira

a "coroa" da cabeça!