Otávio Venturelli

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           Imagem removida. filho do também poeta/trovador José Venturelli Sobrinho e de Dona Aristina Gomes Venturelli Sobrinho, Octávio Venturelli nasceu no Rio de Janeiro em 21 de fevereiro de 1937 (um domingo de carnaval). Apaixonado por sonetos.  Professor de violão, membro da Academia Brasileira de Belas Artes. Ingressou na UBT em 1975. Em 1979 conquistou o título de "Magnífico Trovador". Por razões óbvias, é cognominado "Trovador da Saudade". Muitos livros publicados. Segundo o próprio autor, o livro "Marcas do Tempo", publicado em 2013, considera-o o "fecho de ouro" dos seus trabalhos. Residia em Nova Friburgo, onde veio a falecer, no dia 19/11/2019, aos 82 anos.

(na foto, Venturelli é o segundo em pé, depois de Tadeu e antes de Campos Sales e José Ouverney)

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     Conforme descrito em sua apresentação acima, o poeta Venturelli, além de magnífico trovador, era um apaixonado por sonetos. A ponto de, pressentindo que estava próximo o seu momento de partir, o que aconteceu no dia 19.11 2019, um pouco antes compôs seu soneto de despedida. (Colaboração de Sérgio Ferreira da Silva):



Imagem removida.



Não diga adeus nem brincando,

o adeus é irmão da saudade                                   (1º lugar Friburgo 1979)

e alguma ausência, escutando,

pode pensar que é verdade...

Na cama desarrumada,

que impulsos do amor viveu,

há uma saudade deitada

no lugar que era só teu....

Da saudade às vezes farto,

e se a tristeza me invade,                                      (Vencedora Niterói 1982)

acendo as luzes do quarto

para não ver a saudade.

Saudade, saudade minha,

quanta saudade restou...                                 (Menção Honrosa Niterói 1982)

- Saudade é tudo que eu tinha,

saudade é tudo que eu sou.

Para ficar ao meu lado,

durante a noite ela vem.                                 (Menção Honrosa Niterói 1982)

A saudade do passado

sofre de insônia também...

Contraste dos mais tristonhos

a noite sempre me traz:

vou procurar-te em meus sonhos,                     (M. Honrosa Niterói 1982)

e é na saudade que estás...

Em nosso adeus, quando eu disse:

"não há dor que não se abrande",                       (M. Honrosa Niterói 1982)

nem pensava que existisse

uma saudade tão grande...

São flores - Rosa e Saudade

com mensagens desiguais;

uma diz: "felicidade!"

e a outra diz: "nunca mais".

"Não me esqueça..." e a Eternidade,

travestida de agonia,

me fez cumprir, na saudade,

o que a mensagem pedia...

Nossa casa, nossa vida,

nossa esteira em nosso chão,

e, na esteira da partida

a saudade e a solidão.

Coreto da mocidade

que ainda tem a mesma graça,

pões o amargo da saudade

no algodão-doce da Praça.

Saudade, imagem sem vida

da presença que eu reclamo;

essa vontade incontida

de voltar dizendo: "Eu te amo!"

Tuas lembranças, afago-as

como se afaga uma flor;

as saudades não são mágoas,

são flores feitas de amor!

Eu sinto a doce e querida

perpendicularidade

das retas da minha vida

sobre o plano da saudade!

Presente numa saudade

que ficou em seu lugar,

o passado é uma verdade

que nem Deus pode mudar...

Às vezes, na velha idade,

minha infância sobressai,

e eu peço colo à saudade,

fingindo que é o teu, meu pai!

Fazendo em barro a montagem

da estátua do meu desgosto,

eu vi que o rosto da imagem

era a imagem do teu rosto...

Numa angústia que não finda,

por mais que tu te reveles,

no teu corpo eu sinto ainda

que há vestígio de outras peles!

Paredes em desabrigo,

janelas que se quebraram...

mensagem de um tempo antigo

que o tempo e a vida rasgaram!

Criança carente, andante,

mensagem viva que diz

que seu brinquedo constante

é brincar de que é feliz!...

Deixaste a forma torcida

de um beijo no travesseiro:

mensagem de despedida

com teu sabor e teu cheiro...

Dentre as flores cultivadas

nos quintais do coração,

só me restaram plantadas

as flores da solidão...

Sempre existe algum pecado

escondido em nosso enredo,

que a mente finge acabado

mas que a alma guarda em segredo.

O beijo, roubado a medo                           (Nova Friburgo - 1998)

no portão do teu sobrado,

teve um tanto de segredo,

teve um tanto de sagrado...

Estou velho... mas não minto             (co-vencedora em São Paulo - 1996)

quando digo com empenho:

- se tenho a idade que eu sinto,

nem sinto a idade que eu tenho!

Se a renúncia, em seus degredos,

meus sonhos cobre de pó,

dou-me as mãos... enlaço os dedos,

e finjo não estar só...

Num esplêndido tesouro

que no espaço se projeta,

o sol é a moeda de ouro

com que Deus paga o Poeta!

Minha alma vagueia pelas

calçadas da meninice

buscando antigas estrelas

para o meu céu da velhice.

O mistério envolve até

a nós Poetas-Trovadores

porque na vida nós é

que somos os sonhadores!!!

Vemos hoje, os dois sozinhos,

na saudade que nos toma,

que, ao somar nossos carinhos

nós dois erramos na soma.

Maria, cheia de Graça,

dai graça para os meus dias,

porque as noites já têm graça

com a graça das marias...

Voltei. Meu Deus, que distância

entre a saudade e o passado:

o meu coreto da infância

ainda "me toca dobrado"!

De que vale o meu protesto

se manténs em tuas mãos

o poder de, a um simples gesto,

cortar o "til" dos meus nãos...

Prefira sempre a certeza

de ver que a alegria existe;

quem faz pergunta à tristeza

merece resposta triste.

Sonho um mundo diferente

que as cores todas resuma,        (Menção Honrosa UBT Rio de Janeiro - 1986)

e a cor da pele da gente

não tenha importância alguma.

Ante os Tratados da guerra,

tantos protestos se faz;

e as pás, tratando da terra,

tem, mais, tratado da paz!

Na velha Estação de Trem,

que a solidão dominava,

eu acenei a ninguém

fingindo que alguém chegava...

Maria, por Vossas dores,

ao filho Deus, nosso Bem,

rogai por nós, Trovadores,

em nossas Trovas. Amém!

Quando à noite eu penso nela,

e o sono teima em fugir,

ninando a saudade dela

eu quase chego a dormir...

(fonte: "Mensagens Poéticas do Poeta Ademar)

Jangadeiro de Iracema,   

meu pescador de alvoradas,

o teu Nordeste é um poema           (1º lugar Fortaleza 1979)

escrito pelas jangadas!

HUMORISMO:

É um fantasma!... Alguém gritou.           (3º lugar "Local" Nova Friburgo - 1997)

E houve gritos e alarido

quando, de preto, chegou

o gêmeo do falecido...

Por qualquer doença se abala               (M. Especial Nova Friburgo "Local - 1997)

com o fantasma dos infartos;

passa os seus dias na sala

gemendo de dor nos quartos...

O lençol todo florido

e de salto alto... e eu notei,                    (M. Especial Nova Friburgo "Local - 1997)

ao me chamar de "querido",

que era um fantasma de um "gay"!