Faleceu no último dia 09 de maio o jornalista e professor Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros, o Artur da Távola, aos 72 anos, no Rio de Janeiro. Confesso que fiquei desagradavelmente surpreso com a notícia: poucos dias antes o tinha visto no programa “Quem tem medo da Música Clássica?”, exibido semanalmente pelo Canal 10 – TV Senado; naquele programa ele comentava a apresentação da Orquestra Nacional de Câmara da Armênia, numa apresentação realizada diante do Partenon.

     Ouvi falar de Artur da Távola pela primeira vez por volta dos meus 20 anos. À época ele era senador pelo estado do Rio de Janeiro e editava uma revista voltada à Cultura e às Humanidades pela Gráfica do Senado Federal. Caso raro de um político que usa seu cargo em prol da Cultura, como fez Artur da Távola.

      Político de larga experiência, foi perseguido e exilado pela Ditadura Militar. Retornando ao Brasil, adotou o pseudônimo de Artur da Távola, em alusão ao lendário Rei Arthur e aos Cavaleiros da Távola Redonda. “Protegido” pelo pseudônimo, exerceu atividades políticas e culturais durante muitos anos.

     Eu, particularmente, apesar de discordar de sua filiação política, admirava-o muito. Seu programa na TV Senado era excelente, assim como o programa de rádio da Rádio MEC FM do Rio de Janeiro retransmitido pela Cultura FM de São Paulo. Tão caprichoso era em comentar os autores e intérpretes, que informava o tempo de duração de cada andamento de uma obra e explicava a diferença do estilo de interpretação de maestros que gravaram a mesma obra. Recordo-me, por exemplo, de um programa em que Artur da Távola comparou a 9ª. Sinfonia de Ludwig van Beethoven (1770-1827) interpretada pelo maestro romeno Sergiù Celibidache (1912-1996) à frente da Munich Phillarmonic Orchestra e pelo maestro austríaco Herbert Von Karajan (1908-1989) à frente da Orquestra Filarmônica de Berlim.

     O título de seu programa na TV Senado era muito inteligente: “Quem tem medo da Música Clássica?”, cujo objetivo evidente era desmistificar o preconceito de elitismo que existe sobre a música erudita. Através desse programa ele divulgava as excelências do repertório de concerto em gravações realizadas em vários lugares do mundo. Suas apresentações eram sempre animadas e entusiásticas, típicas de um homem que amava a Boa Música.

     E um homem tão notável teve uma morte singela: morreu dormindo. Não que a morte seja algo singelo, mas ele morreu de parada cardíaca durante o sono. Sem sofrimento. Ao contrário, inclusive, de muitos dos compositores que destacava em seus programas. Essa serenidade da morte surpreendeu a todos, inclusive a mim. Aos seus admiradores, resta a lembrança de um grande brasileiro. Sempre nos lembraremos dele, cuja memória flutua no ar, ao lado de Beethoven, Chopin, Mozart, Gershwin e de todos os outros grandes músicos que ele tanto amava. ----- Requiescat in Pace, Artur da Távola.