Marília Silveira
O que a razão determina,
eu já nem lembro direito,
pois outra força domina
esta pantera em meu peito.
No aconchego do ambiente
teu corpo é minha oração,
e eu te rezo inteiramente,
tal qual um "crente-pagão"!
Toda vez que eu te abandono,
tu voltas e eu me comovo;
tal qual a folha no outono,
que cai pra nascer de novo.
A boa literatura,
dispensa qualquer tevê,
pois traz no seio a cultura,
que a maioria não vê!
Seus manuscritos alastro
no chão deste antigo lar
a procurar algum rastro
de que você vai voltar.
Não procure na grandeza
nem nas perdições terrenas;
por muitas vezes - beleza,
está nas coisas pequenas.
Não demonstra sensatez,
nem na razão se baseia,
quem insiste, toda vez,
em brilhar com luz alheia.
Outrora esta galeria,
que armazenava emoção,
tornou-se a caixa vazia,
que eu chamo de coração.
Meus sonhos não morrerão
tal qual a rosa encarnada,
que perfuma, ainda, a mão,
mesmo depois de arrancada.
