Magníficos Trovadores - WALDIR NEVES

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(José Ouverney ao lado do Mestre/agosto/2006). Ao fundo, Nilci Guimarães, Rodolpho Abbud e Milton Loureiro.  Foto tirada cinco meses antes de sua partida para outra dimensão.

     WALDIR NEVES foi, seguramente, um dos maiores trovadores que esta terra tupiniquim já conheceu. Dono de um estilo refinadíssimo, grande incentivador dos mais jovens, alma pura.

      Nascido no Rio de Janeiro a 10 de junho de 1924, filho de Armindo Gonçalves Neves e Laura Molinari Neves. Foi casado com Conceição Tavares Neves.

      Partiu no dia 24 de janeiro de 2007.

http://www.falandodetrova.com.br/waldirparasempreneves

WALDIR  NEVES

LÍRICAS, FILOSÓFICAS E SIMILARES



01

Saudade!... Foto em pedaços,                                                        

que eu colei, com mão tremida,     (Nova Friburgo, 1984)

tentando compor os traços

de quem rasgou minha vida!

02

Saudade é um raio de lua

suprindo o sol que brilhou...        (7º lugar em Santos - 1979)  

tábua que ainda flutua,

depois que o amor naufragou...

03                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

Saudade é uma diligência          (Nova Friburgo, 1984)

que nos leva, docemente,                                                                                                                                                                                                                                                              com repetida freqüência,

ao velho oeste da gente!

04

Senhora de cada instante

das minhas horas vazias,

a Saudade
é uma constante    (Nova Friburgo, 1984)

na inconstância dos meus dias...

05

Amante da fantasia,

frustrado, às vezes, me ponho,    (Nova Friburgo, 1980)

por não ter minha ousadia

o tamanho do meu sonho...

06

O abismo maior que existe,

o mais fundo que já vi,

é aquele que um homem triste

carrega dentro de si...

07

O que faz deste abandono

o suplício mais atroz

é saber que há no teu sono

o acalanto de outra voz!

08

Ah! Coração, não palpites

tão forte, que o espaço é estreito,    (Nova Friburgo, 1989)

e esta mágoa sem limites

tem que caber no meu peito!

09

Da insônia, que me desgasta,    (Nova Friburgo, 1981)

a causa é simples demais:

o próprio sono se afasta

de quem já não sonha mais!

10

Eu tentando te dizer...

tu fingindo que me ouvias...

Acabei por compreender

o que tu não me dizias!

11

Terna, meiga e acolhedora

- para a criança uma fada -

a primeira professora

é a primeira namorada.

12

Deus que é paz e amor profundo,     (Nova Friburgo 1976)

em sua excelsa grandeza,

se é mistério para o mundo,

para mim é uma certeza!

13

No violino surrado,

em notas de singeleza,

o velho cego, coitado,

surrava a própria tristeza...

14

Anoitece... Chove mais

e a saudade é mais intensa.     (Nova Friburgo 1970)

Tão intensa que os beirais

gotejam tua presença!

15

Quando à tarde os sinos dobram,

minha tristeza se exalta.

São as saudades, que sobram,

pela presença que falta!

16

Vejo o mundo, hoje, um complexo

de dor e angústias sem nome,

dominado pelo sexo;

torturado pela fome!

17

Na infância, o sumo interesse:     (São Paulo 2006)

- calças longas, sem demora...

(Ah se a vida devolvesse

as calças curtas de outrora!)

18

Estranham que eu sofra tanto

- e calado - isso é que assusta.     (Nova Friburgo 1972)

O que não sabem é o quanto

esse silêncio me custa!

19

Em seus olhos, a tristeza

não era porque eu partia.

Ela chorava a certeza

de que eu jamais voltaria!

20

Na verde brenha escondida,

jorrando em claras golfadas,

a fonte é um fio de vida,

que canta sob as ramadas!

21

Nossa vida é uma balança,

que, em geral, não se equilibra,

porque o braço da Esperança

é mais longo que o da Fibra.

22

Terminamos... e ela pensa

que será logo esquecida.

O que ganhou foi presença,

para sempre, em minha vida!

23

Em meu livro de memórias,

que Maria ainda não leu,

quase todas as histórias

ela mesma é que escreveu...

24



25

Não sei onde é mais dorido

este nosso amor desfeito:

- no meu orgulho ferido,

ou na ferida em meu peito...

26

Infância, em mim, é saudade

de um tempo ingênuo, inocente...

Lá em casa a Felicidade

sentava à mesa com a gente!

27

A saudade, em horas mortas,

sem ver que o tempo passou,

teima em abrir velhas portas

que há muito a vida fechou...

28

Ao lhe jurar que depressa

ela seria esquecida,

fiz o tipo de promessa

que já nasce descumprida...

29

Nós fomos tão hesitantes

e tão covardes, os dois,

que o nosso amor morreu antes,

temeroso do depois...

30

Quem brilha com luz modesta,

mas dela faz um farol,

se paga mas não se presta

a ser sombra de outro Sol...

31

Fugi do amor com receio

do seu fascínio... e o que fiz

foi só cortar, pelo meio,

meu meio de ser feliz...

32

Mais cego na idolatria,

o fanatismo bizarro

nem vê, na sua histeria,

que os mitos têm pés de barro!     (Niterói 1994)

33

Por maior das ironias,

levantada a construção,

no bronze das honrarias     (Juiz de Fora 1983)

falta o nome do peão...

34

Velha rendeira sofrida!

A malha viva em teu rosto

é renda amarga que a vida     (Niterói 2002)

teceu, desgosto a desgosto!

35

Tropeiro de mil viagens,

descobri, de giro em giro,

que os teus olhos são paragens

onde o sonho faz retiro...

36

Saudade!... Posso entendê-la,     (Friburgo 1984)

ao ver no céu, a luzir,

o brilho daquela estrela

que já deixou de existir...

37

A carta chegou sem nome...

Mas o tom... a letra bela...

o perfume que não some...

- Quem pode ser, senão ela?

38

As esperanças, na vida,

são como as ondas na areia:

- quando uma quebra, vencida,

logo atrás outra se alteia.

39

Numa amostra da pobreza

que se instalou dentro delas,

há casas onde a tristeza

começa pelas janelas...

40

Em seu horizonte estreito,

não sentem os egoístas

que, na essência, o amor é feito

mais de entregas que conquistas.

41

Como um ginete, montado

no vovô, na peraltice,

o netinho, já pesado,

lhe torna leve a velhice...

42

Essa lágrima tardia,

que o remorso hoje te fez,     (Nova Friburgo 1997)

lembra garoa de um dia

matando seca de um Mês!

43

Vendo a fonte, entre as ramadas,

recordo, ao passar das águas,

que está nas águas passadas

a fonte das minhas mágoas...

44

Nossa união eu defino

como perfeita e acabada,

quando eu finjo que domino

e finges ser dominada...

45

Ao traçar vidas sem rumo                             (Menção Especial - Niterói - 1978)

do desgraçado, do louco,

não sei não, mas eu presumo

que a mão de Deus treme um pouco!

46

O golpe da despedida

foi tão rápido e tão fundo,

que fracionou minha vida

numa fração de segundo...

47

Não sei se é gosto ou desgosto,

nem sei se é feito ou defeito,

ter esta calma no rosto,

tendo esta angústia no peito...

48

Graças à mão da lembrança,

que lhes reacende o estopim,

meus busca-pés de criança

correm sempre atrás de mim!

49

Pagando um pecado antigo,        (Menção Honrosa em Niterói - 1983)

em penitência me esforço,

mas não encontro um castigo

à altura do meu remorso!

50

É a noite do teu regresso...      (co-vencedora em Niterói - 1989)

Ansioso porque demoras,

ao vento que passa eu peço

que apresse o passo das horas!...

51

Deus deu-me os passos e a estrada,

porém me impôs um dever:

- o rumo da caminhada

tenho eu mesmo que escolher...

52

Tuas mãos tão bem conheço:

os traços... todas as linhas.

Então por que é que estremeço              (15º lugar em Fortaleza - 1985)

quando elas pousam nas minhas?

53

Não sei bem, em nosso adeus,

quem foi mais falso e covarde:

- ela, em seu "graças a Deus",

ou eu, no meu "já vai tarde...'

54

Não fique, amigo, zangado,

se ela ao encontro faltou.

Ah, quanto encontro marcado

a vida já desmarcou...

55

Abandono... O Sol declina...   (Friburgo 1991)

Vem baixando a cerração...

E solidão com neblina

é muito mais solidão!

56

Amor de mãe não se mede

por nenhum outro na vida.

Tem tal grandeza, que excede

o tamanho da medida.

57

Voar alto era o meu sonho,

e hoje vôo em plagas rasas.

O destino, ao que suponho,

me pregou chumbo nas asas...

58

A dúvida me acompanha...

O tema é controvertido...

Perde-se tempo, ou se ganha,

na busca ao tempo perdido?

59

A fim de que os insensatos

refreiem a insensatez,

é preciso que os cordatos

discordem... de quando em vez!

60

Ao julgar desmesurado

o castigo que te abate,

nem lembras que teu pecado

era do mesmo quilate.

61

Depois que te foste embora,

tirei de casa os espelhos,

cansado de, a toda hora,

ver os meus olhos vermelhos!

62

A cortina da janela...

A cama... Tudo tal qual...

- Só que o cenário, sem ela,                   (Vencedora Niterói - 1991)

nunca mais vai ser igual!

63

No cenário do abandono,

tudo é fora de lugar,

e, em meu quarto, nem o sono                 (Vencedora Niterói - 1991)

consigo mais encontrar!

64

Com pedras que recolhi,

das que a vida atira a esmo,

mais firme e sólida ergui

a construção de mim mesmo..

65

Eu chego... ela me abre a porta...

E de olhos fitos nos meus,

me diz, num tom que conforta:

- chegaste... graças a Deus!

66

Trilhando esse mundo, além

troquei rumos... errei, sim.

Mas nunca deixei ninguém

dobrar esquinas por mim!

67

Num encontro de passagem,

notei, para meu desgosto,

que o tempo fez outra imagem

da imagem que foi meu rosto.

68

Com estopa de azedume

e farrapos de amargor,

o espantalho do ciúme

faz tremer o nosso amor...

69

O desencanto me abafa...

E a esperança a me restar

parece aquela garrafa

que o náufrago joga ao mar...

70

No encontro que reavivou

nossa ternura passada,

ela jamais suspeitou

da coincidência forçada...

71

Não grito, nem na aspereza      (Niterói 1993)

dos reveses mais cruéis.

- O tamanho da tristeza

não se mede em decibéis ...

72

Posso jurar de mãos postas,   (Friburgo 1983)

pesando o que já passei,

que as mais difíceis respostas

foi em silêncio que eu dei.

73

Deste-me um beijo - um, somente!   (Friburgo 1996)

E queres que eu me console...

- O DESEJO é sede ardente,

que não se mata de um gole.

74

Depois que os céus lhe mandaram   (Friburgo 1996)

As gotas do seu DESEJO,

duas outras marejaram

os olhos do sertanejo...

75

Meu velho portão de ferro,

que te emperraste na lida...

igual a ti , eu me emperro,

no "abrir e fechar" da vida...

76

Diz-me a razão: "Renuncia...

Essa paixão é o fracasso!"

E o que até louco faria,

louco de amor, eu não faço...

77

Muito saber que deslumbra,

e cujo brilho norteia,

vem do estudo na penumbra,

à luz frouxa da candeia...

78

Busca em vão e luta inglória,

por maior que seja a fé,

entram, no livro da História

nas notas de rodapé.

79

O mundo não vai mudar..

Cada vez mais está cheio

de gente que faz pomar

regado a suor alheio...

80

Seus erros não minimizes,

nem o mal que os acompanha.

- É de deslize em deslize

que vem abaixo a montanha.

81

Metro a metro, milha a milha,

ensinou-me a caminhada:

primeiro se rasga a trilha

e depois abre-se a estrada...

82

No paiol da minha vida,

não há grãos em abastança,

mas, mesmo em safra perdida,

sobra o trigo da Esperança,

83

Para a "sede de saber"

há no mundo água abundante.

Para a "sede do poder"

água nenhuma é bastante...

84

Vive o mundo, hoje, perplexo,

um tempo demolidor,

em que a volúpia do sexo

destrói o encanto do amor.

85

A dura escolha não tema,

que ela encoraja a viver.

- Pior que um triste dilema

é não ter o que escolher ! ...

86

Importuno e impertinente,

o desejo insatisfeito

sempre foi, literalmente,

meu "inimigo do peito"...

87

Nosso amor é, neste ensejo,

brasa oculta em cinza quente.

-Basta um sopro de DESEJO,   (Friburgo 1996)

e arde em fogo, novamente...

88

Se o que sou nem sei direito;

se nem de mim sou senhor,

qualquer dúvida eu respeito,

a respeito do que for.

89

Mais vibrantes, mais risonhos

a palpitar de inquietude,

diferem dos outros sonhos

os sonhos da juventude!

90

Muito raro é que ela esteja

onde a gente a vai buscar...

- Ventura é cigana andeja,

que não esquenta lugar...

91

Aproveite, em seu "agora",

cada minuto vivido.

- O próprio tempo deplora

sentir-se "tempo perdido"...

92

À margem da encruzilhada,

sem ser visto no afazer,

o destino escolhe a estrada

que a gente pensa escolher..

93

Ao pobre do bóia-fria,

que trabalha, em rude encargo,

por dolorosa ironia

cabe o trigo mais amargo.

94

Nosso amor não tem conserto...

Para atender-lhe os reclamos,

vamos de acerto em acerto

e nunca nos acertamos...

95

Perdeu, bem cedo, o recato...

"culpada!" - o mundo conclui.      (Pouso Alegre 1998)

Mas terá culpa o regato

quando a enxurrada o polui?...

96

Num desafio evidente

à descrença dos ateus,

na pequenez da semente

cabe a grandeza de Deus.

97

Meu peito, ao fim da jornada,

sem mais a chama de um rogo,

parece chão de queimada

depois de passado o fogo...

98

Circo novo na cidade!

- No poleiro, a dar risada,       (10º lugar em Fortaleza/CE - 1987)

olhem lá minha saudade

no meio da garotada!

99

A glória dos homens brilha

Com fulgor de eternidade

toda vez que uma Bastilha

cai aos pés da liberdade!

100

Não te esqueças, otimista,

de lembrar, no teu anseio,

que, entre o desejo e a conquista,

há sempre pedras no meio...

101

Lembrem-se as almas votadas

a se dar com devoção:

- de nada valem mãos dadas,

se os corações não se dão.

102

No rubro céu da alvorada,

um ponto pisca e alumia...

- É uma estrela embriagada        (Menção Especial Pouso Alegre, 1995)

que volta da boemia!...

103

A má jogada foi minha ...

e ao te perder, na partida,

jogo um xadrez sem rainha,

no tabuleiro da vida ...

104

Não preciso de outro meio

de busca à felicidade.

- já sou feliz só no anseio

de ser feliz de verdade...

105

Cultiva, jovem, teus sonhos,

com o ardor da tua idade,

que a vida só tem, risonhos,

os sonhos da mocidade!...

106

Sentindo, a cada manhã,

o meu tempo mais restrito,

tento adiar o amanhã

vivendo um hoje infinito.

107

Nosso amor já estava findo...

E o mais triste, na tragédia,

foi vê-la dizer, sorrindo,

que se acabara a comédia...

108

Alerto sempre a quem possa

mirar-se em meu amargor,

que é fatal a "vista grossa"

quando o deslize é de amor..

109

Em nosso lar, briga é rara,

e o segredo eu conto aqui.

- se um dos dois amarra a cara,

o outro, em revide, sorri...

110

A um sonhador do meu tope

nenhuma estrada preocupa.

Monto o pingo e abro o galope,

com meu sonho na garupa...

111

Nosso acerto de parceiros

que já se amaram, um dia,

é igual, hoje, ao dos ponteiros

na hora da Ave-Maria...

112

Estranham todos que eu cale,

sem fazer dela uma queixa.

Insistem... querem que eu fale.

- Mas meu coração não deixa !...

113

A bondade é uma semente

que dá floradas de graça.

- Pena seja, infelizmente,

de plantação tão escassa ...

114

Sofro de "impulso assassino",

que foge à minha vontade.

Quando vem... não me domino   (Friburgo 2000)

e pego a "matar saudade".

115

Ah! meu peito... Esta saudade...

Quero que a expulses, que grites...   (Friburgo 1989)

Tu lhe deste intimidade

e ela passou dos limites!...

116

Na humildade nasce a fonte...

Mas tem fibra - e segue além!   (Friburgo 1989)

- É seu limite o horizonte,

e pedra alguma a detém!...

117

Ninguém julgue exagerado

o remorso que o tortura.

- É grande porque o pecado     (Nova Friburgo 1997)

era da mesma estatura...

118

Zerando ofensas e afrontas,      (2º lugar em Pouso Alegre - 1994)

o beijo é o mago auditor

que faz o ajuste de contas

depois das brigas de amor!

119

Cai a noite... Seu negrume,

mercê de um mistério estranho,     (1. lugar Pouso Alegre 2000)

faz de um ínfimo queixume

um lamento sem tamanho...

120

Perante a Divina Luz     (1. lugar Pouso Alegre 2000)

a ciência se ajoelha

pois, sendo sábia, deduz

quem lhe acendeu a centelha...

121

Ao jardim da velha fonte,

que o viu nascer, tão de perto,         (3º lugar em Pouso Alegre - 2002, "namoro")

por Deus, querida, não conte

que o nosso amor não deu certo...

122

Mostro sempre, com ternura,       (Fonte: "Trovia")

um tesouro que guardei:

a cartilha de brochura

na qual me desemburrei...

123

Contra o plantar negligente,      (Vencedora em Curitiba-2003)

que semeia sem cuidar,

a vingança da semente,

simplesmente, é... não vingar!

124

Nosso amor ganha em fascínio,            (Menção Honrosa Niterói - 1995)

quando opões, por fantasia,

ao meu pretenso domínio,

uma doce rebeldia...

125

Uma das mágoas, apenas,

que à minh’alma são pesadas...             (Nova Friburgo - 2004)

faria leves as penas

até das almas penadas...

126 

Nós fomos tão hesitantes                  (co-vencedora em São Paulo - 1993)

e tão covardes, os dois,

que o nosso amor morreu antes,

pelo medo do depois...

127

Na infância, o sumo interesse:            (co-vencedora em São Paulo - 2006)

- calças longas, sem demora!...

(Ah! se a vida devolvesse

as calças curtas de outrora!...)

128

Sabem os homens argutos                   (Menção Honrosa em Sete Lagoas - 2000)

como usar as “descobertas”:

- das boas colhem os frutos...

e, das ruins, os “alertas”.

129

Vista seda ou popeline,

seja Amélia ou seja Inês,

toda mulher se define

no dia em que diz: "Talvez!..."

130

Cai a chuva no telhado,

preguiçosa... pingo a pingo.

O garoto desolado:

- Lá se vai o meu domingo!...

131

Para a mulher já madura,

o dia do aniversário

é uma data de amargura

na tábua do calendário...

132

Há risos na consciência

e festa no coração

de quem concede clemência

a quem merece perdão.

133

Quando a voz do instinto, rude,

sobrepuja a da razão,

o mundo perde em virtude

e acresce... em população.

134

Dos novelos do passado,

se puxo um fio qualquer,

acabo sempre enredado

numas tranças de mulher...

135

Ao recordar, uma a uma,

as mil mulheres que amei,

vejo, triste, que nenhuma

me deu tanto quanto eu dei...

136

Vendo a pomba fazer ninho

no beiral do meu telhado,

que saudade do cantinho

onde vivi ao teu lado!...

137

Um sorriso de ternura...

uma palavra... uma queixa...

Há sempre algo,que perdura,

de uma mulher que nos deixa!...

138

É uma lágrima sentida

que toda mulher enxuga:

- a que lhe roga, escondida,

por sobre a primeira ruga...

139

Não parta, saudade, agora...      (XIII Salão Campista de Trovas - 1983)

Não fuja... E sabe por quê?

- Maria se foi embora...

- Maria agora é você!...

140

Campeia tanta impostura

por esse mundo insensato,

que é comum, hoje, a moldura      (10º lugar em Fortaleza - 1976)

valer mais do que o retrato.

141

Ouço a fonte em seu lamento        (premiada III Jogos Florais da Guanabara - 1972)

e não me custa entender

que o canto é o velho argumento

quando há pedras a vencer...

142

 Rezou... E veio um chuvisco,                          (co-vencedora em Niterói - 1980)

reviçando o mataréu.

- a prece foi como um cisco

nos olhos puros do Céu!...

143

Graças à mão da lembrança,              (co-vencedora em Rio Novo/MG - 1997)

que lhes reacende o estopim,

meus busca-pés de criança

correm sempre atrá se mim...

144

Pelos homens maltratada          (14º lugar em Taubaté - 1992)

no próprio seio ferida,

a Terra, sem pedir nada,

tudo lhes dá para a vida.

145

Por nós, homens, maltratada,      (M. Especial em Pinda - 2005)

 no próprio seio ferida,

 a terra, sem pedir nada,

 tudo nos dá para a vida.

146

A saudade é feridinha

que nunca chega a sarar.

Vai-se formando a casquinha

e a gente põe-se a coçar.

147

A Saudade fere a gente                        (Nova Friburgo, 1984)

com um punhal singular:

- penetra tão docemente,

que a gente ajuda a empurrar!...

148

Gestos largos, verbo em fogo,     (Nova Friburgo 1985)

aceso na própria ira,

inflama-se o demagogo,

e o povo, ingênuo, delira...

149

O melhor do nosso amor,

doce torneio encantado,

foi quando eu, conquistador,    (Nova Friburgo 1986)

fui por você conquistado...

150

Pelos olhos da velhice,

onde a névoa predomina,   (Nova Friburgo 1991)

passa o trem da meninice,

que rompe qualquer neblina.

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 HUMORÍSTICAS



01

Dieta balanceada?!...

E a velha, de jeito manso,     (1. lugar Nova Friburgo 2001)

só come, agora, sentada,

na cadeira de balanço!

02

O barnabé desatento,

no "buraco" um viciado,

torna o mísero orçamento

ainda mais esburacado.

03

Ao cair, viu, a caipira,

ante a risada geral,

que, entre as peças que vestira,

não vestira a principal!

04

A peça era "O Temporal",

e a sogra, atriz, fez "O Raio".

Diz o genro, triunfal:

- não precisou nem de ensaio!

05

Quando a mucama avoada

apareceu com enjôo,

Sinhá comentou, zangada:

- Sinhô já deu outro vôo!

06

O casório foi desfeito

pela noivinha roceira.

- O noivo não tinha jeito

nem para abrir a porteira!

07

Jogar sinuca é o seu fraco;

em qualquer jogo ele arrasa;

mas anda a espirrar-lhe o taco,

toda vez que o "jogo" é em casa...

08

O bigode, lambuzado,

diz ao nariz: "poxa, meu,

você pega resfriado

e quem se dana sou eu"!

09

A lona da barraquinha

dos noivos, no acampamento,        (1º lugar em Fortaleza/CE - 1987)

tremeu a noite todinha,

naquela noite sem vento...

10

Certas frígidas "titias",

sob os babados e toucas,

têm o fogo e as calorias

que um fogão de doze bocas.

11

Ganhando pobre salário,

ficou rica. A explicação?

- O Chefe tem um aquário,

e ela é um tremendo "peixão"!...

12

Tem cabelo só dos lados;

mas como há jeito pra tudo,           (5º lugar em Nova Friburgo - 1996)

ele faz uns repuxados

e é um... careca-cabeludo !

13

O jovem par quando vai

pra rede, e começa a dança,

cair, a casa não cai,

mas que balança ... balança!

14

Pra bem começar a prole,                               (M.Especial Friburgo 1998)

a caipira ao noivo atiça:

"é ocê daí num vim mole,

que daqui num tem priguiça..."

15

Cheinho o bar.. lá da praia,

que vexame deu a Lara:

- O seu "tomara-que-caia"

não ficou só no ... tomara...

16

No trambique entrou, bonito,           (2º lugar em Nova Friburgo - 1997)

o inocente lisboeta:

alguém, dono de um cabrito,

vendeu-lhe "azeitona preta"...

17

A pesca não deu em nada;

o peixe passou distante...

- É que a minhoca, gripada,

espirrava, a todo instante...

18

Diz o velhinho, já farto

de ver dançar a lambada:

"Já fiz isso... mas no quarto

e de porta bem fechada."

19

A mulher ia ao bel-canto

e o marido à conferência.

- O encontro dos dois, portanto,

no forró - que coincidência!

20

O pau quebrou, na baiúca,

Quando a emproada dondoca,

cheia de grilos na cuca,

achou um grilo na coca.

21

O preguiçoso suplente           (5º lugar em Nova Friburgo - 1998)

Avisou à companhia:

- se morrer o presidente,

eu "morro" no mesmo dia.

22

No "aperto" por que passou,

andando de lá pra cá,

Sinhá viu que exagerou

no dendê do vatapá.

23

"Fui à pesca" - informa o "gay"

a um outro, que diz, de estalo:

"Que maravilha!... Já sei:

- só pescaste peixe-galo...

24

Quase dormindo, ele disse:

"Que gostoso, Salomé!"

Foi seu azar: era Alice

quem fazia o cafuné!

25

Quando em frente à sinagoga

um níquel no chão rolou,

até o rabino fez ioga,

no bolo que se formou.

26

Pra fugir do casamento,     (Nova Friburgo 2000)

o noivo, meio "frufru",

alegou como argumento

"vergonha de ficar nu"!

27

Quando nas cartas mostrou

"um homem dentro do armário",

a cigana embaralhou

a vida daquele otário.

28

Ao ler, na fábrica, o aviso

dizendo: "vagas não á',

. (Rio de Janeiro 1983) comenta alguém, num sorriso:

- Nem para o emprego do "H"?

29

Não tem razão meu compadre

no ciúme que o corrói:

- além de honesta, a comadre

é séria e feia que dói!

30

"Um prodígio o seu arranque     (Nova Friburgo 2002)

a dois metros da chegada!"

E o vencedor, meio manco:

"Prodígio foi a topada..."

31

Por topadas em excesso

- um tormento em seu caminho –     (Nova Friburgo 2002)

o dedão abriu processo

contra os olhos do ceguinho.

32

Doente, a velha cegonha

recusa trabalhos duros.

E pra não passar vergonha

só carrega ... prematuros.

33

A doutora em Geografia,                                       (Pouso Alegre - 2002)

na noite do seu casório,

sofreu o que chamaria

“invasão de território”.

34

A pesca não deu em nada;              (co-vencedora no Rio de Janeiro - 1994)

o peixe passou distante...

- É que a minhoca, gripada,

espirrava, a todo instante...

35

É montanhista de fama,

mas dele a vida debocha.            (Menção Especial em Juiz de Fora - 1983)

Por ironia, se chama

Caio Rolando da Rocha!

36  - "Teimosia"

No ribeirão, afogada,

morreu a sogra do Lima.         (co-vencedora UBT Rio de Janeiro - 1990)

Tão teimosa era a danada,

que o corpo foi rio acima!

37  -  "Teimosia"

O  casal teimava até

na hora em que não devia.      (co-vencedora UBT Rio de Janeiro - 1990)

E, devido ao "é não é",

é que nada acontecia.

38

Provocador e brigão,

o General de Brigada,

sempre que arma confusão,     (Nova Friburgo 2003)

ela é... generalizada.

39

Na casa do casal velho,

a confusão é total:

-lê-se o jornal no Evangelho;     (Nova Friburgo 2003)

e o evangelho, no jornal.

40

Velho par, na academia,

é ímpar na confusão:

-foi de sunga à confraria     (Nova Friburgo 2003)

e à praia foi de fardão!

41

Motel chique... Olha o marido!!!     (Nova Friburgo 2003)

E a confusão foi tão feia,

que blusa virou vestido,

e sutiã virou meia.

42

Flagrado, na contramão,     (Nova Friburgo 2003)

no quarto da serviçal,

o vivaldino patrão

fingiu "confusão mental"