Therezinha Dieguez Brisolla

          THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA, nascida em São Carlos/SP, a 12 de julho de 1932, professora aposentada, ingressou no mundo da Trova em 1984, pelas mãos do "Magnífico Trovador" Helvécio Barros. É uma das fundadoras da Academia Bauruense de Letras. "Magnífica Trovadora" por Nova Friburgo no gênero humorístico. Pertence à UBT São Paulo, onde ocupa cargo diretivo. Uma das mais atuantes trovadoras do país. Sua galeria de troféus ocuparia um apartamento inteiro.

TROVAS HUMORÍSTICAS

Gritei: “- Pare, seu Joaquim”,
quando o trem apareceu...
Ele ainda olhou pra mim,
falou: “Ímpare!” e morreu...

Quando a vida se distrai
ou dá tudo ou tudo nega;
Rico, pega o carro e sai...
pobre sai – e o carro pega!

Diz ao dançar, enfadonha:
- Você sua !!! ... O Zebedeu,
Bem caipira e com vergonha,
Diz baixinho : vô sê seu !!!

Vendo a grana do "pamonha"
ela diz, baixando o olhar:
- Num motel tenho vergonha!
Só se for... familiar.

"Zerou" no vestibular !!!
Com vergonha, ela tremeu,
disse ao pai, pra disfarçar:
- Sabe a última ? ... Sou eu !

Quando a esposa entra no mato,
Sem vergonha... toda afoita...
O Matos se faz de "pato"
E espera o flagra... "na moita".

Pára, o Luso, ao ver a farda...
- Cadê a carta ?... Quero ver...
- Mas que vergonha, seu guarda !
Eu fiquei de lhe escrever?!

Querendo ver o acidente,
ele abriu caminho a murro...
Foi dizendo: "Sou parente"...
Mas quem morreu foi um burro!

O bombeiro subalterno
morreu... e o céu foi seu rogo...           (co-vencedora UBT SP - 2007)
Mas, foi mandado pro inferno
porque no céu... não tem fogo!!!

Ao vir "de fogo" recua
gritando, após a topada:                      (co-vencedora UBT SP - 2007)
- Que faz um poste na rua
às duas da madrugada?!

Na "guerra" pela conquista
de um bom salário, valentes,
a manicure e o dentista
lutam "com unhas e dentes"!

Chega tarde, o companheiro
e ao ver tanta grana, exclama:
- Como ganhaste o dinheiro ?!
Passas o dia na cama!!! 

Foi o bebum "muito esperto",
como eremita... e está crente
que, no calor do deserto,
o oásis é de àgua... ardente!!!

Gera corrida e surpresa,
notícia mal pontuada:
"A Mulata Globeleza
visita a Serra Pelada"!

Pra casar, fingiu carinho
e ao tornar-se sua herdeira,
encomendou pro velhinho,
um "pijama de madeira".

Ele explica:- Eu fui pra cama,
tava escuro ... (o moço enrola... )
e em vez de pegar pijama
eu pe...gay, a camisola!

Se põe pijama listrado,
de "zebra" a mulher o chama...
E alguém explica ao coitado:
"Zebra...é um burro de pijama"!

Com beijo e mordida engana                 (Menção Honrosa  Peruíbe - 2000)
a ricaça, o boa vida.
Casado, só quer a grana...
Não tem beijo... só “mordida”!

 

===============================

LÍRICAS, FILOSÓFICAS E OUTRAS

Caminho, mantendo acesa
a chama da sensatez,
na  estrada em que, com certeza,    (10º lugar Caicó - 2008)
não passarei outra vez.

Comparo a um pano rasgado           (Venc. Conc. Guilherme de Almeida/SP 1990)
esse amor ao qual me rendo:
quando parece acabado,
um de nós faz o remendo. 

A travessia é mais triste
se, no meio do caminho,
nossa esperança desiste
e a gente segue sozinho.

Tantas juras... de mãos dadas!
Mas a vida, em seus desvãos,
ao namoro armou ciladas
e separou nossas mãos!

Eu olho a rua e, se o vejo,
a razão já sai de perto.
Fecho a janela... e o desejo
esquece o cadeado aberto!

Eu rezo ao beijar meu santo
mas minha oração, de fato,
não chega ao céu... (não me espanto!).     (Venc. Museu Anchieta 1997 SP)
O meu santo... é o teu retrato!


Por mágoas que me consomem,
hoje eu culpo os erros meus.
Ele era apenas um homem...
fui eu que fiz dele um deus!

Nesta vida alucinante
e de ilusões passageiras,                     (4o. lugar-Friburgo-2000)
às vezes, um breve instante
vale mais que horas inteiras!

Em preto e branco, no entanto,
instantes por nós vividos,                    (Menção Honrosa-Friburgo-2000)
nas fotos têm tal encanto
que eu os vejo coloridos !

Ao inventar meus deslizes,             (Menção Honrosa Guaxupé/MG  1999)
teu ciúme, injusto e louco,
abre novas cicatrizes
e mata o amor... pouco a pouco.

Eu lutei quando quis ter
teu amor... e o consegui!...
Depois, eu quis te esquecer                                 (Venc. Niterói 1999)
e esse combate... eu perdi.

Por meu pranto... por meus ais...
por meu viver infeliz...
sei que saudade é bem mais
do que o dicionário diz!

O meu coração me intriga
e só me traz confusão...
Toda vez que a gente briga                      (MH Bandeirantes 1993)
quero esquecer-te ... e ele não!

Suas cartas, quase em tiras,        (Menção Especial UBT SP - 1989)
leio em segredo e me fere,
procurar entre as mentiras,
aquela que diz: - Me espere!

Não abro a última carta....
Seja a notícia qual for,
sei que não vens... e estou farta
de ler mentiras de amor!

Faz promessas... sei que mente...
Mas, desta vez - que maldade! -
disse adeus e, infelizmente,
desta vez... disse a verdade!

Suas vindas... são surpresas!...
Faz juras... se contradiz...
E é esse amor, sem certezas,
que há muito me faz feliz!

É noite!... a cama arrumada...
O rádio de pilha mudo...
Sua foto... e, nesse 'nada',
a sua presença... em tudo!

Eu acendo a vela benta
e, com fé, beijo a medalha
mas, quando você me tenta,
meu anjo-da-guarda... "falha!