SÉRGIO FERREIRA DA SILVA - São Paulo
Jovem e competente trovador de São Paulo/SP, nascido em Santo André, em 05 de junho de 1963. Bacharel em Direito - Graduando em Letras. Prêmios mais importantes: Revelação (1997) – União Brasileira de Trovadores (UBT)/SP. Confraternização de Trovadores Paulistas (2000) – UBT – Seção Santos/SP – Categoria Estadual - 1° lugar. Magnífico Trovador (Título Honorífico) nas categorias Lírica/Filosófica e Humorismo (2002 – Nova Friburgo/RJ).
TROVAS LÍRICAS / FILOSÓFICAS
Escrito de próprio punho, (1º lugar Concurso dos Magníficos - Friburgo/2009)
mas na gaveta guardado,
o meu amor é um rascunho
que nunca foi publicado!
No compasso das batidas, (uma das vencedoras em Nova Friburgo 2005)
o meu coração suplica,
pelo bem de nossas vidas:
Fica...ca! Fi...ca! Fi...ca! Fi...ca!
“Sempre tua...” e, em meus palpites,
eu suponho, um tanto louco,
que, em meu amor sem limites,
“Para sempre...” é muito pouco!
Em minha infância, eu fazia
ser, meu sonho, tão real,
que uma fazenda cabia
no fundo do meu quintal!
Em noites de nostalgia,
quando a rimar eu me atrevo,
tua ausência, em parceria,
dita os versos que eu escrevo !
Tentar desfazer as mágoas
que o meu peito guarda e sente,
é como querer que as águas
corram da foz... à vertente!
Tua alma desperta em mim (Nova Friburgo - 2004)
tanta calma e tanto ardor,
que, se o amor não for assim,
eu mudo o nome do amor!
Choveu... e, agora, a enxurrada (Nova Friburgo - 2004)
leva as coisas, feito alguém
que, ao partir, numa alvorada,
levou minha alma,... também!
No curso de nossas vidas (Nova Friburgo - 2004)
por diferentes estradas,
nossas almas, distraídas,
continuam de mãos dadas.
Este teu querer incerto, (Nova Friburgo - 2004)
imprevisível demais,
fez de minh'alma um deserto,
com chuvas... ocasionais.
Do sonho compartilhado,
agora, somente resta
um convite, amarelado,
marcando o dia da festa...
Nas noites frias, um drama
que a miséria perpetua :
alguns chamarem de cama,
o que outros chamam de... rua !
Nos braços da noite calma,
entre lençóis e desvelos,
sinto que afagas minh'alma,
quando afagas meus cabelos...
Cansado dos desatinos,
o mundo roga que Deus
torne a paz dos palestinos
igual à paz dos judeus!
Por ser humana, a inconstância
induz ao erro e ao rancor,
tornando curta a distância
entre o réu... e o julgador !
Depois de tantas tristezas,
tantas promessas e ausências,
eu grafo as tuas “certezas...”
com aspas e reticências.
Transformei meus descaminhos
em fortunas grandiosas:
quem não navega entre espinhos,
não encontra o Mar de Rosas!
Vão meus sonhos, num batel,
buscar certezas... Em vão:
os meus barcos de papel
são, apenas, o que são!
Nada mais nos aproxima...
e, nessa ausência de afeto,
nós somos trova sem rima ( Pouso Alegre 2003)
e sem sentido completo!
Alguns homens, imprudentes, (co-vencedora em Peruíbe - 2000)
fazem lembrar certos rios:
nascem em boas vertentes,
mas se perdem... nos desvios!
Essa ternura que exalas,
e os meus receios acalma,
faz um vôo, sem escalas,
da tua pele... à minh’alma!
Os poetas e os vulcões
têm almas de mesma essência:
a calma em seus corações
é calma... só na aparência.
Amigo é aquele artesão
que, sem receios, lapida (Fonte: "Mensagens Poéticas")
com o cinzel do perdão
as pedras brutas... da vida!
TROVAS HUMORÍSTICAS
A sogra entrega o genrinho (trova vencedora em Nova Friburgo - 2005)
ao faminto canibal:
“Cuida dele com carinho...
mas... vê se tá bom de sal!”
Tô faminto... e não tem bóia! (trova vencedora em Nova Friburgo - 2005)
Eu num guento esse jejum!!!
Fome Zero??? Uma pinóia:
minha fome... é MENOS UM!
- Que fome, mãe! Tem comida? (trova vencedora em Nova Friburgo - 2005)
- Temos sopa de letrinhas...
Grita a filha mais sabida:
- As maiúsculas são minhas!
No banheiro do armazém,
um gemido longo... e agudo... (Nova Friburgo - 2004)
e o marido: “Tudo bem???”
E a mulher responde: “Tuuuu...do!”
Alheia ao calor eterno,
a Sogra, por vocação, (1o. lugar - Friburgo-2001)
tão logo chegou no Inferno,
assumiu... a Direção !
Pergunta o Demo,descrente:
"- Tanto calor, não te arrasa?" (M. Honrosa-Friburgo-2001)
E o pecador diz : "- Óxente,
eu tô me sentindo em casa !"
Diz o dentista: - Está pronta... (co-vencedora em Peruibe - 2000)
a dentadura escolhida!
E a velhinha, ao ver a conta:
- Nossa, doutor, que “mordida”!
Trambicando a todo instante, (Nova Friburgo 1997)
Jacó, na esmola, revolta:
pois, usando de um barbante,
puxa a moeda de volta !
Ao chegar no beleléu,
mostra, o bebum, seu espanto:
“- Não tem boteco no céu ?
E as pingas que eu dei pro santo ?!?”
Uma receita eu preparo
e um gato me desanima:
chega perto,... apura o faro...
e joga areia por cima !
Caloteiro – e bem sacana! – (co-vencedora UBT SP - 2003)
não tem vergonha na cara:
até quando paga em grana
cola um papel de “BOM PARA”...
SÉRGIO FERREIRA DA SILVA
“Me diga, velha cigana
(que sabe a sorte do mundo), (co-vencedora UBT SP - 2003)
o que eu faço pra ter grana???”
- Vai trabalhar... vagabundo!!!
“Não tenha pressa, querido,... (co-vencedora UBT SP - 1998)
meu marido ainda demora !”
E apanhou : ... era o marido
que estava com ela, agora...
Domingão tradicional...
e eu num canto, desolado,
lembro que Adão foi o “tal”,
sem sogro, sogra, ou cunhado !
Caloteiro e bem sacana! - ,
não tem vergonha na cara
e, até quando paga em grana,
cola um papel de "BOM PARA..."
Leve, Noel, com cuidado,
desde que o saco suporte,
minha sogra e meu cunhado
pr’os quintos... do Pólo Norte!
O coveiro disse, enfim:
“Não quero ser encrenqueiro...
Eu enterro a sogra, sim,...
Mas,... tem que morrer primeiro!
Na gravidez, minha tia
queria (tanto)uma filha,
que o meu priminho, hoje em dia, (Menção Especial Peruíbe - 1999)
adoooora... usar sapatilha!
Na rede a freira medita,
mas outra lhe diz, do leito:
“Durma com Deus, Benedita !
“É o jeito, querida, é o jeito...”
Dois bêbados, num boteco:
- Esse "treco" me fez mal...
- Qual o nome desse "treco" ?
- "Não-sei-o-quê..." mineral !
A minha sogra me deu
um troféu e uma medalha...
e, no diploma, escreveu:
"VENCEDOR - TEMA: CANALHA"
Explica, num memorando,
ao chefe: “Pintou um clima:
A Raimunda foi passando...
e eu passei a mão... na rima!”
O especialista em micróbio
explica, todo pomposo :
“Dá-se o nome de macróbio,
ao micróbio mais idoso !”
Quando a Morte, então, chegou
trazendo o eterno conforto,
o preguiçoso exclamou :
"Passa amanhã, que eu tô morto !"
No velório, a confusão
quando o genro, num rompante,
chegou com pinga, limão,
cerveja e refrigerante!
Na prova de português,
dançou, colando, o guri:
“Joãozinho, o que você fez?”
“Eu tava fora... de si!”
Com vontade, o velho espia
os contornos da beldade...
mas a vontade, hoje em dia,
já não passa de... vontade!
O abismo: convidativo... (Menção Honrosa Garibaldi/RS 2002)
A sogra: na beiradinha...
O momento: decisivo...
e a sogra: não era a minha!
