Campos Sales

Campos Sales, trovador de São Paulo-SP, tornou-se "Magnífico" em trovas humorísticas a partir de 2002. Além de trovador, compõe, com Pedro Ornellas, a dupla sertaneja "Trovadores do Campo".

 

2000 – CALOR (2º lugar)
Se queixando do calor,
no consultório a gatinha,
- Ponho onde a roupa doutor?
- Deixa ali perto da minha...

2001 – RECEITA  (2º lugar)
A receita é de colírio
mas o bebum se apavora
e lê, cheio de delírio:
- pinga, só uma vez por hora?

2002 – BOTECO (3º lugar)
Boteco é a maior desgraça,
grita o padre em tom agudo;
acabem com a cachaça,
grita o bebum- eu ajudo!

No beco, os dois às escuras,                         (Venc. Bandeirantes 1996 - Beco)
depois da orgia tão louca,
notaram que as dentaduras,
tinham trocado de boca!

- Custa essa grana o motel?               (Concurso da UBT SP - 2004)
-É cinco estrelas, meu bem.
- Então vamos pro “moitel”,
lá estrela é o que mais tem.

 

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LÍRICAS E FILOSÓFICAS

Sem precisar das imagens
ou linguagens que os ensinem,
os olhos trocam mensagens      (1° lugar Friburgo 2007)
que as palavras não definem.

Na solidão da moldura,
ainda vejo em teu olhar,      ("Retrato" - Magé 2005)
o momento em que a ternura
se deixou fotografar.

No silêncio da moldura,
ainda vejo em seu olhar,      ("Silêncio" - RJ 2005)
o momento em que a ternura
se deixou fotografar.

Teu retrato desbotado
que há tanto tempo perdura,    (Menção Especial em Niterói, 1994)
é um perfil do meu passado
na solidão da moldura!

Angústia que a um pai consome,
e do olhar rouba-lhe o brilho,                  ("Angústia" - Peruibe-1999)
é ver a cara da fome
na cara do próprio filho!

A mágoa que a um pai consome,
e do olhar rouba-lhe o brilho,                      ("Pai" - Pouso Alegre 2001)
é ver a cara da fome
na cara do próprio filho!

Nem a esperança conforta
o pai que vê, com tristeza,                          ("Esperança" - Pouso Alegre 1999)
a fome rondando a porta,
querendo sentar-se à mesa!

Só Deus conhece a tristeza,
de um pai que lutando em vão,                 ("Pão" - 5º lugar Magé - 2008)
vê a fome rondando a mesa,
e a mesa faltando o pão!

Ao menor abandonado,
que ávido um prato consome      ("Pecado" - S.Paulo 2003)
a gula não é pecado,
o pecado é passar fome!

Distante de quem adoro
minha alma triste se queixa,
tento fingir que não choro,
mas meu semblante não deixa!   (Bandeirantes 2000)

Lágrimas dos sonhos vãos,
já não guardam meus segredos,              (Menção Especial Peruibe - 2000)
se escondo o rosto nas mãos,
elas vertem entre os dedos!

O pranto do amor desfeito,
motivo do meu desgosto,
rompe a barragem do peito       ("Motivo"13º lugar Friburgo - 2005)
e se esparrama em meu rosto.

O adeus foi breve, no entanto,
naqueles olhos morenos,       ("Aceno" - Pouso Alegre 2002)
uma gotinha de pranto
falou bem mais que os acenos.

Quando os olhos rasos d'água
fazem do rosto a vertente,       (2o.lugar Friburgo 2004)
parece que toda a mágoa
busca refúgio na gente.

Ao luar de tantas luas,
minha São Paulo querida,     (SÃO PAULO/2004)
fiz, somando as suas ruas,
a estrada da minha vida!

Nos telhados da cidade
a garoa não cai mais,       ("Garoa" - São Paulo - 2004)
somente a minha saudade
ainda escorre dos beirais!

Quando o vento em tarde calma,
teu rosto toca mansinho,      ("Alma" - São Paulo 2003)
saiba, meu bem, que é minha alma
que vem fazer-te um carinho.

Meu sonho se foi com ela,
e no vazio que resta,
a saudade abre a cancela
e a solidão faz a festa!

Sei que esquecê-la é preciso,
mas a esperança perdida
vai apagando o sorriso
no rosto de minha vida!

Mulher por Deus concebida
é o fruto que ao mundo veio,      (Fruto" - Belém 2002)
trazendo a fonte da vida
na vida do próprio seio.

Foi juntando os pedacinhos
de um velho sonho desfeito  ("Ninho" - RJ 2005)
que as mágoas fizeram ninhos
na varanda do meu peito...

Quando o tempo bate à porta
e a saudade invade o peito,      ("Cansaço" - Niterói 2004)
cansaço a gente suporta,
mas, solidão não tem jeito!

Detalhe triste e sombrio
é o rastro que alguém deixou
na lama seca do rio       ("Detalhe"-5º lugar - Friburgo 2001)
que a seca também matou!

A lama seca rachada
lembra as malhas de uma rede,     (M. Honrosa Itaocara 2006)
na paisagem desolada
de um rio morto de sede!

E o Pai por saber de cor,
dos meus erros consumados,      (Pouso Alegre 2001)
fez o seu perdão maior
que o maior dos meus pecados!

A minha lembrança insiste,
de uma maneira indiscreta,     (Pouso Alegre 2003)
em ser uma rima triste.
nos versos deste poeta!