J.G. de Araújo Jorge

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    Quem nunca ouviu falar de J.G. de Araújo Jorge?

Como poeta, um dos mais populares e dos mais lidos das últimas décadas. Ex-deputado federal. Na Trova seu trabalho ficou marcado quando, em histórica parceria com Luiz Otávio, criou os Jogos Florais de Nova Friburgo, cuja primeira edição se efetivou em 1960. Presença das mais requisitadas em todos os festejos trovísticos, tornou, com isso, a Trova ainda mais rica. Sua obra completa pode ser lida no site www.jgaraujo.com.br

J.G., que nasceu José Guilherme de Araújo Jorge, no dia 20 de maio de 1914, na Vila de Tarauacá, no Acre, filho de Salvador Augusto de Araújo Jorge e Zilda Tinoco de Araújo Jorge. E faleceu no Rio de Janeiro, em 27 de janeiro de 1987.  Recordista de vendagens de livros no Brasil. Lançou, ao todo, 36.



Rosas tolas, tão vaidosas,

que em belas hastes vicejam...

Vem, amor, olha estas rosas,

quero que as rosas te vejam!



A Vida, - mistério vão

sombra agora, depois luz,

- estranho traço de união

ligando um berço... a uma cuz!



Vive a vida bem vivida

e ao mais, esquece e releva,

que a gente leva da vida

a vida que a gente leva...



Ah, mãos tão frágeis, parecem

pedir arrimo e guarida...

E entretanto, se quisessem

guiariam minha vida...



Por duas Marias erra

meu viver de déu em déu:

- a que me perde, na terra,

- a que me me salva, no céu.



Ao ler uma bela trova

depois que pronta ficou,

- quem calcula a dura prova

por que o poeta passou ?



Tu tão moça, eu tão vivido...

Tantos anos de permeio.

- Bem poderias ter sido

o grande amor que não veio...



Neste dia belo e doce

de festa, - sentimental,

- quem dera que Você fosse

meu presente de Natal !



Nessa eterna e dura lida

renasço a cada momento

lavando as dores da vida

no rio do esquecimento...



Tu queres mais, sempre mais...

Sê comedido, prudente...

Até o bem quando é demais

acaba enjoando a gente...



Pobre alma triste e cativa!

E há quanta gente como eu

a pensar que ainda está viva

sem saber que já morreu.



Coração – pobre realejo –

com canções velhas e novas...

Tudo o que sinto, e o que vejo,

vais tocando.. . em minhas trovas...



No meu carro vou tranquilo,

tenha a estrada sombra ou luz,

pois bem sei que, ao dirigi-lo,

eu dirijo... Deus conduz!...



Ó minha mãe! Em teus cantos,

num grato e eterno estribilho,

bendigo a Deus que, entre tantos,

me escolheu para teu filho!



 



Moeda de estranho valor

que o coração faz cunhar:

quanto mais se gasta o amor,

mais se tem para gastar!

Quando maior é o carinho

às vezes, tenho a impressão

de que conversam baixinho...

tua mão... em minha mão...



Quanta prodigalidade!

Em poucos meses, querida,

gastamos felicidade

que dava pra toda vida!



Tudo é trova: a flor, a onda,

a nuvem que passa ao léu...

E a lua... trova redonda

que a noite canta no céu...



Diz que é rico... Pode ser...

Mas pode ser que não seja...

Ser rico é apenas poder

fazer o que se deseja...



Na despedida - com pressa -

escrever me prometeste.

Esqueceste da promessa

ou apenas me esqueceste?



Ah, quando escuto teus passos

meu coração se acelera,

que um só minuto em teus braços

compensa a angústia da espera!



Que eu não tenho coração

não és tu, sou eu que digo...

- Como hei de ter coração

se tu o levas contigo?



Do amor e da desconfiança,

infeliz casal, sem lar,

nasce o ciúme - essa criança

tão difícil de educar...



Mentiste. A felicidade

só mentida, assim se expande...

Nem podia ser verdade

felicidade tão grande!



Belos e cheios, marcados

por teu decote, adivinho

teus seios aconchegados

como dois pombos num ninho...



E eis a suprema ironia

ao meu coração ferido:

- tu foste trair-me um dia,

mas, com quem? - com teu marido...



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TROVAS DE SAUDADE

- "Quem espera desespera...."

- "Quem espera, sempre alcança..."

Ah, meu amor, quem me dera

esperar tendo esperança!



Definir a eternidade

é fácil, já a defini:

é o instante de saudade

e eu vivo longe de ti.



"Matar saudades", querida

é uma expressão, simplesmente,

pois, em verdade, na vida,

saudade é que mata a gente



Vi teu retrato, - revivo

um velho amor que foi meu...

A saudade é um negativo

de foto que se perdeu...



Saudade, - estranha ilusão,

que a solidão recompensa,

presença no coração

maior que a própria presença...



Quando estás longe, querida,

na minha angústia sem fim,

saudade é o nome da vida

que morre dentro de mim...



A saudade, intimamente,

devagarzinho nos rói;

é uma emoção diferente,

como uma dor que não dói.



Nesse jardim de surpresas,

que foi o amor que me deste,

as violetas são tristezas,

minha saudade, um cipreste.



No peito dos marinheiros

nasceu , cresceu, emigrou...

Mas nos porões dos "negreiros"

foi que a saudade... chorou!



Antes verdade isto fosse:

dizer que não penso em ti...

Mas basta ver-te, e acabou-se!

Me esqueço que te esqueci.



ALGUMAS TROVAS DE CARNAVAL:



Fantasia eu próprio sou

e há um contraste dentro em mim:

- carrego um velho Pierrot

num atrevido Arlequim!



Amor que tudo promete,

falso amor das Colombinas:

- juras e beijos: confete!

Abraços - de serpentinas!



Fui tudo para esse amor

belo, puro, cruel, devasso...

Fui pirata, fui pierrot,

fui arlequim, fui palhaço...



Foi Carnaval, riso e cor,

- menos sonho que alegria...

E o que restou desse amor?

Nada mais que fantasia.



No carnaval de verdade,

da vida não tive nada...

- Quem dera a felicidade,

nem que fosse mascarada!



Amor que pintou o sete

e em Carnaval se resume . . .

Foram meus beijos: confete!

Seus beijos: lança-perfume...



TROVAS PARA NOVA FRIBURGO:



"Jardins Suspensos" na serra

dentro da Serra do Mar,

é o céu mais perto da terra

que a gente pode encontrar...



Na palma da mão de Deus

fica Friburgo-a cidade

a quem ninguém diz adeus...

(Ao partir, se diz:saudade...)