Ivone Taglialegna Prado

     IVONE TAGLIALEGNA PRADO, natural de Paraguaçu, Sul de Minas Gerais, radicou-se em Belo Horizonte. Graduou-se em Letras. Sempre foi membro da UBT de Belo Horizonte. Faleceu em BH no dia 01 de agosto de 2022.

Quando a saudade passeia,

eu brinco, mesmo à distância,

com meu baldinho de areia,

no parque da minha infância.

Quando o sol abre a cortina

com suas mãos cortesãs,

despe da serra a neblina

que exibe o seio às manhãs! 

Foste embora... Enxugo o rosto...

Agora, bem decidida,

sem a saudade e o desgosto,

eu abro`as portas à vida!

Esta angústia que me invade,         (M.E. Pouso Alegre 2006)

num sofrimento sem fim,

é o relógio da saudade

batendo dentro de mim...

Partiste ... e pela distância,         (M. Especial Bandeirantes 1999)

não quiseste mais voltar...

Mandaste com arrogância,

a saudade em teu lugar...

Se o destino põe tristeza

e sombra em cada alvorada,

levo a fé, qual vela acesa,

e clareio a minha estrada...

Quebro o espelho do passado...       (M. Honrosa Curitibas, 2006)

Por utopia, a ilusão

faz teu vulto apaixonado

multiplicar-se no chão...

Nosso encontro em meu poente            (Vencedora no RJ, 2006)

teve o efeito da magia:

deixaste a aurora presente

quando eu já entardecia...



Ante a angústia que me alcança          (2º lugar Petrópolis, 2002)

nosso romance retrata

o cansaço da esperança

junto à espera que a maltrata.

Calmo e, às vezes violento,

este amor que nos inflama

é como o sopro do vento,

que atiça... ou apaga a chama!

Se buscas sempre a vitória,

combate sem agressão,

sem deixar que a luz da glória

ofusque a luz da razão!

Nosso ranchinho de palha...

a lua... a esteira e nós dois...

Não há no mundo o que valha                    (Niterói 2000)

nosso delírio depois...

Pelas planícies e serras,

se meu sonho se desfez,

nas paragens de outras terras

tento sonhar outra vez...

Galgaste os degraus da fama...

Chegaste ao pódio também...

Que esta luz que hoje te inflama,

não ponha sombra em ninguém!...

Na despedida, fingindo,

em silêncio me concentro:                     (M>Honrosa em Bandeirantes -2002)

a dor, disfarço sorrindo...

mas... como eu choro por dentro!...

Por favor, não digas nada

no momento da partida:

a saudade é mais pesada

com promessa não cumprida...

Saio da luta ferida...

Logo depois me refaço:       (4º lugar em Nova Friburgo - 2002)

Volto na dança da vida

com mais certeza em meu passo...

Teu retrato na fogueira               (Menção Honrosa Belém 1996)

eu queimei... como castigo,

o fogo deixou inteira

tua saudade comigo...

Voltei ... na casa vazia                (9º lugar Nova Friburgo 1996)

onde estreitamos os laços,

a saudade por magia

vem colocar-se em meus braços!...