HORA DE LAVAR ROUPA!

     Quando ingressei na União Brasileira de Trovadores: UBT, no final de 1998, atraía-me sobretudo essa tradição criada por Luiz Otávio, de todos se tratarem por “irmãos-trovadores”. O que de fato acontece. Há pessoas maravilhosas nesse meio.

     Por que “irmão-trovador”? O Patrono é São Francisco de Assis, sinônimo de humildade e fraternidade, o que por si só, explica tudo. Ocorre que, como em toda “família”, percalços existem. Quando alguém ingressa na UBT, ninguém obriga que o novo membro, para que faça jus ao ingresso, seja um protótipo de humildade e fraternidade. Se for poeta já será suficiente. Às vezes nem isso: basta-lhe gostar de trova e trabalhar por ela. Há muitos que nem acreditam em São Francisco (sic)...

     Razão pela qual, como em qualquer outra Entidade, não há (nem poderia haver) homogeneidade comportamental. O que não significa que eu tenha perdido o encanto pelo Movimento. Apenas me adaptei a ele. Noto, porém, mais acentuadamente em alguns membros do “antigo escalão”, que a ficha parece não ter caído. Há quem ainda ache que ninguém tem o intuito de atropelar ninguém, porque “somos todos irmãos”!

     Ora, mas os irmãos, para resolverem suas pendências não debatem e discutem entre si, tentando chegar a um consenso? O que não podemos é fingir que tudo está perfeito; fazer vistas grossas quando alguém age de forma inadequada, ferindo regras da Entidade e, com isso, passando por cima de outro “irmão”.

     Quem já teve oportunidade de ler a história dos Movimentos de Trova nas suas primeiras décadas, sabe das verdadeiras batalhas de egos que se travaram ao longo do tempo. Mesmo Luiz Otávio, nosso "Príncipe da Trova, "hoje tão enaltecido, sofreu incessantes bombardeios. E bombardeou também.

     Portanto, ‘irmão-trovador” sim: o tratamento é gostoso, aconchegante, mas, por favor, como em qualquer família, lavemos nossa roupa suja também. Por que não? É muito melhor do que desfilarmos com a roupa pelo avesso.
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O autor do texto é "Notável Trovador" por Pouso Alegre desde 2005, "Magnífico Trovador" por Nova Friburgo desde 2008 e titular da cadeira nº 33 da Academia Pindamonhangabense de Letras.