GOOGLE, BUSCAI POR NÓS!
(texto de José Ouverney , publicado no site www.falandodetrova.com.br, na coluna:  http://falandodetrova.com.br/ouverneyconverso )

 

Uma das melhores invenções que já aconteceu fora a ferramenta de buscas na Internet, cuja maior popularidade pertence ao Google. Você digita o alvo de sua procura e em segundos já obtém a resposta. Sendo uma palavra apenas, é só digitá-la. Se for uma sequência de palavras: um verso, por exemplo, ou uma frase qualquer, o ideal é digitar tudo entre aspas, para que o Google, no caso, filtre melhor o alvo de sua busca. Se não houver nenhuma sequência igual, automaticamente o próprio sistema elimina as aspas e a sua expressão poderá ser considerada como “original”.

Nas lides da Trova, há queixas de que muitas composições são premiadas, com seus autores fazendo uso de versos triviais, de colocações corriqueiras. E o que é pior: é verdade! Isso acontece aos montes. Primeiro, porque é quase impossível você criar um verso totalmente diferente; segundo, porque a maioria dos autores prefere utilizar a primeira expressão que lhe vem à cabeça, sem se dar ao trabalho de garimpar.

Não poucas vezes, tenho recomendado a trovadores preocupados com esse senão que, quando tiverem alguma dúvida, achando que seu verso é “comum demais”, perguntem ao Google. Não custa nada. A mesma recomendação faço àqueles que participam de comissões julgadoras de trovas. Não se deixem levar pelo “canto da sereia”. Há versos muito bonitos que, entretanto, já foram utilizados “trocentas” vezes. Se vocês fizerem isso, irão surpreender-se.

Somente a título de curiosidade, peguei o livro de resultados dos XVI Jogos Florais de Santos, cujas festividades ocorreram entre 14 e 16 de novembro de 2014, e anotei alguns versos de algumas trovas premiadas, que considero um pouco comuns, e os mostrei ao amigo Google. Cito os versos, sem citar “seus mais recentes autores”:

“quando a solidão me invade” = 19.600 citações no Google
“em cada página lida” = 30.500 citações
“da história do nosso amor” = 42.100
“que a própria vida escreveu” = 45.800

E o verso campeão de repetições foi: “no livro do coração”, com 85.600 utilizações anteriores.

O que me leva a insistir nessa tecla, recomendando um cuidado maior por parte de nós, autores. Se isso for feito constantemente, melhoraremos o nível não só de nossas trovas mas também da Trova, enquanto modalidade poética, perante o conceito daqueles críticos ferozes, que insistem em desmerecer essa forma popular e tão gostosa de manifestarmos o que nos dita a inspiração.

Mude a forma. Inove. Tente,
caso concorra e não vença;
uma trova diferente
sempre faz a diferença!

Comentários

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ouverney on seg, 12/01/2014 - 15:57
  • Comentário de JOAQUIM CARLOS , em 28.11.2014, às 16,24h.:

    • Belo texto José Jose Ouverney. Estou impressionado, principalmente porque não conhecia este artifício de buscar no google desta maneira.
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    Comentário de PEDRO ORNELLAS, em 28.11.2014, às 17,20h.:

    Muito bem, amigo Ouverney, isso é o que eu chamo trabalhar pela trova. Divulgando, orientando, ajudando os novos talentos e se desenvolverem e não ficarem acomodados, repetindo sempre o lugar comum. Quanto ao nosso amigo "Guga" converso com esse camarada constantemente, toda dúvida que tenho ou informação de que precise corro perguntar, e ele me leva a muitos tesouros escondidos. Isso aí! Parabéns por mais essa matéria tao oportuna!
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    Comentário de RENATO ALVES - UBT Rio de Janeiro, em 29.11.2014, às 10,21h.:

      • Ouverney, esse comentário é o verdadeiro subsídio para melhorar o nível das trovas. Normalmente, o que se é vê é uma verdadeira obsessão pela FORMA "correta" (Ah! esse conceito de "erro" em Fonética!...) em detrimento do fundo, do significado, da originalidade da ideia. Parabéns!