VI Jogos Florais de Fortaleza - 1982

VI JOGOS FLORAIS DE FORTALEZA (CE) – 1982

ÂMBITO NACIONAL Tema: VAQUEIRO (L/F)

VENCEDORES

1º lugar: Onildo de Campos (Rio de Janeiro/RJ)

Fui vaqueiro... hoje, sou monge!...

Minha saudade, depois,

ficou mugindo... lá longe!...

na voz dolente dos bois!...

2º lugar: Elton Carvalho (Rio de Janeiro/RJ)

Dizia um vaqueiro – Às vezes,

por força dos desenganos,

fui mais feliz entre as reses

do que entre os seres humanos...

3º lugar: Otávio Venturelli (Nova Friburgo/RJ)

Vaqueiro velho, que treme

a voz lembrando o que foi,

diz que a saudade é que geme

em cada carro de boi...

4º lugar: Célio Grünewald (Juiz de Fora/MG)

Somente o vaqueiro triste

entende, de uma só vez,

a nostalgia que existe

no mugir de cada rês!...

5º lugar: Reinaldo M. Aguiar (Natal/RN)

Quando o vaqueiro valente

se encontra longe de casa,

no seu aboio plangente

toda a saudade extravasa.

6º lugar: Clenir Neves Ribeiro (Nova Friburgo/RJ)

Já fui vaqueiro... e o destino

foi rude, mas não desfez

o sonho de ser menino

e ser vaqueiro outra vez!

7º lugar: Clenir Neves Ribeiro (Nova Friburgo/RJ)

Quando canta alegremente

e, de alma aberta, se expande,

todo vaqueiro valente

é sempre um menino grande!

8º lugar: P. de Petrus (Rio de Janeiro/RJ)

Eu, vaqueiro de invernadas,

em meus cantares risonhos,

levo, feliz, nas estradas,

minha manada de sonhos...

9º lugar: Aloísio Alves da Costa (Nova Friburgo/RJ)

Vaqueiro, meu bom amigo,

eu bendigo o que fizeste,

pois de perigo em perigo

construíste o meu Nordeste!

10º lugar: Aloísio Alves da Costa (Nova Friburgo/RJ)

Cantem a vida espinhosa

do vaqueiro em meu caminho...

Sempre merece uma rosa

quem nas mãos tem tanto espinho...



MENÇÕES HONROSAS

Tharcílio Gomes de Macedo (Taubaté/SP)

Vaqueiro velho de antanho,

tendo rotos os gibões,

vou tangendo hoje o rebanho

das minhas desilusões.

Aloísio Alves da Costa (Nova Friburgo/RJ)

Com espinhos de jurema,

de cardo, de juazeiro,

o sertão se fez poema

de exaltação ao vaqueiro!

Onildo de Campos (Rio de Janeiro/RJ)

Há tanta tristeza quando

morre um vaqueiro... Depois,

fica a saudade chorando

dentro dos olhos dos bois...

Cyrlea Neves (Nova Friburgo/RJ)

À noite, um silêncio enorme

traz as saudades do amor...

É quando um vaqueiro dorme

que desperta o sonhador!

José Maria Machado de Araújo (Rio de Janeiro/RJ)

Vê, lembrando antigas eras,

o vaqueiro em seus remansos:

Que os homens ainda são feras,

mas que os bois ainda são mansos!...

Augusto Astério de Campos (Rio de Janeiro/RJ)

Acompanhando o roteiro

dos meus passos de criança,

meu coração é um campeiro

correndo atrás da esperança!

Aloísio Alves da Costa (Nova Friburgo/RJ)

No seu cavalo montado,

aboiando, na verdade,

o vaqueiro tange o gado,

tangendo a própria saudade!

Clenir Neves Ribeiro (Nova Friburgo/RJ)

Vaqueiro que, pela estrada

planta o bem e não se cansa,

tendo as mãos cheias de nada

enche o alforje da esperança!

Waldir Neves (Rio de Janeiro/RJ)

Vaqueiro! Na vã procura

tu mesmo verás que, às vezes,

é mais esquiva a ventura

que a mais esquiva das reses...

Célio Grünewald (Juiz de Fora/MG)

Enquanto o vaqueiro, lento,

conduz o gado às herdades,

vai, talvez, em pensamento,

apascentando saudades!...



MENÇÕES ESPECIAIS

Onildo de Campos (Rio de Janeiro/RJ)

Fui vaqueiro... e, apaixonado,

deixando os campos risonhos,

abandonei o meu gado

para ser pastor de sonhos!...

Cidoca da Silva Velho (São Luiz do Paraitinga/SP)

É o vaqueiro um paladino

no mais distante rincão...

É a voz do Brasil-menino,

despertando o meu sertão.

Daniel de Carvalho (Nova Friburgo/RJ)

Vaqueiro, quando o teu grito

longo ecoa nas quebradas,

Deus responde do infinito,

no mugido das boiadas!

Lucy Sother Alencar da Rocha (Belo Horizonte/MG)

Juntando o gado disperso

num breve e forte comando,

o vaqueiro inspira um verso

e o vento passa rimando!...

João Freire Filho (Rio de Janeiro/RJ)

Chapéu de couro, gibão,

perneira e laço em mão forte,

é o vaqueiro, no sertão,

a própria força do Norte!

João Figueiredo (Rio de Janeiro/RJ)

Na luta inglória, renhida,

do vaqueiro varonil,

eu sinto a alma sofrida

do Nordeste do Brasil.

Hernani G. Vianna (Salvador/BA)

Um vaqueiro de verdade

laça a rês com precisão,

com a mesma habilidade

de quem laça um coração.

José de Souza Revoredo Netto (Natal/RN)

Certo vaqueiro, tristonho,

já vencido pela idade,

afaga, como num sonho,

seu alazão – a saudade...

João Freire Filho (Rio de Janeiro/RJ)

Curvado ao peso da idade,

velho vaqueiro, ancião,

vaqueja pela saudade

no aboio da solidão...

Hedda de Moraes Carvalho (Nova Friburgo/RJ)

Ao calor do sol a pino,

o vaqueiro em cavalgada,

segue a estrada do destino,

tangendo alegre a boiada...

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Tema: FUZUÊ (Humorísticas)

VENCEDORES

1º lugar: Zeferino Lamartine (Senhor do Bonfim/BA)

O fuzuê começou

quando a negra mal vestida

não viu que a saia rasgou

e estava desprevenida.

2º lugar: João Freire Filho (Rio de Janeiro/RJ)

Deu fuzuê, acredite,

com a filha do Aristeu,

quando a sua “apendicite”

com quatro quilos nasceu...

3º lugar: Aloísio Alves da Costa (Nova Friburgo/RJ)

Fuzuê fez o Cesário

quando soube que o patrão

a ele paga o salário

e a ela paga o serão...

4º lugar: Rodolpho Abbud (Nova Friburgo/RJ)

É um fuzuê louco e enorme

a mulher do Zeca Tonto,

pois enquanto o Zeca dorme,

ela não”dorme no ponto”!...

5º lugar: Izo Goldman (São Paulo/SP)

Causa enorme fuzuê

a menina “avançadinha”:

- Sua tanga de crochê

tem mais furos do que linha...



MENÇÕES HONROSAS

Helvécio Barros (Bauru/SP

Apelou pro vale-tudo,

no fuzuê, Zé da feira:

- Fez a barba de um barbudo

com dois palmos de peixeira...

Flávio Roberto Stefani (Porto Alegre/RS)

Mal passado o fuzuê,

que foi moderno e atrevido,

a “moça” já tem nenê

e ainda não tem marido...

Graziella Lydia Monteiro (Belo Horizonte/MG)

No fuzuê do xaxado,

mulata, na pinga ou não,

passo a ver teu requebrado

em terceira dimensão!

P. de Petrus (Rio de Janeiro/RJ)

Foi no baile à fantasia

que a bela costureirinha,

num fuzuê de alegria,

acabou perdendo a “linha”...

Nicomedes Arruda (Cachoeiras de Macacu/RJ)

Eu não temo fuzuê

nem bagunço o meu futuro.

O que faço ninguém vê,

porque só faço no escuro...

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                CRÉDITO DA MATÉRIA AO PROF. PEDRO MELLO - UBT SÃO PAULO