COMO DIZIA O “FILÓSOFO” CHACRINHA...

 

I

 

            O inesquecível Chacrinha tinha um bordão engraçadinho: “Quem não se comunica se trumbica”.

            E não é que o Chacrinha, na sua irreverência, estava coberto de razão? E não é que aquele pernambucano de Surubim era um filósofo porreta?

 

II

 

            Eu comecei na trova em 1997, aos 20 anos de idade e 2º. ano da faculdade de Letras. Na “Casa do Poeta Lampião de Gás” conheci DIVENEI BOSELI, GIVA ROCHA e ANALICE FEITOZA DE LIMA. Elas, carinhosamente, me convidaram para assistir a uma reunião da UBT, que – naquela época – se reunia em uma belíssima sala da Casa de Portugal. Chegando lá conheci o grande e inigualável trovador IZO GOLDMAN.
 

            Dei sorte.

            A UBT estava para promover uma oficina de trova dirigida pelo Izo e eu tive a honra de participar dela. Entre inúmeras lições que ficaram para o resto da vida, Izo nos recomendava a “TROCAR IDEIAS”, “adotar um veterano”. A priori, a sugestão significava que é muito saudável e até necessário conversarmos com trovadores mais experientes sobre as nossas trovas, pedindo opinião, o que poderíamos melhorar, etc...

           
             Eis porque citei a frase do Chacrinha.

 

            Uma lição tão óbvia (e importante!) que aprendi com o Izo só é óbvia para mim e percebo que muitos trovadores não fazem isso. (Autoconfiança? Falta de tempo?).
 

            A nossa irmã trovadora THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA organizou no ano passado (2009) o concurso estadual dos Jogos Florais de Bandeirantes (PR). Fiquei surpreso ao ouvir dela o panorama do concurso. Ela me disse que várias trovas com ideias boas tiveram de ser alijadas do concurso porque estavam de pé-quebrado ou apresentavam erros gramaticais. Isto, logicamente, não aconteceu apenas naquele concurso. Acontece em outros.

            Agora, pergunto: POR QUE ACONTECE? Se os trovadores mais novos (e mesmo os mais antigos) tivessem o hábito salutar de trocar ideias com seus pares em suas delegacias ou seções não evitariam perder suas trovas? Não evitariam premiar trovas parecidas com as de outros? Ou, quem sabe, até evitariam premiar trovas com problemas estruturais, como de vez quando acontece?
 

            Chacrinha tinha razão, “quem não se comunica se trumbica”... É por isto que eu acho que deveríamos nos comunicar mais. Se não tenho alguém em quem confio por perto, por que não troco mensagens por e-mail com alguém de confiança que more em outra cidade? Custa trocar ideias? É doloroso pedir sugestões ou conselhos? Não é prova de falta de talento pedir sugestões ou trocar ideias com outros. Faz parte da vida em sociedade.
 

            Nunca vou me esquecer do Chacrinha e do Izo.

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   O Prof. Pedro Mello, filiado à UBT São Paulo,  é um estudioso da Trova. E, a partir de 2010, o mais novo componente da galeria dos "Magníficos Trovadores" de Nova Friburgo.

 

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