O contato permanente com colegas que cultuam a arte de versejar nos propicia, às vezes, situações inéditas para que rabisquemos algo novo. Foi o que ocorreu em novembro de 2006. Ao buscar notícias do renomado poeta /trovador daqui de Pindamonhangaba, Paulo Tarcízio da Silva Marcondes, tive a insatisfação de saber que ele andava pelejando contra umas dores causadas por pedras na vesícula. Ora, como é possível umas pedrinhas tão pequenas conseguirem afetar a própria inspiração do ser humano?      Saiu-me, então, este soneto circunstancial, em forma de desagravo.

PEDRAS...POR QUE NÃO ESTRELAS?

Sei de um poeta que buscou, um dia,
contando com o aval da medicina,
saber de forma clara, cristalina,
a causa do que há tempos o afligia.

Feito o check-up ele estancou na esquina:
afeito a compromissos, quem diria
pudesse demonstrar tanta agonia
ao fim de alguns exames de rotina?

É inconcebível que uma dor patética
ouse afetar essa missão poética
que Deus, logo ao nascermos, nos destina;

afronta a ética, é assaz ridícula:
poeta não tem pedras na vesícula,
poeta tem estrelas na retina!      

     Nem é preciso dizer que o "homenageado", Diretor do Departamento Municipal de Cultura à época, adorou a "gentil lembrança"!

--------------------------------------------------------------------------- O autor do texto é "Notável Trovador" por Pouso Alegre desde 2005, "Magnífico Trovador" por Nova Friburgo desde 2008 e titular da cadeira nº 33 da Academia Pindamonhangabense de Letras.