ESTRELA-DO-MAR     

 

      No Pará, em 2005, o concurso de trovas organizado por Sarah Rodrigues apresentou o tema “estrela-do-mar”. Confesso que tive dificuldades para compor. E explico: a princípio, não gosto de compor trovas repetitivas. O que seria uma trova repetitiva? É aquela que, mesmo apresentando uma bela plástica, só faz usar termos e definições utilizadas à exaustão, em trabalhos anteriores, no decorrer dos anos. E há os autores que se preocupam mais com a criatividade e menos com a “obrigação” de vencer concursos. O que deveria ser a regra, embora não seja.      Então – dizia eu – quando surgiu o tema acima citado, pensei: - vai ser muito explorada a idéia de expor o contraste entre estrelas-do-mar e “estrelas do céu”.

     “Ora, mas onde você pretende chegar com esse papo sem fundamento?” – poderá o leitor mais ávido me perguntar.

     E eu respondo, com muito prazer: o verdadeiro desafio a um trovador (e aos poetas em geral) é pegar uma idéia hiper explorada e dela extrair justamente o que ninguém conseguiu ainda captar. E foi o que fez, nesse caso, o “Magnífico Trovador” Izo Goldman, uma das “lendas vivas” da Trova brasileira. Vejam o que ele conseguiu fazer, em cima de tantas “estrelas do céu e estrelas-do-mar” apresentadas:

Brigaram o céu e o mar,
ficaram de bem depois,
quando Deus os fez parar,
dando estrelas para os dois!

     Para os corações que (graças a Deus) ainda não tiveram a sua “porção-lírica” desativada, esta composição tem um “brilho” singular, tal a singeleza nela contida!

     Você seria capaz de fazer igual ou melhor? Tente, ao menos!