QUE TAL SE ABOLÍSSEMOS O TROFÉU LILINHA FERNANDES E TODOS OS OUTROS “RANKINGS”?

 

     Não quero ofender ninguém, inclusive quero louvar o trabalho altruísta de dirigentes da UBT que se esforçam para promover a trova; registro publicamente o quanto aprecio o esforço em prol da trova que é realizado no Brasil. O trabalho do Flávio Stefani em Porto Alegre, por exemplo, com sua incansável divulgação da trova e o trabalho da Selma Patti Spinelli, que, inclusive, conseguiu o CNPJ para a Seção São Paulo são dignos de todos os elogios possíveis. E sempre serão poucos os nossos elogios em virtude dos gigantes que eles são para a Trova brasileira.

      No entanto, à parte o trabalho realizado, existe algo que incomoda não só a mim, mas a alguns outros trovadores: a existência de rankings com concessão de pontos a cada trova premiada. Para quê?

      Não é suficiente um trovador ser premiado em Concursos e Jogos Florais, receber hospedagem às expensas da UBT local, receber um troféu, um diploma e ser merecidamente incensado pela sua trova? Ainda é necessário que se atribuam pontinhos variáveis de acordo com o “nível” da classificação, vencedor, menção honrosa ou menção especial? (Abrindo parênteses: se uma comissão recebe centenas de trovas, as quinze que, em média, são premiadas não seriam – na realidade - todas vencedoras?)

      Os rankings são usados no sistema capitalista para incentivar a concorrência entre as empresas. São realizadas pesquisas e verificações, atribuindo-se notas às instituições e/ou a seus produtos, o que estimula a competição e a busca constante de auto-superação. Agora, Deus, para quê se aplicar uma coisa dessas à UBT? Não sei quem no passado teve a idéia de atribuir pontinhos às trovas, somá-los e conceder um troféu ao “campeão”, àquele que mais premiou durante o ano, mas é uma idéia tremendamente infeliz.

      Por que o movimento trovadoresco não evolui e descontinua esses rankings de trovadores? Qual o objetivo, a funcionalidade, o mérito desses rankings? Não poderiam criar discórdia, competição, amargura diante de uma boa trova não-premiada, rixa, inveja, dor-de-cotovelo? Todos nós somos humanos e propensos a sentimentos mesquinhos. Por que, em vez de promover a competição, não investimos na fraternidade, na igualdade, e abolimos todas as escalas de pontuação de trovadores que são realizadas localmente em algumas UBTs com a finalidade de premiar o trovador mais “pontuado” no final do ano? E se abolíssemos o troféu “Lilinha Fernandes”, que é uma iniciativa bem intencionada, mas perfeitamente dispensável?       Os próprios concursos de trova já acirram alguns ânimos de trovadores não premiados, mas são um mal necessário: são eles que mantêm a UBT viva e em atividade. No entanto, o mesmo não se pode dizer dos rankings. Eles não engrandecem a Trova. OS RANKINGS NÃO SERVEM PARA NADA, A NÃO SER PARA INFLAR O EGO DOS TROVADORES. E, sinceramente, a UBT não precisa de egos inflados.

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NOTA: O Professor Pedro Mello, 31 anos, é um dos jovens talentos da Trova brasileira, além de um de seus mais ardorosos amantes.