Élbea Priscila de Souza e Silva
ÉLBEA PRISCILA DE SOUSA E SILVA, nascida em Piquete em um ensolarado 16 de janeiro de 1942, filha do Seo Elpídio e de Dona Beatriz, e domicilada em Caçapava, onde construiu toda sua vida ao lado do "muso" Rubens, é uma das mais talentosas literatas valeparaibanas, seja na prosa, seja no verso. Trovadora respeitadíssima nos quatro cantos do país.
Se a guerra foi declarada (Vencedora em Pinda 2011)
e é poderoso o oponente,
faze da astúcia aliada,
que astúcia é força da mente!
- Quem de astúcia é mais capaz? (Menção Especial em Pinda 2011)
Num concurso singular,
vence a mulher, Satanás
fica em segundo lugar!
Com as palavras esgrima, (Menção Especial em Pinda 2011)
me estoca e brada: Touché!...
Astúcia é a matéria-prima
da qual emergiu você!
Em meu peito, sorrateira, Vencedora em Pinda 2010)
a saudade se detém,
fincando a sua bandeira,
já que a terra é de ninguém !
Já tive família e nome, (Vencedora em Pinda 2010)
posição...luxo também,
mas, de mim fiz um pronome
indefinido: ninguém!
Às suas falas dispense
o respeito mais profundo,
que o silêncio nos pertence (Menção Especial em Niterói - 2010)
mas a palavra é do mundo.
A tristeza,sim,me arrasa... (Vencedora em Pinda 2009)
expulsá-la de que jeito,
se é marca de ferro em brasa,
indelével no meu peito!?
Dispenso festas, mantenho (co-vencedora em São Paulo - 2008)
com elas pouca amizade,
pois quem tem o amor que eu tenho
só pensa em privacidade...
Do peito tranco o portão (co-vencedora São Paulo - 2008)
por sofrer e em desagravo
penduro nele a inscrição:
- Cuidado1 Coração bravo!!!
Com extrema sutileza, (Menção Honrosa Pinda - 2008)
vertendo mel nas amarras,
a sedução faz a presa
se aprazer em suas garras.
A escolha do par perfeito,
farei nesta... em qualquer vida, (7º lugar Nova Friburgo - 2008)
ao resgatar de outro peito,
minha metade perdida!
Só tu, penumbra que invades (Venc. Niterói 2007)
meu quarto, sem cerimônia,
sabes de quantas saudades
se compõe a minha insônia!
Tão comuns em nossa esfera (Vencedora Pinda - 2007)
que aos tropeços se conduz,
trevas são salas de espera
onde aguardamos a LUZ!
Pertenço a um tempo em que flores, (M. Especial Nova Friburgo - 2007)
donas de próprias linguagens,
apadrinhavam amores
com perfumadas mensagens...
Xeque-mate, sem saída,
me entrego, todo humildade, (Vencedora em Pedralva - 2007)
se o tabuleiro é o da vida,
se o contendor é a saudade...
Adeus! A sentença triste (M. Honrosa Niterói - 2006)
minha vida desalinha,
e a saudade, dedo em riste,
vem dizer que a culpa é minha!
Alegre, meiga, estouvada, (Venc. Taubaté 2006)
em constante movimento,
tão inconseqüente e amada,
a brisa é a infância do vento...
Bem aqui na banda esquerda
do meu peito há uma inscrição: (Menção Honrosa Pinda - 2006)
"Cansado de tanta perda
foi-se embora um coração".
Ao redor deles se agrupam (Menção Honrosa Pouso Alegre/MG - 2006)
o mundo, risos e achaques,
porém... relógios se ocupam
apenas de tique-taques...
Ela passa se sorrio,
se choro vai, nem me vê: (Vencedora Pinda - 2005)
desconfio que este rio
tem muito a ver com você!
Moleque feliz, sadio,
nadando em tua água fria, (Menção Honrosa Pinda - 2005)
acreditei, velho rio,
que eu nunca envelheceria...
Agitado ou não, valente, (Menção Especial em Pinda 2005)
radiante, às vezes sombrio,
tens por meta o sonho à frente:
- Coração... teu nome é rio!
Não me bastasse a poeirenta (Menção Especial Niterói - 2004)
e dura trilha que faço,
vem a saudade e acrescenta
mais um fardo em meu cansaço...
É o trabalho um aliado
no caminho para a luz: (Venc. São Paulo-2004)
encare-o como um cajado,
jamais o transforme em cruz!
Minha angústia, aprisionada,
num grito agudo se solta (Venc. São Paulo-2004)
e um eco, só por caçoada,
traz-me esse grito de volta!
Quando a natureza, insano, (Vencedora Pinda - 2004)
degrada a seu bel-prazer,
o chamado ser humano
humano deixa de ser!
Quem criou a Natureza, (Menção Honrosa Pinda - 2004)
obra-prima de arte pura,
deixou que a mão da beleza
lhe forjasse a assinatura...
A Humanidade atracada (Menção Especial em Pinda 2004)
ao seu orgulho e avareza
agride o meio e degrada
sua própria natureza...
Prantos, lamentos, gemidos... (Menção Especial Pinda - 2003)
ecos que vêm até nós...
são gritos dos excluídos
de que a dor é porta-voz!
Aquela amiga, a saudade, (Menção Especial em Pinda 2002)
ah, quantas vezes descarto,
pois, cheia de intimidade,
só quer dormir no meu quarto...
Embora dela me esquive, (Vencedora Pinda - 2002)
a saudade, tão ladina,
tem manhas de detetive
e me espreita em cada esquina...
Vencido... todo humilhado, (Menção Honrosa Pinda - 2002)
meu coração se destranca
e entregando-se à saudade,
desfralda a bandeira branca!
Quando a saudade aguilhoa (Menção Especial Niterói - 2002)
meu peito, a voz da razão
diz, baixinho: -- Vai... perdoa...
Mas a altivez grita: --Não!
Uma caixa de surpresas,
baú de contradições, (M.Honrosa Friburgo 2002)
meu coração tem certezas
cercadas de indecisões
Nossa antiga foto presa
na moldura sem verniz (M.Honrosa Friburgo 2002)
hoje é a única certeza
de que um dia eu fui feliz!
No meu Natal é rotina
deixar tudo no "capricho": (Menção Honrosa Garibaldi/RS - 2002)
no peito faço faxina
e jogo as mágoas no lixo!
Numa visita diária
a um coração em carência, (Vencedora Pinda - 2001)
a saudade solidária
tenta suprir tua ausência...
Quero agarrar o presente,
mantê-lo à força, ao meu lado... (Menção Especial - Pinda 2000)
E ele se esvai... De repente,
presente já é passado!
A distância bem que tenta (MH Bandeirantes 1999)
retardar minha chegada,
e parece que acrescenta
mais quilômetros na estrada...
Frio, cruel e arrogante,
O mal na discórdia aposta (Menção Especial Pinda - 1998)
e o mundo beligerante
Está "como o diabo gosta".
O beijo da chuva fria
no chão, ressequido e ardente,
num milagre, propicia
o germinar da semente.
Teu prato esfria na mesa,
olho o relógio, me apresso;
na varanda a luz acesa
espera, em vão, teu regresso...
Na mais franca intimidade,
desta volúpia à mercê,
perdemos a identidade:
quem sou eu, quem é você?
HUMORÍSTICAS
A banda toca um dobrado
e a multidão se eletriza,
mas mantém o olhar colado (8º lugar Nova Friburgo - 2011)
no “shortinho” da baliza !
– Meu genro prêmios conquista (Menção Especial Nova Friburgo - 2008)
em nossa Feira Anual.
- Ele é grande pecuarista?
Não... um perfeito animal!
- Esta pimenta é de cheiro? (Menção Especial Nova Friburgo - 2007)
Pergunta com azedume,
e o garçom fala ligeiro:
- Se não é... boto perfume!!!
--Eu era um burro, doutor, (Menção Honrosa Garibaldi/RS - 2002)
que pesadelo medonho!
E o médico, gozador:
-- Tens certeza que era um sonho?...
Aquele tomate ousado
diz à alface bem amada: (1°lugar em Humor - Magé 2006)
-- Nosso encontro está marcado
às seis... na mesma salada!
De assombração tenho medo,
da morte, então, quem não tem? (M. Especial Ribeirão Preto - 2003)
Vou te contar um segredo:
quando era vivo... eu, também!
