Doralice Gomes da Rosa
DORALICE GOMES DA ROSA nasceu em São Francisco de Paula/RS, a 20 de janeiro de 1933, filha de Camilo Gomes e Zélia de Souza Gomes. Viúva do também poeta Conrado da Rosa. Trovadora, repentista e acordeonista, com apresentações em rádio, TV e demais eventos. Com domicílio em Porto Alegre.
Na solidão do meu rancho,
nossa rede, que ironia,
ainda presa no gancho,
embala a noite vazia.
Hoje, nós dois, no abandono;
perdidos, sem mais escolhas:
– dois galhos secos no outono (5º lugar Friburgo 2008)
que o vento varreu as folhas.
Teu amor é uma jangada
que aportou com muito jeito
e agora vive ancorada
nas amarras do meu peito.
Pra sorrir não tenho hora...
nas mágoas não me concentro;
mostro um sorriso por fora,
mesmo chorando por dentro.
Cai a chuva e com malícia,
num jeito todo atrevido,
vai moldando com perícia
teu corpo sob o vestido.
Ao Patrão Velho e buenacho,
pedindo, tiro o chapéu:
-- Olha um pouco aqui pra baixo,
manda uma bênção do céu.
Que o velhinho em seu trenó,
campeando luas e luas,
tenha compaixão e dó
dos piás que vivem nas ruas!
Quando eu cruzar a porteira
para o plano do infinito,
levarei minha bandeira
com meu protesto e meu grito!
Meninas, eis um conselho:
vêde bem por onde andais!
A honra é como um espelho,
se quebrar, não cola mais...
Não quero saber de intriga
pois cheguei à conclusão:
é melhor viver sem briga,
do que brigar com razão!
HUMORÍSTICAS
Aquela coroa enxuta,
mal anoitece, ela sai,
dizendo que vai à luta
- só Deus sabe onde ela vai!
Sogra boa - não se iluda!
Se existiu, morreu à míngua. (1º lugar Maranguape 2008)
A não ser que seja muda
e a boca não tenha língua.
O capeta à Terra veio, (Menção Honrosa em Porto Alegre - 1999)
fugindo do fogo eterno
e ao ver o mundo tão feio,
voltou correndo pro inferno.
