Dimas Lopes de Almeida - Carvalhos / Portugal

     DIMAS LOPES DE ALMEIDA, um dos maiores trovadores portugueses, nasceu a 25 de julho de 1915 em Sandim, Vila Nova de Gaia, filho de Antonio Ribeiro de Almeida e Rosa Ferreira Lopes. O talento poético certamente veio-lhe da mãe que, apesar de não ter tido estudo, era improvisadora de quadras populares. De 1954 a 1960 Dimas morou na Venezuela. Casou-se em 1962, aos 47 anos, com a professora Maria Ângela Ribeiro, com quem teve duas filhas.  Dimas faleceu em 18 de março de 1994.

 

Natal é tempo bizarro

porque nós todos, no fundo,

somos bonecos de barro

neste Presépio do Mundo.

Não queiram subir dum salto

a escadaria da Vida,

pois é sempre em lugar alto

que vemos a Cruz erguida.

Não estranhes que o Mar largo

seja salgado demais:

é devido ao pranto amargo

que se chora em cada cais.

Perdi o melhor que tinha,

agora o mundo me enjeita:

- Ninguém olha para a vinha

depois da vindima feita.

Um moinho de ilusão          (trova premiada em Manhumirim/MG)

no meu peito se contém,

pois não vivo só de pão,

vivo de sonhos também.

Um beijo de amor encerra       (Ponta Grossa 1986)

a ventura que eu bendigo:

se o sal não beijasse a terra

a terra não dava trigo.

É feliz quem tem o dom             (Niterói 1985)

de sonhar a vida inteira.

Se não acha o mundo bom

faz um à sua maneira.

A vida é página breve

que Deus em branco nos dá.      (1º lugar Sete Lagoas, 1984)

A gente é que nela escreve

coisa boa ou coisa má.

Sendo o mar quase infinito          (1º lugar Barreiro Portugal 1972)

cabe num lenço dos meus,

nesse lenço que eu agito

quando te aceno um adeus.

Dizes mal do mundo todo,

mas a vida há que entendê-la:

na fonte onde encontras lodo

há quem descubra uma estrela.

ALGUMAS DE HUMOR

Eu não me quis casar cedo,

que ganhei com essa teima?

Quem das fogueiras tem medo,

depois nas cinzas se queima.

Um beijo causa dispêndio,

tal como a fogueira ao vento,

pois se esta produz incêndio,

ele produz casamento.

O que sinto não tem nome,

no momento de te ver.

Não sei se lhe chame fome,

se vontade de comer...

Não me importo de ser cego

à beira de moças belas:

- até gosto, não o nego,

de andar às apalpadelas!...

Dos plágios não digas mal,

se és artista consagrado:

Quem fez algo original

foi Adão, e era pecado!

Sou fiel à companheira               (Menção Honrosa em Niterói - 1975)

porque a velhice é cruel:

agora, mesmo que eu queira,

não posso ser infiel!...