(estrelando Luiz Otávio, criador da UBT = União Brasileira de Trovadores)

     Em 18 de julho de 1916 nascia no Rio de Janeiro, bairro de Vila Isabel, Rua Uruguai, às 8 horas e 30 minutos, Gilson de Castro, que viria a imortalizar-se sob a alcunha literária de “Luiz Otávio”.

     Idealizador e fundador do movimento poético chamado UBT: União Brasileira de Trovadores, no ano de 1966. Antes, na década de 50, com o livro “Meus Irmãos, os Trovadores”, ele coletaria obras de quase setecentos autores. Essa obra viria a se tornar o marco de todo um trabalho gigantesco que tomaria conta do País, envolvendo literatos de renome em uma paixão única pelo novo gênero poético chamado de “Trova Literária”.

     Sua paixão pela Trova começaria, de fato, durante o seu curso de Odontologia, quando uma colega chamada Tereza de Araújo Lima lhe emprestaria um livro chamado “Descantes”, editado em 1907, de autoria de Adelmar Tavares e mais quatro poetas pernambucanos.

     Logo após sua formatura, a tuberculose o afetaria, obrigando-o a longos retiros para tratamento. Nesse período começou a exercitar esse gênero de poesia e, em 1938, convalescendo em uma fazenda em Pati do Alferes/RJ, conheceu o já sexagenário paraibano Antonio Joaquim Pereira da Silva (1876-1944), que pertencia à Academia Brasileira de Letras. E ficavam longas horas conversando. Um dia Luiz Otávio lhe disse: “Admiro-me que o senhor, acadêmico e poeta ilustre, perca tempo conversando com um jovem insignificante como eu”. E Pereira da Silva lhe respondeu: “Eu é que me admiro. Você, cheio de juventude, ficar aqui, falando comigo, longe do convívio dos de sua idade…” Vendo que Luiz gostava tanto de trovas, Pereira da Silva convidou-o a conhecer Adelmar Tavares (1888-1963), também acadêmico, e autor do “Descantes”, que tanto o encantara. O encontro entre os hoje “Rei da Trova” e “Príncipe da Trova”ocorreu em 1939. E ali nascia o Império.

     Parabéns a todos os trovadores brasileiros, por mais um 18 de julho. Em muitos redutos da UBT a data é comemorada com saraus, encontros, distribuição de trovas à população.

Ora a Vida! … Deixa-a andar,
não queiras da vida ter
o que ela não possa dar,
nem tu possas merecer…
ADELMAR TAVARES

Meus sentimentos diversos
prendo em poemas pequenos.
Quem na vida deixa versos,
parece que morre menos.
LUIZ OTÁVIO

Ei-lo, de todos os casos,
o mais estranho do mundo:
- como nuns olhos tão rasos,
cabe um olhar tão profundo!
A. J. PEREIRA DA SILVA

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texto escrito por José Ouverney, publicado em 19.07.2013