DESPEDIDA  (texto de Pedro Mello em 01.07.2015)
 
CARTA ABERTA AOS MEUS IRMÃOS TROVADORES
 
Meus queridos irmãos trovadores:
 
         Hoje estou encerrando minhas atividades de colunista e blogueiro. Este é o último texto publicado no www.falandodetrova.com.br, espaço gentilmente cedido em 2008 pelo Magnífico Trovador José Ouverney, quando surgiu a ideia de uma coluna, depois consolidada por um blog, cujo domínio eu abri em outubro do ano seguinte.

         De lá para cá, nestes 7 anos, muita coisa aconteceu, escrevi muita coisa, marquei posições nem sempre de bom tom e, sem que cuidasse, desenvolvi um estilo polêmico de escrita, graças ao qual acabei criando mágoas e desafetos, ao invés de promover a união e a concórdia.

         Confesso que dos temas que envolvem língua portuguesa e versificação, não me arrependo de minhas colocações. Alguns erroneamente interpretam que defendo trova “errada” ou “imperfeita”, mas isso não me interessa mais.

         Quanto aos meus posicionamentos com relação à União Brasileira de Trovadores, reconheço que me excedi e que fui injusto com algumas pessoas e muitas vezes fui agressivo sem necessidade.

         Um amigo até me avisou que eu tinha tendências para ser encrenqueiro, criar quizílias e que deveria me esforçar para evoluir espiritualmente. Acabei fazendo o percurso inverso.

         Mesmo que em alguma coisa eu tenha razão, não adianta insistir em pontos de vista, argumentar, defendê-los, se, com isso, perder amigos pelo caminho.

         Minha mudança para o estado do Paraná me fez muito bem nesse sentido: com mais tempo para meditar, para refletir, pôr as ideias em ordem, resolvi deixar de me envolver com aquilo que não me diz respeito.

         Aprecio muito a União de Brasileira de Trovadores, tenho muito apreço pelo profícuo trabalho de seus idealistas e peço perdão a alguém a quem tenha magoado.

         Alguns eu sei que não podem me perdoar, pois os magoei muito. E, no momento, embora seja membro da Seção Curitiba, prefiro me manter em silêncio, em posição discreta, sem qualquer tipo de enfrentamento ou declaração.

         Agradeço aos amigos que ainda são meus amigos apesar do meu gênio difícil. São meus amigos mesmo me conhecendo...

         Encerro minhas atividades de blogueiro e colunista da trova, evocando a famosa trova de Izo Goldman (1932-2013):
 
Para mantê-los me empenho,
porque penso sempre assim:
Tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim!
 
         Um abraço fraterno do Pedro Melo.