Chico Xavier, a Trova e Eu II
Chico Xavier, a Trova e eu.
PARTE II
Licença Poética
Certa noite, em Uberaba, recitei, para o Chico Xavier, a minha trova nº 70, comentando os excessos dessa festa popular, do ponto de vista espiritual:
A mulher, que não se cora em mostrar lados e centro, pode ser bela por fora, mas é horrível por dentro! Para a minha surpresa, o Chico me advertiu, mais ou menos assim: Fabiano, a gente é responsável por aquilo que induz os outros a pensarem... Como o simples fato de ser advertido por ele era, para mim, um favor que ele me prestava, simplesmente me calei. No sábado seguinte, observei a ansiedade com que ele me procurava para me falar, também mais ou menos o seguinte: Emmanuel me disse que você é poeta e que os poetas podem se referir aos fatos, como eles se apresentam. Emmanuel foi o mentor espiritual da mediunidade do Chico. A partir de então, esse não mais me advertia oralmente, mas expressava, na fisionomia, ora fechada, ora meio sorridente, ora surpresa, a opinião acerca das trovas que lhe falava. ****** Eu, árabe? Certa noite, recitei-lhe a minha trova nº 468: Pela vida, peregrino, em busca do rumo certo, como faz o beduíno nas areias do deserto. Ele nada comentou, mas deixou transparecer no rosto certa surpresa. Estranhei apenas... O tempo passou, voltei para BH, aposentei-me, fiquei viúvo em 1992, papai faleceu em 1993, e, após a data da partida do meu “velho”, meu filho Ronaldo, nascido em 1955, confidenciou-me que tivera um “desdobramento” (visão durante o sono), em que me vira como árabe, no século XIII, na cidade do Cairo, no Egito. Por uma década, guardei para mim a informação. Até que após tive, de uma hora para outra, um “insight” em que me lembrei da trova Pela vida, peregrino...; da expressão facial do Chico demonstrando surpresa, ao ouvi-la; da minha ligação emocional desde menino com o povo árabe; as lágrimas que derramei ao ver, pela televisão, as imagens do sepultamento do Coronel Nasser, o patriota que contribuiu para o fim da monarquia corrupta do rei Faruk; a revolta ao ver como os judeus de Israel tratam os palestinos etc etc etc E cheguei à íntima certeza de que o meu espírito teve uma existência corporal nas “areias do deserto”. Estarei certo? Já com 81 anos, não deve tardar eu “tirar a prova dos nove...” ****** Cornélio Pires (1884 – 1958) Tenho em mãos uma folha A4, em que escrevi: Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública na Comunhão Espírita Cristã, em Uberaba, MG, na noite de 03/03/73, sábado de carnaval. Nessa mesma noite, eu tinha recitado, para o Chico, na “Peregrinação”, a trova abaixo que fizera: 0.031 Penso, de tanto subires, subires mesmo de fato, já não és Cornélio Pires, mas és, sim, Cornélio Prato!... Após a “Peregrinação”, aconteceu, como era o costume, a Sessão Espírita, com o recebimento de mensagens psicografadas. E eu, tranquilamente, com os demais assistentes, as ouvia. De repente, levei um susto, quando o Chico, lendo a última, falou: “Página ao amigo Fabiano Informo, contente e grato, A você, meu caro irmão, Que não sou Pires, nem prato E sim Cornélio do Chão. Cornélio Pires” ****** O Bobo do Rei A razão, por que eu fazia as trovas e as lia para o Chico, era a forma que encontrara para lhe manifestar a minha gratidão pela tranqüilidade de espírito que me trouxera a leitura dos livros e mensagens, recebidos por seu intermédio, de autoria dos amigos espirituais. Desde jovem, vivera angustiado em busca da verdade no tocante aos assuntos e problemas espirituais. Fora educado no Protestantismo, na Igreja Presbiteriana que freqüentava às quartas-feiras e aos domingos no culto noturno, e aos domingos na Escola Dominical. Contudo, estava matriculado no Colégio Diocesano, dos Irmãos Maristas, em que fiz o então 3º ano primário, em 1937, e, dos anos 1940 a 1946, o Curso Ginasial de 4 anos e os 3 anos do Curso Científico. E, ao mesmo tempo em que aprendia os assuntos profanos, também tinha de estudar diariamente a Religião Católica, com a reza do Terço, e a freqüência, aos domingos, da Missa na capela do Colégio. Isso tudo antes do Concílio Vaticano II convocado pelo Papa João XXIII, cujo Pontificado deixou saudades em toda a humanidade. Na época, as posições, tanto do Protestantismo quanto do Catolicismo, eram extremamente radicais. Imagine-se a confusão na minha cabeça. Era tanta que me voltei para o Positivismo, depois inevitavelmente para o Marxismo e, por fim, encontrei a paz no Espiritismo. Graças a Deus! Como o Chico manifestava estar gostando das minhas trovas, fiz a trova número 274, transcrita abaixo: Se ris das trovas, não sei a razão do meu arroubo. Será que já foste rei, e que eu fui, Chico, o teu bobo? (...CONTINUA)
